26 dezembro 2008

Eduardo Prado Coelho






Há pessoas que nunca conhecemos mas de quem temos saudades.

Lisboa, 29 de Março de 1944

Lisboa, 25 de Agosto de 2007

23 dezembro 2008

1º Orçamento Participativo

No seguimento do seu registo no site do Orçamento Participativo de Lisboa, é com muito agrado que lhe enviamos a informação em anexo sobre os cinco projectos vencedores, que, conforme compromisso assumido pela Câmara Municipal de Lisboa, já se encontram incluídos na proposta de Orçamento e Plano Anual de Actividades para 2009, a ser submetida a discussão e aprovação pela Assembleia Municipal.
Informamos igualmente que no site do OP já se encontra disponível um Relatório Intercalar, com a análise preliminar deste processo.Porque a sua opinião é muito importante para nós, no início do ano iremos enviar-lhe um Inquérito de Avaliação do Orçamento Participativo, no qual gostaríamos de contar com a sua participação.Com o seu contributo, a Câmara Municipal de Lisboa poderá melhorar este processo para corresponder às verdadeiras aspirações e necessidades da sua população.





244 votos
Construção de Pistas Cicláveis
E.P.E.V.
Tem por objectivo dotar a cidade de pistas cicláveis
que garantam a segurança do ciclista. Inserido no
programa em curso dos percursos e corredores,
pretende-se criar uma rede principal de pistas
cicláveis que ligam espaços verdes e se
sobrepõem ao Plano Verde. Parte desta rede tem
financiamento assegurado e parte não será
custeado com o orçamento de 2009 ao qual se
refere esta consulta pública. Propõe-se assim que
sejam votados apenas percursos complementares
ao que está em curso, com aplicabilidade em 2009.
2.680.176 €



Parque Monsanto -Av. Calouste Gulbenkian
60.176 €
Av. Calouste Gulbenkian-Pq Eduardo VII
650.000 €
Av. Calouste Gulbenkian-Praça de Espanha
120.000 €
Pista Ribeirinha Belém - Cais do Sodré
325.000 €
Telheiras - Campo Grande (via Cida. Uni)
350.000 €
Campo Grande - Vale de Chelas
550.000 €
Vale de Chelas - Parque dasNações
625.000 €

125 votos
Parque Urbano do Rio Seco
E.P.E.V.

Implementação deste espaço verde de
enquadramento à escarpa rochosa da R. Eduardo
Bairrada. Irá dar continuidade ao já existente,
envolvente ao campo de jogos, também na
Rua Eduardo Bairrada, e construir o futuro Parque
Urbano do rio Seco. Esta proposta é constituída
pela construção de uma zona verde de
enquadramento paisagístico do geomonumento e a
recuperação da gruta para a constituição de núcleo
arqueológico. O interior da gruta será iluminado e a
sua entrada vedada, e o pavimento igual ao do
exterior, em redor da gruta. A gruta funcionará
como cenário para quem passa ou está no espaço
verde. A zona verde principal é estruturada por um
percurso principal, que divide esta àrea em duas
grandes zonas relvadas, e termina numa parede de
escalada. A zona adjacente à escarpa tem
instalada uma estrutura de corda para trepar,
situada numa àrea circular, pavimentada com seixo rolado.
600.000 €

120
Acessibilidades para Bicicletas
I.V.T.E.
Intervenção em arruamentos para melhorar a
acessibilidade/circulação de bicicletas.
500.000 €

103 votos
Criação de um Espaço Verde e Parque Infantil -Quinta de Barros
E.P.E.V.
no espaço delimitado pelas ruas Joaquim Rocha Cabral, Frei Joaquim, Santa Rosa
Viterbo e Azinhaga dos Barros.
350.000 €

100
Corredor Verde: Parque EduardoVII - Monsanto E.P.E.V.
1.000.000€

22 dezembro 2008

A escola e a economia

Os gatos saíram do saco e ninguém os vai conseguir meter lá outra vez. Os professores portugueses politizaram-se e ninguém os vai despolitizar. Perceberam que estão frente a frente duas concepções de escolas incompatíveis nos seus pressupostos, na sua concepção do humano e acima de tudo nos interesses que servem. De um lado, aquilo que apareceu referido nos cartazes como a Escola Pública e a que os nossos colegas franceses chamam, talvez com mais propriedade, a Escola Republicana, que se define pelo acesso de todos ao melhor que a nossa civilização oferece. Do outro lado, o inimigo: a escola tecno-burocrata, para a qual não há «civilizações», mas sim «economias», e cujo projecto consiste em ensinar uma pequena elite económica, ficando reservado a todos os outros aquilo a que Maria de Lurdes Rodrigues chama «qualificação".
José Luís Sarmento em Escola Pública ou Escola Republicana?

16 dezembro 2008


Os bancos, apesar de todas as garantias dos governos europeus e norte-americano, mantêm a mesma sanha de ganância que nos trouxe até aqui. Com a descida das taxas de juro -para contrariar recessão e inflação - aumentam a sua taxa de lucro sobre o crédito -spread. Afinal que tem a ver a crise financeira com a alteração dos códigos de trabalho e dos sistemas de segurança social na Europa? Porque começamos o novo século e o novo milénio a ter de trabalhar mais e com menos direitos que duas gerações antes da nossa?

Não é de outra coisa a não ser de nós que se alimentam as roletas. Também alimentamos quem as faz girar.

11 dezembro 2008

EUA: tomada de fábrica por operários vira luta nacional

"A tomada de uma fábrica por seus trabalhadores demitidos em Chicago se converteu em um símbolo nacional de que o resgate do setor financeiro por Washington não se traduziu em um apoio para as maiorias. Desde o presidente eleito Barack Obama e parlamentares federais e locais até o governador de Illinois já expressaram apoio às demandas dos operários.
Por David Brooks, para o La Jornada
Tudo começou quando os 260 operários da fábrica de janelas e portas Republic Windows and Doors foram informados por seus patrões, com apenas três dias de antecedência, do fechamento da indústria, previsto para o fim de semana passado. O fechamento ocorreu depois que o Bank of America suspendeu sua linha de crédito à indústria.
Na sexta-feira, dezenas de trabalhadores tomaram a fábrica e se negaram a deixá-la, pois denunciam que não foram notificados com os 60 dias de antecipação previstos em lei e não lhes pagaram o que deviam.
Em turnos, dezenas de trabalhadores, membros do sindicato nacional independente United Electrical, Radio and Machine Workers of America (UE), um dos mais progressistas e combativos do país, mantiveram guarda dentro da fábrica, enquanto recebiam visitas ilustres, desde o senador Dick Durbin, o segundo em importância na Câmara Alta do parlamento americano, até os representantes federais Luis Gutiérrez e Jan Schakowksy, e o reverendo Jesse Jackson.
A maioria dos trabalhadores é de origem mexicana, junto com um bom número de trabalhadores negros e alguns salvadorenhos e hondurenhos.
No domingo, Obama disse: "creio absolutamente que os trabalhadores, que pedem os benefícios e os salários pelos quais trabalharam, estão corretos, e entendo que o que lhes acontece é um reflexo do que ocorre em toda a economia".
Nesta terça-feira (9), o governador de Illinois, Rod Blagojevich, ordenou que as secretarias estaduais suspendam todos os negócios com o Bank of America até que este reverta sua decisão e abra uma linha de crédito para a empresa Republic. "Que tome parte do dinheiro federal que recebeu e o invista, para dar crédito necessário para esta empresa, conservando assim os empregos dos trabalhadores", manifestou.
"O Bank of America recebeu recentemente uma injeção de US$ 25 bilhões de fundos públicos e agora é um exemplo de como, enquanto se resgatam os grandes bancos, os trabalhadores são demitidos sem receber seus salários", afirma o sindicato.
O senador Durbin declarou aos meios de comunicação: "entregamos bilhões a bancos como o Bank of America, e a razão para isso era para que continuassem emprestando esses fundos a empresas como a Republica, para que não fossem perdidos postos de trabalho aqui nos Estados Unidos".

06 dezembro 2008

13º livro à Quarta

"No tempo em que o açoite do sol pungente perde o ardor que torna o homem mole de suor, quando Zeus omnipotente faz chegar as chuvas outonais, e os membros do homem se tornam muito mais ágeis -então, na verdade, a estrela de Sirius passa sobre a cabeça dos homens destinados a morrer, só por pouco tempo durante o dia, e gosta de ficar mais tempo durante a noite -, naquele tempo a madeira do bosque é completamente imune à picada do caruncho...naquele tempo tu deves cortar a madeira do bosque..."
Hesíodo, Os trabalhos e os dias

Sobre o Zé e o Be

Os profissonais da política continuam a fazer com que ela seja tão menor (inútil?) que a vida. Sobre o Zé Sá Fernandes e o BE foi bom ler isto no spectrum.

21 novembro 2008

IV

Passaram
muitas marés
e ainda assim
gentes curiosas
continuaram a vir
até à nossa praia
Torneios, partidas
postais e souvenirs
tatuagens e
mulheres-peixe
varriam próximos
o areal.

05 novembro 2008

Porto Marítimo de Alcântara


Esta petição e um texto que a secunda parecem fazer sentido. E não é só por gostar de ver os contentores empilhados junto às margens do Tejo.


Pela defesa do Porto de Lisboa, do emprego, do ambiente e do desenvolvimento sustentável da cidade.
O Porto de Lisboa e as actividades que dele dependem empregam cerca de 140.000 pessoas e representam cerca de 5% do PIB regional e 2% do PIB Nacional. Trata-se, por isso, de uma estrutura económica de importância vital para Lisboa e para o bem-estar dos seus cidadãos, sendo também uma peça estratégica do sector portuário nacional sem a qual seriam alguns portos estrangeiros os grandes beneficiados.
É por isso que todas as grandes cidades ribeirinhas europeias não dispensam, antes desenvolvem, os seus portos comerciais. Barcelona, Valência e Vigo são apenas alguns exemplos mais próximos.
Eliminar os terminais para contentores que são transportados por navio, obriga trazer esses contentores para Lisboa a partir de outros portos, o que implica, por um lado, um acréscimo de custo do transporte, (com reflexo nos preços dos produtos, que se estima em cerca de 20%) e, por outro, um aumento do congestionamento, sinistralidade e desgaste das rodovias, a que acresce um impacto fortemente negativo para o ambiente.
A protecção da cidade e o respeito pelos seus cidadãos é um objectivo de todos, que é alcançável com um equilíbrio saudável e desejável com a imprescindível actividade económica que hoje, e desde sempre, é uma realidade na cidade de Lisboa.
Expressões como:
● "Uma pilha de quatro contentores equivale a um prédio de 10 andares", como se 10 metros fossem equivalentes a 31 metros;
● "Não faz sentido movimentar contentores na baixa de Lisboa", como se Alcântara ficasse no Rossio;
● "A taxa de utilização do terminal de Contentores de Alcântara é baixa" o que não é verdade. O terminal está a atingir o ponto de saturação;
● "Não faz sentido manter um terminal de contentores, quando se vão realizar urbanizações de luxo em Alcântara, aqui até podemos ver a alternativa desejada por alguns.
Comprovam claramente o nível da informação propagandeada a respeito deste assunto.
Não podemos ser meros espectadores dessa irresponsabilidade, nem pactuar com a desinformação que existe em torno do tema.
Vastas áreas da zona ribeirinha estão ainda pouco aproveitadas e podem ser convertidas em locais de lazer e recreio, a juntar ao muito que já existe. A economia marítimo-portuária de um país virado para o mar não é impeditiva destes objectivos.
Não vamos permitir que uma das infra-estruturas mais importantes para o desenvolvimento e sustentabilidade da cidade e do país sucumba ao populismo irresponsável. Vamos lá assinar a petição, pela defesa do Porto de Lisboa e da cidade, do emprego e do ambiente, contra a demagogia!

Para assinar a petição

imagem de Vasco Pitschieller




acredito que a AGEPOR, e como Entidade Representativa de um importante sector de actividade, deveria intervir de forma mais visivel e participativa nas "discussoes" actuais acerca do futuro do Porto de Lisboa e esclarecendo de forma activa todos aqueles que "falam..falam..." mas que infelizmente na grande maioria das intervençoes nao faz a minima ideia do que esta efectivamente a dizer.
infelizmente tenho assistido (embora pouco pois efectivamente o "trabalho aperta") a algumas intervençoes em que se fala de "paredes, muralhas de contentores" "de tsunamis de carga e camioes" e se procura passar a mensagem que de facto na zona ribeirinha o que interessa eh de facto criar mais restaurantes ... refeiçoes com preços na ordem de 30/40 euros media .... os chamados "restaurantes populares para a actividade ludica da populaçao lisboeta, e assim como os bares/discotecas que com os seus horarios de funcionamento entre as 22:00 / 03:00-04:00 constituem igualmente uma mais que necessaria opçao de divertimento cultural para os Lisboetas que tem de iniciar a sua actividade profissional pelas 08:30/09:00 hrs.......ou igualmente a primazia que se deve dar para a utilizaçao do espaço ribeirinho de Alcantara para a construçao de edificios toponomicamente evoluidos e a "custos controlados" em que casais jovens com pequenos pedidos de emprestimo bancario de somente Eur 400.000,00/Eur 500.000,00 poderiam iniciar as suas vidas em comum em area junto ao rio.
sinceramente acredito que eh de facto tempo de a Agepor (porque nao criar quiosques de informaçao na zona ribeirinha) em que se explique que Lisboa necessita de um BOM PORTO com capacidade de movimentaçao de cargas e que isso em qualquer parte do Mundo eh sinonimo de riqueza para a Cidade, para o Pais e para as Pessoas e que coloquem no devido lugar os "papagaios....de papel" que chamam barcos aos Navios, que chamam paredes de metal ao posicionamento de contentores em parque, que falam de estarem risco "700 postos de trabalho ? - ainda nao consegui perceber o porque.", quando estamos a falar de uma actividade essencial para recebermos/exportarmos e transitarmos cargas....e que seguramente envolve mais de 70.000 Pessoas e cujo desenvolvimento/expansao permite criar mais postos de trabalho de qualidade (emprego estavel e com progressao......penso que ninguem acredita que trabalhar num bar ou servir as mesas seja de facto uma profissao com grande futuro e/ou em que as pessoas se revejam nela como uma situaçao de futuro...isto sem desprimor para a actividade de empregado de bar ou restaurante).
e de facto triste que continuemos a dar visibilidade mediatica a decrepitos comentadores .... a maior parte deles ainda vem do tempo do cargueiro com maquina a vapor ....ou mesmo do inicio da Epopeia dos Descobrimentos ....."os chamados velhos do Restelo...", e que nao exista um movimento coordenado do sector em que se explique efectivamente do que estamos a falar ..... ou entao efectivamente a riqueza de Cidades como Barcelona, Bilbao, Marselha, Antuerpia, Roterdao, Hamburgo, Gotemburgo, Copenhaga, Oakland, Sydney, Hong Kong etc etc etc eh completamente virtual e todos eles laboram num erro tremendo...o de manter/actualizar e aumentar os seus Portos.....de facto eh tambem um dos nossos problemas ... demoramos a aprender com as virtudes e os erros de outros..
um abraço e as minhas desculpas pelo tempo tomado mas acredito que eh altura de toda a Populaçao perceber o que esta em discussao na questao portuaria ou as pessoas preferirao ter mais bares, mais restaurantes, mais condominios de luxo ou de facto preferirao ter assegurado o futuro das geraçoes vindouras ?sinceramente penso que sera altura de criar o MOVIMENTO CIVICO DOS CIDADAOS PELO PORTO DE LISBOA pois com Terminais, Estivadores, Amarradores, Coordenadores, Companhias de Navegaçao, Agencias de Navegaçao, Transitarios, Alfandega, Despachantes Oficiais, Transportadores Rodoviarios, Transportadores Ferroviarios, Shipchandlers, Empresas de Manutençao e Reparaçao Naval, Rebocadores, Policia Maritima, SEF, etc. etc. acredito que jah existira suficiente Quorum para um interessante FORUM de discussao e clarificaçao.

Carlos Duarte


Carlos Manuel DuarteLisbon Branch ManagerS5 W.Med / Marmedsa / Projects
Marmedsa Agencia Maritima (Portugal) LdaAvenida D.Joao II, Lote 1.18.01Edificio Art's, Bloco B - 2 Andar - Sala C1990-084 Lisboa - Portugal
Tel (Switchboard) : +351 21 898 22 00

Tel Directo/Direct nr.: +351 21 898 22 42

Direct Fax: +351 21 898 22 48

22 outubro 2008

III

A rede
começou a ser tecida
com mil cuidados
usaram-se as cordas
de alaúdes
os fios de folha
de giesta
E, durante a jorna
miúda, minuciosa
foi vista a sereia
por três crianças pastoras
trazia óculos de natação
azul-bebé
e acenou-lhes
p`lo meio de mergulhos

17 outubro 2008

O Spectrum fez 4 anos

O meu blogue favorito fez quatro anos e vai fazer este sábado a primeira festa.

16 outubro 2008

II

Deram à costa
navios e barcaças
naufragados
um em que só
uma galinha se salvou
tudo, dizem
por conta do avistamento
Vieram homens do norte
aconselhar-nos a corvina
e o atum às postas
do sul também vieram
dizer-nos
que a pesca à rede
era a forma de escapar
à maldição
conquanto o animal
não sofresse mal algum.

13 outubro 2008

Para saberes que sou eu

I
Numa praia a ocidente
avistei a sereia
a cauda comprida
as escamas indigo
preparei os arpões
a lenha para o lume
e desde aí,
haja vagas ou calmaria
nem na praia nem no barco
houve mais sossego

12 outubro 2008

Chamem o Fukuyama

"Europa e EUA avançam para nacionalizações de bancos. " Público, 12/10/2008

Vitória vitória que não se acabou a história

09 outubro 2008

Nem menos nem mais direitos iguais

Amanhã é um dia histórico. Discute-se na assembleia da república a possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A moratória de Sócrates sobre o dever de voto na bancada socialista é obscena. Não tem outra palavra. E vem provar que os homossexuais são como qualquer outro ser, o primeiro-ministro é disso um vergonhoso exemplar. Não só sobre a sua opção em esconder para presumir uma eleição(que julgo uma presunção correcta) e mesmo a existência de uma vida política ( e sobre os efeitos nefastos de tamanha hipocrisia,não só na sua vida mas nas demais). Ainda que, no que nos diz respeito a todos, este não seja o seu pior crime. Se bem que esta ideologia dos hábitos e costumes não possa ou não deva ser separada das opções políticas, da mesma forma perniciosas, opacas, com falta de um empenho de coração, a falta total de uma ideologia. Se no plano genérico e económico é isso hoje tão facilmente reconhecido ao PS, amanhã quando os deputados deste partido votarem contra não é de outra coisa que estamos a falar. De qualquer forma não deixa de ser um dia importante para todos os homossexuais livres (e não só) deste país. Apesar de ouvir, como hoje no trabalho, que há assuntos mais importantes a tratar- como se a igualdade entre cidadãos fosse uma questão pequenina no contrato político a que estamos vinculados uns com os outros (Constituição?)- ou como se numa sociedade geradora de tantas desigualdades houvesse umas mais importantes do que outras (olha pá, n me importo que me paguemmenos que o meu colega por ser mulher porque há pessoas sem recursos para se tratarem nos hospitais públicos). As uniões de facto, ainda que consagrassem todos os direitos e garantias a que estão reservados os casamentos não seria suficiente para colocaras coisas no lugar. Porque a verdade é que as instituições sociais, como o casamento, configuram de forma simbólica o que uma sociedade tem como legitimado, e ao não legitimar, através do casamento ou da adopção, os casais do mesmo sexo, só estamos a afirmar que estes podem viver a sua vidinha desde que tuteladospor uma maioria silenciosa que norteia e normaliza empurrando para a sombra quem da sombra quer sair. Será preciso lembrar que não podemos viver em liberdade quando há pessoas na sombra

06 outubro 2008

Por um Museu da Liberdade


Foi pintado ontem na António Maria Cardoso. Um ensaio de um mural que deviamos ter nesse rua frente ao novo condomínio de luxo construído onde funcionou a sede da PIDE/DGS, já que o esperado Museu da Resistência e Liberdade terá de se constituir noutro lugar. Juntei às ligações o link para o movimento cívico Não Apaguem a Memória.

04 outubro 2008

O líder das cabeça de martelo


Hoje, como vivemos numa sociedade bem diferente do que preconiza e defende gente não só igual mas próxima do PNR e demais gorgulho branco, Mário Machdo foi condenado apenas a 4 anos de prisão efectiva. Apenas porque o nosso sistema penal, e bem, assenta no princípio de que ao cidadão deve ser dada a oportunidade de errar ou não de novo. E de que uma pena de prisão não deve destruir a vida inteira de um individuo ainda que este possa ter destruido a de muitos. Porque uma condenação não funciona como uma remissão integral dos pecados. Se fosse Mário Machado e seus acólitos bem podiam apodrecer na prisão. Mas ainda bem que não vão. Porque a sociedade que queremos é não autoritária. Na sociedade que Mário Machado idealiza o seu destino mais certo seria acabar com um tiro na cabeça (bala cobrada depois à sua esposa, se ela não a tivesse facultado do arsenal caseiro). Na nossa, daqui a uns tempos vem cá para fora, vai às tardes da Júlia, vende umas reportagens para a revista Sábado ou/e jornal Sol e volta a apanhar mais 4 anos depois de ser apanhado em flagrante a destuir campas judias ou a partir uma loja na mouraria.

22 setembro 2008

Pouco ou nada é irrelevante

Clara Ferreira Alves escreveu este texto sobre a irrelevância de Cavaco Silva. Seria um texto interessante não fosse terminar daquele jeito que nos faz duvidar da natureza de tudo o que é dito antes. Ou não duvidamos e somente assumimos que Clara Ferreira Alves tem de ganhar a vida e é este o estilo que vende, o estilo dir-se-ia com crueldade. Ainda que Cabra Ferreira Alves tenha uma reputação belicosa e snob a defender, o que o texto concluí da origem socio-económico e geográfica do PR acaba por revelar-nos a enorme tacanhez e provincianismo da autora -sim, o provincianismo como descrito por Eça- o das vistas curtas- e com ele ignorar que a mesma pobreza política de Cavaco se encontra nos órgãos políticos dos grandes países europeus bem como nos apêndices ou órgãos nacionais (incluindo os órgãos de comunicação social), provando que a naturalidade de alguém é uma circunstância sociológica( e mais e mais) a ter em conta, e não um factor determinante para o que quer que seja. Se não fosse assim não seria a naturalidade e a formação cosmopolita de Clara Ferreira Alves suficiente para não ter visões tacanhas sobre centro/periferia, órgãos/apêndices, Boliqueime/Santa Comba/Covilhã/Cascais?



A irrelevância cavaquista

DESDE QUE o Presidente Cavaco foi eleito ainda não lhe ouvi uma palavra de jeito. O Presidente alinhava umas palavras em forma de discurso, soletra umas solenidades de circunstância, meia dúzia de lugares-comuns da sensatez e outras tantas banalidades, junta uma pitada de preocupação social e vago fervor patriótico, acrescenta umas generalidades institucionais e já está. Analistas políticos esparsos e à míngua de assunto e de política, desempregados de um regime sem ideologia, pragmático e material, que não pensa, não discute, não argumenta e apenas age e reage, tentam desesperados encontrar em Cavaco um pensamento, uma coerência ideológica ou, dada a necessidade de drama, uma ameaça.
Trabalhos ingratos porque Cavaco nada disto tem para dar. Nunca teve. A sua mediania coloca-o a salvo das grandes perplexidades contemporâneas e o seu desinteresse pela cultura política, ou outra, abrigam-no das interrogações que perturbaram Soares ou Sampaio, infinitamente mais cultos e mais cosmopolitas. Cavaco é o sucessor de Eanes sem a educação sociológica e histórica de Eanes. Ou seja, Eanes tornou-se um quase-intelectual com a passagem do tempo, e Cavaco permaneceu igual a si mesmo, modesto e frugal, limitado e deslocado, amarrado à âncora da sua ignorância. Cavaco detesta tempestades e mar largo, prefere porto seguro e águas calmas. Não seria o Presidente que eu quereria eleger, é o Presidente eleito. Tanto Manuel Alegre como Mário Soares teriam sido melhores Presidentes. Como dizem os cavaquistas conformados, Cavaco não tem mundo. O mal nem é este, o mal é que ele continua a não ter mundo. E o mundo não o tem a ele.
Daí os episódios paroquiais da viagem à Índia, com as queixas do "picante", ou as caricaturas de jornada onde Cavaco seja obrigado a descontrair e fazer humor. Não é o seu género. O seu género é a casa e a família, com umas incursões no país que ele genuinamente sente como seu, a seu modo. Um herói local. E um herói local incensado por um partido fundado por um homem forte e brilhante, Francisco Sá Carneiro. Um PSD que nunca encontrou substituto para o fundador e confundiu pequenas manifestações de autoritarismo e irritação com autoridade e carisma. O PSD inventou Cavaco: barões e intelectuais, bases e cúpulas, populistas e elitistas inventaram um chefe que foi rodar o carro à Figueira da Foz. Ele foi - de facto - rodar o carro à Figueira da Foz e o partido fez o resto. Faz lembrar um filme de Hal Ashby, adaptado de um romance de Jerzy Kozinsky, que conta a história de um homem simples e dado a pequenos aforismos, o jardineiro Mr. Chance, que ascende a Presidente dos Estados Unidos por um conjunto de circunstâncias. "Being There", ou "Bem-vindo Mr. Chance". É a obra-prima do grande Peter Sellers.
Passava-se aquilo num tempo em que Portugal e o mundo eram mais simples e da Europa escorria leite e mel. Cavaco administrou a fortuna misturando a parcimónia e o escrúpulo moral com a amoralidade e a rapina de negociantes políticos que ascenderam a milionários graças ao Estado. Foi um período de fartar vilanagem, e chegou para todos e para duas maiorias absolutas. O currículo académico de Cavaco, um economista mediano, ajudou-o num tempo em que começava o primado da economia sobre a política e em que o défice entrou no léxico nacional. Desígnio para o país Cavaco nunca teve, e plano para o famigerado "desenvolvimento" também não. Ninguém soube ou quis saber o que seria de Portugal daí a vinte anos porque a política portuguesa caracterizava-se pela miopia e o resultado eleitoral. O curto prazo. Pagamos hoje, duramente, as consequências desta ignorância. Sempre imaginei, academicamente, o que teria achado Sá Carneiro do seu sucessor.
O mundo entretanto mudou e o estatuto de Cavaco também. De primeiro-ministro activo passou a Presidente corta-fitas. É um lugar onde ele não faz o dano que faria como chefe do Executivo. As suas inexistências ontológicas continuam, com certa ternura, a mobilizar oráculos e análises com tanto rigor como a astrologia. Ler o desígnio de Cavaco é como ler o horóscopo. Interpretar o seu silêncio é como olhar para as estrelas. Um passatempo inofensivo que se tornou profissão. Os pequenos anúncios dos jornais estão cheios de sábios e professores que lêem o destino alheio. Inventaram a coabitação, como agora inventam o ódio. Nem Sócrates nem Cavaco têm a profundidade que os politólogos desocupados lhes querem atribuir. Embora Sócrates navegue em águas mais fundas que Cavaco. Por tudo isto, devo ser uma das pessoas que não sentiu irritação com o discurso de Cavaco sobre o estatuto político-administrativo dos Açores. É mais uma cena paroquial e uma anedota de Verão. Não estava à espera que ele fosse falar sobre o mundo complexo em que vivemos e vamos viver, com a perspicácia e a inteligência de um homem de Estado. Podemos tirar o rapaz de Boliqueime mas não podemos tirar Boliqueime do rapaz, dir-se-ia com crueldade. O Presidente Cavaco é um rapaz de Boliqueime e isso não é uma coisa boa. Nem má. É o que é. Num grande país europeu como a França, a Alemanha ou a Grã-Bretanha, Cavaco seria um apêndice, nunca um órgão político.



11 setembro 2008

Hello Champi



Leonor Beleza contava ontem no jornal2 que um dos projectos para a saúde da Fundação Champalimaud é um jogo para as crianças, com vírus e bactérias para irem matando, cujo herói se chama Champi (ou Champy ou Champee).

04 setembro 2008

O melhor texto do verão

Está no Spectrum.
Sobre crime, onda de assaltos, a economia e o incremente da produtividade nacional.

11 agosto 2008

universos simbólicos

"As origens de um universo simbólico enraizam-se na constituição do Homem. Se o Homem em sociedade é um construtor do mundo, isso deve-se à sua abertura constitucional para o mundo, o que implica já um conflito entre ordem e caos. A experiência humana é, ab initio, uma exteriorização contínua. O homem, ao exteriorizar-se, constrói o mundo no qual de exterioriza. No processo de exteriorização projecta na realidade os seus próprios significados. Os universos simbólicos, que proclamam ser toda a realidade dotada de significado humano e que apelam para o cosmo inteiro para dar significado à validade da existência humana, constituem as exensões mais alargadas desta projecção".
Berger, Peter L., Luckman, Thomas, A Construção Social da Realidade, Dinalivro, 2004.

01 agosto 2008

Pic 21

Nesse contexto de mundo início século 21, alguém ainda consegue imaginar um futuro com mais água doce; com um futuro com menos tédio em nossas lutas, unicamente, pela a sobrevivência do corpo (pois, jánem se fala mais do corpo e alma conjuntamente.)?Um dos exemplos do tédio a escala global é o tédio matutino que nos chega de Paris: O metropolitano de Paris pelas cinco e meia da manhã, numa das suas rotas, já se encontra abarrotado de pessoas trabalhadoras, como se fosse um ônibus (autocarro) no Brasil em horário de ponta, isto é, enlatados como sardinhas sem muita sorte navida. Se não bastasse, daqui a três anos, prevê que este tipo de«enlatamento» se verifique por outras rotas do metropolitano de Paris. Esse super «enlatamento» está a ocorrer muito por causa dos aumentos constantes do preço dos combustíveis verificados nesse ano de 2008. Muitas pessoas que iam para o trabalho de carro, já deixam de ir. A luta pela a sobrevivência é muitas vezes uma luta entediante. Ora se não acreditássemos num mundo mais justo, num mundo com mais água potável, estaríamos (a humanidade) a pensar somente em alcançar o dinheiro suficiente para dar respostas as necessidades de consumo que nos são impostas diariamente. Logo, ainda somos uma humanidade com princípios mentais poéticos.






Será? Caso não fôssemos optimistas perante o futuro o qual, certamente, nos aguarda com alguns problemas de falta de água doce, não verificaríamos tantas festas aos sábados à noite por esse mundo à fora, e com muita música dançante. É muita festa para um mundo Lar Terra bastante doente: sinais vitais do lar terra: pulso: a batida nuclear. Temperatura: Estranhíssima. Pressão: alta de todos os tipos, até parasermos festeiros. Respiração: Aonde está o ar puro? Níveis deconsciência: sem «rigor ingénuo»? Dilatação das pupilas: Assustadas com esse tédio cultural e nem só? »Rir as vezes é a única solução paranão se morrer de tédio» F. Divagação. Não, nada de pessimismo; faz mal para a saúde psíquica do indivíduo (ea tal questão factor dominó psicossomática).O mundo não se encontra, globalmente, num grande tédio artístico, num planeta com uma vida artística mediana, que enjoamos rápido com as produções que presenciamos (ao vivo, pela a Internet, pelo o rádio,pela a televisão…).Há as excepções que naturalmente, são naturais devido aos «vaientender» da vida.Vejamos o cinema que se faz hoje em dia, a literatura, a música… nunca na história da humanidade assistimos tamanha criatividade artística. Daqui a pouco, vamos (alguns) morrer de tanta alegria por poder viver numa época de tamanho dinamismo cultural. Julgo que já observaram que esse texto, de alguma maneira, começou terminado. Agora veremos se consigo, de uma outra alguma maneira, terminá-lo começando:«Com um binóculo que não encurta muito, continuei com muita fé, aolhar para o céu todo azulado com indicadores a sublinhar, sete e meiada manhã:- Não é possível! (de boca aberta). Na história do ser humano, o Sol pela a primeira vez se encontra na hora certa relativa a todo o relativismo fora desse tempo stressant a qual vivemos diariamente. O bicho Sol (para mim, todo ser vivo é um bicho). Existem bichos quepensam e há outros que não (é bicho porque se comunica através devida). O Sol é um dos bichos que pensam. O Sol sempre esteve adiantado relativo a mente humana. É por causa desse fenómeno que os seres humanos sempre estiveram correndo atrás do tal «tempo perdido». O serhumano é da classe que pensa e percebe quase nada relativo a quase tudo (sempre a viver num salve-se quem puder!).Silvaniria Que Não Consegue Namorar Uma Mesma Pessoa Por Mais de Três Dias (terminam as novidades, logo, tédio dos brabos.), perguntou-me:Frediz Divagação, o que você acha dessa minha natureza? É normal perante a sociedade discoteca e similares início século 21?- Sinceramente, não sei. Calha o acto sexual propriamente dito nessestrês dias? Se sim, a explicação era por causa do Sol ter se encontrado adiantado por tanto tempo, então, normal, visto que para a nova realidade, a adaptação é lenta. Então, tenha paciência e siga em frente. Se não calha o acto sexual, Silvaniria; deixa de ser um problema tediante para ser um problema muitíssimo entediante. Daí você tem queir mesmo a um médico especialista em Muitíssimo Tédio. Ao verificar que o Sol se encontrava nem adiantado e nem atrasado, fui ao café mais perto para ler no jornal o meu horóscopo: «Certos coisas nem sempre são fáceis de compreender ou explicar, apesar de ter razão. Boa viagem!».


Nesse mesmo dia, preparei a mochila e parti:Em Paris, estive com conceituadíssima filósofa de rua, Mari Vão que Eu Já Fui que desde que chegou de woodstok, vai dormindo pelas as pontesdo Rio Sena (o Rio dos Namorados)... lendo, dançando e tomando chá de cidreira sempre que Dedé da Vitória da Conquista-Bahia vai ao seu encontro (todos os dias. Não falha.).Em Bruxelas, estive com Josivaldo Palon, que não se rende a cultura nenhuma muito menos a sua. Em Lisboa, estive com Mário dos Pensamentos. O Mário acredita que aúnica solução para a Europa é a capital da CEE ser Vitória da Conquista-Bahia, Brasil. Vocês não imaginam como anda o PIBConquistense, como também a sua vida cultural.Passei entorno de oito meses a viajar. Quantos pensadores amigos encontrei por essa minha viagem. Todos os momentos foram muito bem fotografados em minha maquinaria cardíaca (diga lá se não tenho um pé no mundo da literatura erudita: muitas vezes, escrevo complicado coisas simples da vida. Isso quer dizer, muitas vezes vejo além da simplicidade das coisas, assim, muitas vezes sou um erudito. «A memória está directamente relacionada com um sistema cardíaco bem arejado. O resto é importante, mas puramente massa encefálica.». F.Divagação.).Entre outras, estamos todos nós (Filósofos Por Motivo de Força Maior por esse mundo a fora) unidos também nessa pegada visionária, futurista:Para 2055, teremos os seguintes Poderes Institucionalizados no Ocidente relativo aos critérios para a qualidade ou não de vida dos indivíduos a andar pelo o Lar Terra:

O Poder Legislativo;

O Poder Executivo;

E,
O Poder das Médias Académicas entre os 19,5 e os 20 valores em junção com o Poder das Cunhas, dos Apadrinhamentos. Já se vai embora aquele arcaico Poder Judiciário que conhecíamos.Como não faço parte dos que têm médias geniais e não tenho cunha nem mesmo para almejar dormida em albergues para os sem abrigos, vocês podem imaginar o futuro que terei, desempregado e sem muita assistência social. Mais do que nunca, lei da selva. No meio dessa esquisitice de início de século 21, ainda temos a vida propriamente dita (o que quer que essa espécie de fenómeno de crise permanente, seja.), que não pára de dar sinais que alguma coisa ainda é possível fazer por uma mundo melhor: as crianças.


Frederico Patasca,

Porto, início verão 2008, isto é 22.6.2008.

28 julho 2008

Um instante de liberdade

Cada instante de liberdade é preciso construí-lo e defendê-lo como um reduto. Representa um estado de esforço alegre e doloroso: alegre porque dá ao homem a consciência do seu valor, e doloroso porque lhe exige trabalho nos dias de paz e a vida nas horas de guerra. A escravidão é feita de descanso e de tristeza.
Teixeira de Pascoaes
não sei onde, cito uma citação

21 julho 2008

Zion Edições


[...] Na busca e recensão das explicações normalmente encontradas para a crise em que se encontra a economia mundial, de há umas décadas a esta parte, ficamos quase sempre com a ingrata sensação de estarmos permanentemente a reabrir portas, que apesar de aparentemente escancaradas, nos levariam ou a lado nenhum ou a sítios já conhecidos.
Temos assim, em primeiro lugar, as explicações que nos dizem que, em última análise, as causas das várias crises que o sistema tem atravessado (e esta também...) seriam sempre de carácter externo ao próprio sistema. Não, nunca por nunca, por causa da sua lógica intrínseca de funcionamento. Por exemplo, na crise de múltiplos contornos que agora vivemos com mais alguma intensidade, se sobem os preços de «tudo e mais alguma coisa» (designadamente dos cereais e dos combustíveis), a culpa é da China, onde se terá decidido, há uns anos a esta parte, que também eles queriam e tinham direito a níveis de consumo mais elevados. Aumenta a procura, logo, aumentam os preços e portanto
está tudo explicado. Teríamos então assim uma indesejada coexistência de desemprego estrutural (as deslocalizações...) com uma inflação resultante do aumento da procura (por parte dos chineses...), ficando portanto incólume e isenta de quaisquer responsabilidades a
lógica intrínseca do sistema capitalista. Vem de muito longe esta tradição de atribuir as culpas das crises do sistema capitalista a causas primárias que são supostas serem externasao funcionamento do próprio sistema [...].
Já no que diz respeito às ocorrências da crise ao nível de cada país, algumas explicações parecem ser de índole «internalista» (como é o caso da explicações monetaristas), mas em rigor acabam por ser também de carácter «externalista», na medida em que a culpa é facilmente (enfim, já não tanto...) atribuída aos outros (países). É o caso de algumas
explicações relativas às dificuldades de exportações por parte de países da Eurolândia. A culpa é da desvalorização do dólar, que faz com que as exportações cotadas em euros se tornem muito caras... A inflação que vamos tendo na Europa é por causa da «subida dos preços do petróleo». Os preços do petróleo sobem por causa da «guerra do Iraque». Tudo causas externas ao sistema. Se não fossem essas causas«externas», o sistema até que não tinha crises, a não ser de breves conjunturas.De entre as explicações para a crise de índole «monetarista»encontramos também aquelas que tendem a remeter as causas para os factores de decisão endógenos a cada país e depois, aí, para as alegadas ou verdadeiras indisciplinas orçamentais. No pólo oposto do combate ideológico (e científico...) pelo rigor ou
pertinência explicativa encontramos as explicações de carácter «marxista», «estruturalista» ou ainda de tipo «institucionalista». Em alguns destes casos encontram-se referências a fenómenos que estariam na origem das crises em geral e também desta em particular, nomeadamente o «acumular de contradições» ou o «bloqueio do sistema»...


Guilherme da Fonseca-Statter - Mecanismos de formação das crises económicas
Impacto no processo de acumulação

para continuar a ler em Shift, publicação online que acompanha e Monthly Review - edição portuguesa em Zion Edições

17 julho 2008

A liberdade só pode ser edificada sem interesses particulares e na base de nada

Vamos a uma parte polémica destas considerações, que eu acrescento, que é a de que a história, desde sempre confirma esta realidade do acontecimento. Ora o que é o acontecimento ? Em primeiro lugar ele diz-nos ( e todos concordamos com isso) que nada chegou ao fim nem chega (por isso Badiou cultiva o infinito que retira da matemática de Cantor, como coisa não teológica, mas autoconsistente e construtível). Se nada chegou ao fim tudo pode ainda ser inventado, quer dizer, não se trata de dizer como irá ser a alternativa de vida futura à democracia actual, mas sim que o acontecimento é inevitável (desde Spartacus que a política de emancipação se repete incessantemente).

Continue a ler Carlos Vidal sobre Alain Badiou no blogue de Augusto Seabra

15 julho 2008

Polítólogos



Nos últimos tempos têm sido presença nos media alguns politólogos (a maioria do ICS como é o caso do exemplo que trazemos). É a eleição de Ferreira Leite, é a estreia de Rangel à frente da bancada do PSD, tudo merece uma breve entrevista a um punhado de investigadores da política para saber a sua opinião. Eu imaginava que estes politólogos perdiam o seu tempo de uma forma mais estimável reconheço. Também estranho porque se substituem estas opiniões às de jornalistas ou demais comentadores com opinião. Parece uma operação de cleanização. No caso de Pedro Magalhães, ontem convidado mais uma vez a comentar uma sondagem (Católica) para o Jornal 2, a situação ainda é mais caricata. Não só organiza sondagens -critérios, perguntas, abordagens -como comenta e interpreta os dados a partir de uma sensação muito particular em intuição de sexto sentido?). Ex: Os portugues perceberam muito bem que esta crise se insere numa crise global (a crise do petróleo) e por isso sabem que este governo ou qualquer outro pouco ou nada pode fazer.

12 julho 2008

Era uma vez o Espaço


Lá em cima
há planícies sem fim
Há estrelas
que parecem correr
Há o sol e a Any[?] a nascer

Nós aqui sem parar
numa terra a girar

Lá em cima
há o céu de cetim
há cometas
há planetas sem fim
Galileu
teve um sonho assim
Há uma nave no espaço
a subir passo a passo
Galileu
teve um sonho assim

Lá em cima pode ser o futuro
a alegria
vamos saltar o muro
e a rir
unidos com um abraço
vamos contar uma história
Era uma vez o Espaço

lala lalalalala lalalalalal



Lá em cima
já não há sentinelas
sinfonia
toda feita de estrelas
uma casa sem portas nem janelas
É estenderes o braço e tocares o espaço

09 julho 2008

O futuro ainda é o que era

Fui ao Braço de Prata ver o colóquio Esquerda: uma política para o gosto? inserido na iniciativa 1001 culturas organizado pelo Miguel Portas. A ausência de Manuel Gusmão, justificada pelo monolítismo estéril que grassa pela direcção do pcp, e o atraso descontraído de 45 minutos, a dar a ideia de que estes encontros de fazem entre amigos, não augurava nada de bom. Não fosse a comunicação de António Guerreiro e nada de bom tinha de facto acontecido. Manuela Ribeiro Sanches apresentou um texto tão certo e redondo e generalista que podia ser lido num colóquio sobre alterações climáticas, alimentos trangénicos,a comunidade guineense em Roterdão ou a política de emigração da Europa. Apesar de António Guerreiro ter sido o único a trazer uma comunicação no âmbito do tema, propondo inclusive que este fosse alterado para uma política do gosto em vez de para ogosto, dados os mal entendidos que este para pudesse sugerir, ainda recebeu no final, por parte do moderador Miguel Portas e da outra conferenciasta a opinião de que o que tinha ali trazido sobre esquerda e direita na literatura era desprovido de interesse (interesse operativo no dizer de Portas). Disse Ribeiro Sanches, o que me interessa e o que é importante hoje são as migrações,o multiculturalismo, as relações com o Outro... Estes dislates permitem-me concluir ou ser levada a concluir que, longe de querer organizar um ciclo de debates e conferências sobre as 1001 culturas, Miguel Portas deveria ter organizado um ciclo de reuniões entre militantes e simpatizantes onde pudessem discutir as tácticas ou estratégias para a cultura (1001 novesforazero). Poupava os seus convidados ouvirem que o seu pensamento ou conhecimento não tem interesse e poupava umas quantas pessoas de irem ao engano.

20 junho 2008

Linha do Tua



Está na minha agenda há muito tempo fazer a linha de comboio do Tua. A 7 de Junho uma locomotiva descarrilou repetindo no mesmo local e com as mesmas características um acidente com menos de um ano. Coincidência haver desde meses antes um abaixo-assinado a defender a patrimonialização (e consequente manutenção e reforço da utilização da linha) contra o projecto de construção de uma barragem naquele sítio.. Deixo aqui o link para a petição e o link p o comunicado sobre o acidente do movimento cívico pela Linha do Tua.

15 junho 2008

geologicamente falando

é possível encontrar um conjunto de depósitos de aterro de idades variadas, que foram sendo aqui instaladas com a ocupação desta área da cidade, nas diferentes épocas históricas. A espessura é variável, muito embora não ultrapasse geralmente os 3m. Subjacente aos aterros encontra-se uma cobertura de materiais de origem aluvionar de espessura variável, que atinge um máximo de cerca de 50m no esteiro da Baixa e menos de 10m na zona do Rossio, onde se encontra a confluência da Ribeira do Rossio e da ribeira de Arroios. Estes materiais são de natureza diversa, sendo possivel encontrar lodos, areias, argilas e misturas destes três tipos litológicos. O substrato miocénico onde se encontravam encaixadas as linhas de água, que ocorre sob os materiais aluvionares,possui uma natureza igualmente diversa. É composto de diferentes formações, com o as "Areias da Quinta do Bacalhau", as"Argilas do Forno do Tijolo", os "Calcários de Entrecampos", as "Areólas da Estefânia" e as "Argilas e Calcários dosPrazeres". Poderemos,por isso, definir para esta área da cidade, três constituintes fundamentais da geologia local: 1.Aterros (materiais recentes); 2.Complexo aluvionar (Holocénico);3.Substrato miocénico.



De forma mais simplificada, estruturalmente, a região poderá ser considerada como um monoclinal, com inclinação de 6º a 10º para SE, dominado fundamentalmente pelas formações tabulares do Miocénico, que assentam sobre terrenos variados com idades desde o Paleogénico, o Neocretácico até ao Cretácico.

*imagem de Venus as a Boy

08 junho 2008

Congresso Feminista


Para acompanhar e participar, às mulheres e homens com tempo para tal, o Congresso Feminista, organizado pela UMAR mas com número muito alargado de parceir@s acontece no final deste mês em Lisboa. Viva as gajas, viva!
Este Congresso pretende constituir-se como um acontecimento de carácter científico e interventivo, englobando as/os principais investigadoras e investigadores do campo dos estudos sobre as mulheres, dos estudos de género e dos estudos feministas em Portugal, bem como das e dos activistas que, no terreno, se envolvem na luta pela transformação de uma sociedade hierarquizada e desigual, muitas vezes, colonizadora e predadora do mundo social e natural, contribuindo para a construção de uma comunidade de activistas e cientistas que defendem um mundo mais igualitário, onde o respeito pelos direitos humanos e pela riqueza cultural sejam metas a atingir na corrida contra a violência

Pergunta parva

A Festa do Avante, com mais de trinta anos de edições, e com a tradição que se lhe conhece, tem de encerrar os concertos, todos os anos, perto das 00h, independentemente de ter milhares de pessoas dispostas a ficar mais tempo (o que acontece invariavelmente). Faz isto porque é obrigada a cumprir regras de barulho observadas pelo município. Mas porque razão pode o Rock in Rio inundar a casa de milhares de gentes de barulho até às 3 e 4h da manhã durante 3 fins de semana? Não é que me incomode o barulho quando se trate de acontecimentos ocasionais, incomoda-me muito é que haja quem se comporte como se a cidade fosse sua, demonstrando ou deixando entender ter motivos fortes para o fazer.

30 maio 2008

Gasolina



Tenho sempre bastantes dúvidas em relação à eficácia deste tipo de iniciativas. Destas e dos abaixo-assinados. É tristemente enfadonho juntarmos o nosso nome a uma lista que será entregue a algum órgão de soberania e deixada aos bichos do papel a amarelecer dentro de um dossier arquivador negro. Uma imagem deprimente do exercício político que nos cabe por direito a todos. Com o folclore das assinaturas e do boletim de voto sancionamos de alguma maneira o sistema que impede o exercício de facto da cidadania, entendida como o governo da polis pelos seus cidadãos. Mas, no matter what, é sempre interessante assistir à tomada de consciência -ainda que no limite dos limites - da importância do poder dos consumidores. E esse poder faz efectivamente empresas mudarem políticas. Seria ainda mais interessante assistir à tomada de consciência de que o nosso estilo de vida -aquele que serviu de mote à invasão do Iraque -não pode continuar sobre rodas. Já que os povos da Europa não conseguiram impedir a(s) guerra(s) quando se juntaram nas ruas, podem ir mais longe para impedir todas as que seguirão. Ir mais longe só pode significar deixarmos de agir enquanto consumidores como cúmplices de um mundo impossível (e por isso só defensável pela via bélica).

11 maio 2008

GNR fora do Carmo

Faço parte das pessoas que não entendem porque está a GNR no Convento do Carmo. Muito menos que esse espaço se vá converter no Museu da GNR. Não que a GNR não deva ter quartéis e museus. Mas estamos a falar do coração da cidade. Estamos a falar do convento anexo à Igreja do Carmo, erigida pouco mais de 100 anos depois da tomada de Lisboa, da fundação cristã da cidade capital desde aí. Estamosa falar das ruínas que sobreviveram para nos contar também a história do terramoto. A GNR acode a alguém na cidade? E se acudisse, como a psp, era daquele imbricado do Carmo e Trindade que iria com o sues jipes chegar a algum lado? Porque está a GNR no Convento do Carmo? Para cerimónias oficiais? Elas não poderiam acontecer sem os chapéus de crina de cavalo? Para além do valor simbólico de fundação da cidade e do valor paisagístico e altaneiro da colina paralela à do Castelo estamos a falar também do valor simbólico do Convento e do Largo do Carmo no dia 25 de Abril. Afinal foi ali que o povo cerrou fileiras em torno das chaimites,foi ali que a ditadura oficialmente caiu. Quem a defendia naquele momento em Lisboa sem ser a GNR? Não deixa de ser ironicamente amargo que não haja um espaço museológico da resistência ao fascismo em Lisboa,nem no Aljube nem na António Maria Cardoso, e se vá musealizar o espaço onde se refugiou o poder em torno da história da polícia militar que o defendeu. O Convento do Carmo é demasiado valioso para ser oMuseu da GNR, e se isto não é demasiado evidente acrescento mais motivos em resgistos fotográficos feitos esta semana.






O sr. de azul esteve a retirar à pazada aquele monte de terra que o sr. de vermelho levou no carrinho para onde a vemos. Devem estar à procura de uma fuga, será?





A este local só tem acesso o pessoal da gnr ou quem faz a manutenção daquele espaço. Este local é um monumento nacional. A associação dos arqueólogos gere o museu das ruínas do Carmo (o que não deixa de ser caricato). No Museu ninguém sabia que estavam uns homens lá trás a retirar areia de mais de 2 metros de profundidade.





Ainda que se tratem de terras já removidas anteriormente é visível o pano de muro em alvenaria onde a pá andou a dar pancadinhas gentis. Se isto é a maneira como a GNR trata o património (e se não fosse só bastava olhar para aquela envolvência nas traseiras do monumento onde os turistas tiram fotos às milhentas) concluimos depressa como estará o Convento e de como a cidade respiraria melhor se a GNR saísse e, depois de recuperado todo o edifício, se encontrasse a função que melhor respeitaria o seu valor simbólico e a nossa memória .

05 maio 2008

Notícias do meu país#3

No balcão da segurança social no Areeiro (sede) lia-se: Os cidadãos-clientes deverão dirigir-se a tal e tal para informações relativas a pensões. E para um cafezinho? Bom, há uma máquina automática mas só serve clientes, para a bica a sério é preciso tornar-se cidadão e sair dali para fora.

02 maio 2008

entrevista a Nuno Rosa (pink boy)

Fala-nos dum projecto de sonho.
Falo de vários. Alguns dos quais já concretizados. Ser Miss Portugal; tocar na banda do Herman, ir à Gala dos Globos de Ouro; actuar depois do Quim Barreiros; desfilar na Moda Lisboa; produzir o próximo disco dos Delfins; remisturar o Abrunhosa; passar um Domingo chuvoso no Colombo; vestir D&G; ter um Jeep para andar na cidade de Lisboa; ter um telemóvel de última geração; comprar um jacto no Second Life; assistir a um remake da Vila Faia; assinar pela Vidisco; comprar casa na Alta de Lisboa; comer uma bifana no Rossio; passar férias em Quarteira.
na lecool desta semana

25 abril 2008

25 Abril de 2008

imagem retidada do blogue o sopro do coração
A capacidade de fazer escolhas foi-te transformando numa comezinha incapacidade de sobreviver. É difícil acreditar que há 34 se fazia Abril. Hoje, quando se conta o dinheiro para comer é mais fácil compreender como se dobra uma geração. Pois o que tudo na juventude pareciam possibilidades inúmeras, quando se sai da faculdade ou da casa paterna, ou da leira dos avós e é preciso pôr o pão nalgum cesto, as possibilidades vão encolhendo à medida do valor pago à hora por cada braço. Para piorar tudo isto, os bancos ficam com o resto que mexe. Despesas de manutenção, anuidade do cartão de débito, anuidade do cartão de crédito, imposto de selo, comissão de processamento (???), aumento da taxa de juro na Europa a estimular as renegociações de crédito com ganhos ainda maiores para o banco. É difícil de acreditar que o país seja isto. Se tenha tornado nisto. Não diferente do que corre pelo resto do mundo, mas bem pior que as expectativas e as capacidades que a conjuntura colocava há 30 ou 10 anos atrás.
Ontem fui à biblioteca nova da antiga faculdade. Construída no tempo em que estudávamos (o que nos valeu ficar sem ela quase três anos) com o dinheiro dos Quadros de Apoio. É fabulosa. É enorme. Mas como o V Império, as paredes da faculdade e da biblioteca são enormes para o que contêm. Não se vê gente, desaparecerem as mesas dos corredores, como se ver gente sentada a ler ou na conversa fosse um atentado à saúde e à circulação. Agora, como antes, veio um livro que não pedi e mesmo neste espaço fantástico os relógios continuam parados como no velho edifício. Para que não nos esqueçamos do nosso mítico destino de partir ou ficar aqui a ouvir fado.
Para celebrar de uma forma justa a data tinha planeado tentar partir a montra de um banco à vinda para casa. Não cheguei a tentar porque tive de fugir de um bando de miúdos que andava a roubar de esticão na Avenida.

20 abril 2008

Maio de 68 a Canja Laranja

Continuamos no automóvel, continuamos a trabalhar. Ainda não passa das oito horas, a temperatura se encontra pelos 10 graus centígrados com belo sol e quase sem nenhuma nuvem no céu. Ao encontramos com o Canja que também já se encontra na aventura laboral de todos os dias, peço informações preciosas: Tá tudo? – O notável portuense da gema responde: Tá tudo! Tudo Canja Laranja! Com os outros companheiros de trabalho, não paramos para o cumprimento matutino. A dinâmica do trabalho não dá para tanto. Mas com o Canja,impossível não pararmos.- Até amanhã. – Digo rindo. E qual alma não sorri para o Canja?!O Canja retribui o nosso último cumprimento (separação momentânea. Amanhã nos encontraremos novamente.), sempre da mesma maneira, sorrindo e a acenar com mão: «Canja Laranja!». O cara, o gajo é muito gente boa, Ou! («A gente não faz amigos,reconhece-os». W. Shakespeare.).
Universidade. Uni Ver Sidade.«Ouvia» – por volta dos 10 anos de idade – os estudantes universitários (aqueles que o meu meio ambiente me permitia nesta época ouvir. O que sempre serei sempre grato por estas audições.) apensar o mundo, a tentar avistar as cidades.) Algumas das minhas memórias da saudosa década de 70.O que eu observo (e quem não observa?) é que a grande maioria dos estudantes universitários de hoje em dia, estão, em vez de tentar pensar o mundo, em vez de tentar avistar cidades – ao contrário do bom senso filosófico Socrático -, estão é a tentar enxergar as suas futuras contas bancárias pós-diploma-na-mão. – Desta forma, encontramos uma certa ilustração prosaica: para um poeta andarilh ofrancês (e não só.) - habituado a ler todos os dias -, essa grande maioria dos estudantes é motivo de chacota. Portanto, compreendemos bem o sentimento do «andarilho leitor». Uma competitividade selvagem entre eles que só vendo, Janes Joplin (o Brasil não esquece quando, em 1970, você esteve no Rio de Janeiro. Cantou em um Bordel e foi expulsa do Copacabana Palace. Pois, aqui transmito a saudade que todos nós brasileiros temos de você!)! Janes, temos ou não temos razões para, ao pensar o futuro, coçarmos acabeça?!«A História é a Economia em acção». Karl Marx (Economista, filósofo esocialista alemão). Como é grande a pressão que os estudantesuniversitários sentem hoje em dia…Estudantes universitários que se movimentam, cada vez mais, pressionados nessa especialização medonha (horripilante) – inevitável nos dias que correm? Eis o tema. É que eu (contribuidor financeiro) – Brasil: Número de Contribuinte:Talvez noventa e cinco milhões e tal. Em Portugal, talvez Seis milhõese tal. - sinto que alguma coisa não vai muito bem no mundo académico nesse nosso início de século XXI digital (tocou, foi! Assim como um beijo acelerado, assim como um rápido prazer.): só os dois melhores , vingarão no mundo profissional? E os restantes a depender dos tais contactos pessoais? (Mais um paradoxo: num mundo tão competitivo como o nosso, «cunha» não quer dizer eficiência profissional. Portanto, a empresa que contracta «cunha», está a colocar a vida de sua empresa em risco.). Estudantes universitários sentem que não têm tempo para ler qualquer tipo de literatura que não sejam as das suas especializações (mesmo assim, exclusivamente curricular). É que, julgo, pensar o mundo, tentar enxergar as cidades, requer uma certa dose de audácia. Multidisciplinar (um trabalho multidisciplinar crítico (não ingénuo),diz respeito a inúmeras interacções e interferências, e portanto é sinónimo de complexidade.).Ora, vivemos, mais do que nunca, numa sociedade muito complexa e em evolução-digital (dia-a-dia em «velocidade digital»: Tocou, foi! Comoum beijo rápido e de pouco prazer.). Como pensar o mundo de maneira humanista neste formato académico actual? Como tentar enxergar cidades nesta especialização sem margem para um pensamento académico Multidisciplinaridade Humanista?E agora, meus amigos? Nos amanhãs, serão eles, os estudantes universitários de hoje, que nos governarão; tanto nas questões públicas, como nas questões privadas. Um outro facto curioso que eu acho é que na década de 70, quase que não encontrávamos estudantes com famílias com pouquíssimos recursos financeiros a estudar nas universidades públicas, tanto no Brasil como aqui em Portugal. Agora que celebramos a conquista desta tão antiga e suada reivindicação democrática, as coisas andam desta maneira (estadoletárgico?). Dá o que pensar. Será qual o motivo? Ou não será tanto assim? Estarei a enxergar coisas onde não existe? É um assunto bastante complexo, e tal complexidade só poderá ser respondida,obviamente, com uma certa dose de multidisciplinaridade. O enigma académico torna-se maior, quando observamos alguns professores que só transmitem aos alunos o que decoram (do Imitar do Copiar de maneira simplesmente irracional) durante as suas vidas lectivas não profissionais. Quantos são os professores que passam a metade de suas vidas na escola, na universidade e o grande resto do tempo que lhes restam, em frente da televisão: estes professores quando me encontram, normalmente, perguntam-me imediatamente sobre Literatura. Ora bolas, eu não compreendo necas de nada sobre literatura. O escritor existe para escrever e não para entender de literatura (isso, obviamente não implica que quem estuda literatura não possa escrever.).É na academia que é o local mais indicado para citar diariamente os escritores. Aqui fora, numa mesa de bar, o que devemos citar diariamente é a vida. O escritor não é a vida. O escritor é uma das realizações da vida. E citá-los obsessivamente numa mesa de bar é um fenómeno redutor perante ao que interessa objectivamente, a vida. O mais engraçado, o que tem mais piada nisso tudo para mim é que nunca me perguntaram sobre o F. Capra. O que eu responderia desta maneira:«Estou sempre de acordo com a junção da parte esquerda do cérebro coma sua parte direita: a junção do pensamento filosófico do Ocidente como pensamento filosófico do Oriente».Manifestamente, sabemos quantos excelentes docentes existem por esse mundo, como sabemos também que existem muito bons políticos. Uma coisa directamente ligada à outra: cem porcento de excelentes professores eum mundo menos injusto – uma simples metáfora sobre a importância dos professores em nossas vidas. Efeméride (vem mesmo bem a calhar): a assinalar os 40 anos do Maio de68 (Em Maio de 1968 e também ao longo de todo esse ano, o mundo assistiu a generalização de um levantamento no qual, mais do que os regimes e os governos, eram postos em causa os aparelhos políticos, as formas da vida quotidiana, os sistemas interligados do ensino e do trabalho, o sem-sentido da existência esmagada pela a rotina.),encontro um dos escritos do médico e pensador francês que muito contribuiu para o movimento, Jean Carpentier: «gosto de captar e de gozar imediatamente um olhar, um sorriso, um gesto, uma palavra que ainda não estejam emporcalhados, comercializados pelos cálculos racionais (controlo de si próprio, o «que-hão-de-dizer», a angústia do futuro e o resto… As imposições do sistema sociocultural). O que parte do coração é belo.». Em 1968, cantava-se«We want the wold and we want it now» Jim Morrison. E nos dias de hoje alguns muitos estudantes universitários estão a cantar «Nós queremos dinheiro, agora e sempre!»?Pois é, meus caros. E quem eu venho encontrar em minha vida, aqui no Porto, na Cidade Invicta: O Canja Laranja! Que, sem «especialização» e sem «multidisciplinaridade», vai resolvendo a sua vida sendo umverdadeiro poeta e conseguindo estar muito bem integrado no cotidiano urbano actual. Pois é, naquela mesma via que diz que viver é um estado paradoxal…O aprendiz de escritor:
- Mas Frediz Devaneio, eu sou sua namorada…
- Não. Nós somos grandes amigos e com umas histórias sexuais pelo omeio. Temos que ter consciência que as nossas histórias sexuaispoderão um dia terminar. Mas a nossa estima, nunca.
- Ah é?! Então está tudo acabado entre nós!...
- Pronto! Sou o seu namorado!....
- E sobre aquele teu novo projecto?...- Não se preocupe com isso! Coisa quente, Maria do Carmo, quentíssima,quentíssima mesmo, Maria do Carmo! Coisa grande, coisa de gente grande, Maria do Carmo! Desta vez, vai! Estou mais do que muito confiante desta vez, não vai falhar, deixa comigo! Realidade de 500,550 mil libras! É mesmo um colosso de projecto! Nunca tive um projecto tão bom em minha vida e olha que bons projectos é coisa que não faltanesta minha vida de músico e escritor azarado…
- Hum…
- Não? Você vai ver! Essa nossa jantarada de 5,50 com o vinho e o café já incluído, logo logo, vai acabar, Maria do Carmo! Coisa quente mesmo, tou falando, projectão internacional! Daqueles de Multinacional na história e tudo mais....
- Hum…
- Pronto! Se não der 500, 450… sei lá, uns cinquenta mil vai, isso eu garanto garantido! Daí, já vou ter mais tempo em pensar em um outroprojectão!...
- Hum…
- Cinco, quatro mil?!...- Hum…- Mil euros?!
- Hum…- 150 euritos e não falamos mais nisso?!
Nós que nascemos no Ocidente, somos de uma maneira ou de outra(aspecto cultural), não tem volta a dar, cristãos. A cultura está aí todos os dias e ai de quem andar pelado pela a rua! Eu que já fui índio um dia, digo-te, meu: Andar pelado, nu com a mão no bolso pelas ruas desse mundão, hospital psiquiátrico! Ah, mas na hora! É um tal de preconceito, aversão a índio que só vendo. Ah pois é, mas não sou bobo, não! Sei que xenofobia dá processo.Portanto, quero ser indemnizado pela a nossa cultura! 500 mil libras e estamos conversados.
Frederico Patasca

17 abril 2008

Lena d`Água e blogues



Os anos 80 foram uma piroseira danada. Ainda por cima andava tudo em folia adormecida como se o mundo se tivesse transformado numa hipótese viável. De qualquer forma é bom regressar a quase toda a música - não só pelo regresso natural à infância/origens/queijinhos frescos- mas porque, agora como na altura, queremos esquecer as viabilidades encurraladas.

Juntei à doce Lena d`Água mais alguns blogues, a Espuma dos Dias, com quem partilho o amor por Vian, por Dagerman e por Cossery, e alguns amigos que saúdo. O keroppy, o pivôt, o Major Tom.

15 abril 2008

Notícias do meu país #2


A remodelação das estações de Roma e Alvalade faz-nos acreditar. Esperemos com alegre expectativa o que está reservado aos pobres da Linha Verde, Intendente, Anjos e Arroios.

11 abril 2008

Notícias do meu país

Uma pessoa licenciada em História, estudante de mestrado na área, obtém nota inferior a 9,5 na avaliação curricular para um concurso de Técnico Superior de História-Estagiário na Câmara Municipal do Barreiro. (concurso 04/07 actas homologadas em 26 de Março de 2008). Se somarmos alguma experiência à pessoa deste exemplo só nos resta perguntar de que planeta virão os fantásticos aprovados a passar à prova de conhecimentos.

05 abril 2008

Ainda o eterno retorno #2

"... A história secular repete-se a si mesma, e a única narração em que têm lugar acontecimentos únicos e irrepetíveis é aquela que começa com Adão e Eva e termina com o nascimento e a morte de Cristo. Assim sendo, os poderes seculares aparecerão e entrarão em declínio, tal como no passado, e assim sucederá até a fim do mundo; mas esses eventos mundanos não trarão consigo a revelação de nenhuma verdade fundamental, pelo que um cristão não deve atribuir-lhes especial significado. Em toda a filosofia verdadeiramente cristã o homem é "um peregrino sobre a terra", e este facto por si só é suficiente para o isolar da consciência histórica própria do nosso tempo. (...) Nós, hoje em dia consideramos, por outro lado, que a história tem por fundamento a consideração de que o processo, na sua própria secularidade, conta por si mesmo uma história, e que, as repetições, num sentido restrito, não são possíveis.
(...)
Aquilo que é decisivo no nosso sistema não é o facto de o nascimento de Cristo surgir agora como o ponto de viragem na história mundial, pois isso havia sido reconhecido séculos antes e com uma intensidade ainda maior, sem que daí tivesse resultado um efeito similar na nossa cronologia; decisivo é que agora, pela primeira vez, a história da humanidade se estende ao mesmo tempo por um passado infinito, no qual podemos investigar sempre mais longe, e por um futuro igualmente infinito. Esta dupla infinitude de passado e futuro elimina todos os conceitos de começo e de fim da história mundial estabelecendo a humanidade numa mortalidade terrestre potencial. Aquilo que à primeira vista parece ser uma cristianização da história mundial, na verdade, elimina da história secular todas as especulações religiosas sobre o tempo."
Hannah Arendt, Entre o Passado e o Futuro -
Oito exercícios sobre o Pensamento Político
Lisboa, Relógio de Água, 2006

29 março 2008

Rosa Luxemburgo três passos à frente



É desconcertante o confronto com um texto de Rosa Luxemburgo escrito em 1904 sobre questões de organização da social-democracia russa, em parte comentando textos de Lenine sistematizados em Um Passo em Frente, Dois Passos Atrás. Desconcertante e esmagador porque a leitura de Rosa Luxemburgo sobre o centralismo democrático defendido então por Lenine, e dos perigos que essa defesa podia vir a constituir, seria uma leitura simples se feita após a implementação do Estalinismo, ou ainda mais fácil se estivessemos a 80 ou 90 anos da Revolução Russa. Mas não, estamos a mais de dez anos dela acontecer o que transforma a análise de Rosa Luxemburgo numa extraordinária clarividência.



"(...) O problema da qual a social-democracia russa trabalha há varios anos, consiste precisamente passar dum primeiro tipo de organização (organização dispersa, de carácter local, composta de círculos completamente independentes uns dos outros, e adaptados à fase preparatória, essencialmente propagandística, do movimento) a um novo tipo de organização, tal como o exige uma acção política de massa, homogénea, em todo o território. Mas, como o traço mais saliente das velhas formas organizacionais, tornadas insuportáveis e politicamente caducas, era a dispersão e a autonomia total,a soberania das organizações locais, era natural que o centralismo democrático se tornasse palavra de ordem da nova fase, do grande trabalho de organização em preparação.(...)

Mas em breve, no próprio Congresso e mais ainda depois do Congresso, se tiveram de convencer que o centralismo é apenas um termo bombástico que está longe de abarcar o conteúdo histórico e as características do tipo de organização social-democrata. Uma vez mais se provou que é impossível encerrar numa fórmula rígida as concepções marxistas do socialismo, seja em que domínio for, mesmo nos das questões de organização.(...)
Basta dizer que, segundo as teses de Lenine, o Comité central tem por exemplo o direito de organizar todos os comités locais do Partido e, por consequência, de nomear os membros efectivos de todas as organizações locais, de Genebra até Liège, Tomks e Irkoutsk, de impôr a cada uma delas estatutos particulares acabados, de decidir por um acto de autoridade a sua dissolução e a sua reconstituição, de modo que ao fim e ao cabo, o Comité central poderia influenciar indirectamente a composição da suprema instância do Partido, o congresso. [qualquer semelhança entre este parágrafo e a actual direcção no PCP não é mera coincidência]. Assim o Comité central é verdadeiramente o núcleo activo do Partido, e todos os outros grupos não passam de órgaos executivos.(...)
Do ponto de vista das tarefas formais da social-democracia como partido de combate, o centralismo na sua organização surge a priori como uma condição; da sua realização dependem em proporção directa a capacidade de luta e a energia do Partido. No entanto, bem mais importantes do que o ponto de vista das exigências formais de qualquer organização de combate são aqui as condições históricas especificas do combate proletário. O movimento socia-democrata, é, na história das sociedades fundadas no antagonismo das classes, o primeiro que conta, em todas as suas fases e em toda a sua marcha, com a organização e com a acção directa e autónoma das massas. Sob esta relação, a social-democracia cria um tipo de organização totalmente diferente da dos moviments socialistas anteriores, como por exemplo os de tipo jacoino-blanquista. (...)

Para Lenine, a diferença entre a social-democracia e o blanquismo limita-se ao facto de que há um proletariado organizadoe impregnado por uma consciência de classe em lugar de um punhado de conjurados. Esquece que isso implica uma revisão completa das ideias sobre a organização e consequentemente uma concepção completamente diferente da ideia do centralismo, assim como das relações recíprocas entre a organização e a luta.(...)




Em todos estes casos se pode dizer: no princípio foi a acção! (...) Nas suas grandes linhas, a táctica de luta da social democracia não pode, em geral, ser "inventada"; ela é o resultado duma série ininterrupta de grandes actos criadores da luta de classes muitas vezes elementar, que procura o seu caminho.O inconsciente precede o consciente e a lógica do processo histórico objectivo precede a lógica subjectiva dos seus protagonistas. Nisto o papel dos órgaos dirigentes do Partido socialista reveste numa larga medida um carácter conservador:como o demonstra a experiência, cada vez que o movimento operário conquista um novo terreno, esses órgãos trabalham-no até aos seus limites,mas transformam-no ao mesmo tempo num bastião contra progressos ulteriores de maior envergadura.(...)
Se a táctica do Partido povém não do Comité Central, mas do conjunto Partido ou-melhor ainda- do conjunto do movimento operário, é evidente que as secções e federações necessitem dessa liberdade de acção indispensável para permitir utilizar todos os recursos duma situação e desenvolver a iniciativa revolucionária. O ultra-centralismo defendido por Lenine aparece-nos como que impregnado, não por um espírito positivo e criador, mas pelo espírito estéril do guarda-nocturno. Toda a sua preocupação tende a controlar a actividade do Partido, e não a fecundá-la;a apertar o movimento mais que a desenvolvê-lo, a jugulá-lo, não a unificá-lo.(...)E, finalmente, digamo-lo claramente entre nós: os passos em falso dados por um movimento operário realmente revolucionário, são, historicamente falando, incomensuravelmente mais fecundos e mais preciosos do que a infalibilidade do melhor "Comité central".
artigo publicado em Die Neue Zeits (nº 42 e 42) Alemanha, 1904.
Centralismo Democrático, selecção e tradução de Rui Namorado, Temas, 1971.



20 março 2008

Deolinda


Para o fim de semana prolongado, para quem não vai para o Brasil nem para Nova Iorque, fica uma música do novíssimo álbum de Deolinda.


15 março 2008

12º Livro à Quarta

Tentei descrever esta região do Mariotis tal como é no início de Março, quando a terra desenvolve o seu grande esforço. Dentro de poucos dias o vento poderá arranhar e arrancar as flores, dentro de poucas semanas o sol irá queimar as folhas. A vegetação vermelha e esponjosa das maravilhas resiste mais tempo e torna os montes mais roxos. Também isto irá secar e voltarão a aparecer as manchas do calcário. Depois ficará tudo mais calmo até à primeira chuva do Inverno; vêm então os camelos para arar a terra. Marca-se um rectângulo no solo e espalham-se sementes de cevada. Depois o camelo anda para cima e para baixo arrastando atrás de si um arado de madeira que parece um canivete meio aberto, e o beduíno, guiando-o, cantará melodias ao camelo que só a este pode cantar, pois na sua mente melodia e o camelo são a mesma coisa.
Forster, E.M.
Pharos&Pharillion uma evocação de Alexandria
Lisboa, Cotovia, 1992

13 março 2008







Lisboa perfumou-se toda. É à noite que se descobre o mistério. A Primavera em todas as árvores. Fiquei sem os meus favoritos há meio ano, ando a reecontrá-los aos poucos. Hoje fica aqui o site do Pedro Penilo.

09 março 2008

Qual é o problema da escola?

A escola pública formou a geração da Ministra da Educação bem como as gerações que sairam ontem à rua demonstrando que, apesar da Educação no nosso país não ter tido um único plano continuado nos últimos 3o anos (para além da sua universalização aos níveis do básico e o alargamento do ensino obrigatóro) e ter sido constantemente sovada com reformas e mais reformas sem que houvesse o discernimento de avaliar o seu resultado, ela não deixa de ser, perante o país das desigualdades profundas que galopam as últimas décadas, para além do mais importante esteio da democracia, uma sobrevivente vitoriosa. E não seria possível não fossem os professores. A classe profissional mais heterogénea, onde se encontram todas as áreas de formação, que se relaciona diariamente com aquilo que constitui o conjunto social do país. Não existe nenhuma realidade semelhante.
E quando, ontem, ao ouvir a Ministra falar em soluções fáceis, em soluções difíceis, em soluções soluções soluções, não consegui deslindar (nem ontem nem antes) qual é o problema ou os problemas que, no entender da Ministra reclamam soluções. Escapou a este governo-como pode ter escapado ao partido do governo que se debate na vida política há mais de 3o anos?- que as soluções se encontram depois dos problemas e não há ninguém no país que tenha maior património de reflexão sobre os problemas da escola pública do que os professores.
Isto é tão evidente como evidente é hoje que, com ou sem Ministra, as "reformas" impostas estão já a caminho do eco-ponto azul mais perto da escola.

06 março 2008

Maria Gabriela Llansol


Em boa hora me veio parar às mãos o primeiro livro que li de Maria Gabriela Llansol. Porque partem os poetas? Vê-los partir é especialmente difícil (como também disse alguém). E nos últimos anos temos visto partir tão caros e tão queridos. Abelaira, Eugénio e Sophia, o César Monteiro, o Prado Coelho, o Mário e o Pacheco e agora a Llansol. Perdoem-me todos os poetas idos e não lidos.