13 dezembro 2005

Assassinado

O sistema judicial americano e os seus actores assassinaram hoje mais um homem. Apesar de todos os esforços de milhares de pessoas, o governador exterminador não aceitou comutar a pena de Tookie, que morreu hoje barbaramente assassinado com uma injecção letal.

Sem culpa formada, sem julgamento justo, apesar de provas de inocência apresentadas. Com um texto que tem como base o testemunho de um outro condenado (que com a acusação teve a sua pena reduzida), Schwarzennegger recusou o pedido de clemência. Chega mesmo a dizer o assassino que, dado que a violência dos gangs continua, o trabalho de Tookie não resulta e não há portanto motivo para o manter vivo.

Não há provas de que Tookie tenha alguma vez morto alguém. Não sabemos se era assassino, mas sabemos do seu trabalho pela Paz.
Quanto a Schwarzennegger, não há qualquer dúvida de que é um assassino, a prova foi redigida pela sua própria mão quando mandou executar a pena de morte.

Na prisão onde Tookie foi executado estão 651 homens à espera de morrer.
Um Estado carniceiro não pode reivindicar Democracia!

7 comentários:

J. disse...

E como alguém disse hoje, fez mais pela violência a filmografia do governador musculado que a história de um gang juvenil.
Prendem um homem por 24 anos e no fim matam-no.

Helena Romão disse...

Ainda bem que dizes isso. Eu ía dizer, mas depois lá ficava mais um daqueles meus posts gigantescos...

Ant.º das Neves Castanho disse...

Concordo plenamente, com uma reserva: é abusivo e incorrecto, ainda que involuntariamente, falar de "sistema judicial americano".

Convém precisar que a pena capital só está em vigor numa minoria dos Estados norte-americanos, apesar de serem alguns dos mais ricos e populosos (como a Califórnia).

"Rigueur oblige..."

Helena Romão disse...

Ok, tens razão, A.Castanho. Mas não é verdade que a Constituição Americana é a lei máxima do país e de todo o sistema judicial, abrange todos os Estados e permite a pena de morte?

A nossa não permite. Mesmo que, por exemplo, o AJ Jardim quisesse a pena de morte na Madeira, o nosso sistema judicial não permite que mesmo o Presidente da Região Autónoma e o seu Parlamento decidam uma coisa destas.

Ant.º das Neves Castanho disse...

Sim, claro. Nenhum Estado norte-americano é obrigado a adoptá-la, mas qualquer um a pode adoptar.

A verdade, contudo, é que a maioria dos Estados NÃO a tem. Isto só para reflectir sobre os riscos da generalização de tudo o que é americano.

A América é uma Babilónia. Apontar baterias contra a América e os americanos é, quanto a mim, um erro grosseiro e injusto, que não levará a lado nenhum.

A prova é que cada vez há mais anti-americanismo e a América não pára de se fortalecer.

A atitude mais inteligente, quanto a mim, é começar de vez a seleccionar e a isolar o que é verdadeiramente intolerável na América e a deixar o resto dela em paz e sossego. Assim, teremos na nossa luta todos os americanos que pensam como nós (e arrisco dizer que uma IMENSA MINORIA deles odeia o Bush ainda mais do que nós...).

E essa luta começa em casa! Sigam atentamente o Causa-nossa e o Aba da Causa (não sei hiper-ligar!...).

Helena Romão disse...

Mas, Castanho, eu falei do governador, do sistema judicial e do Estado. Não generalizei nada em relação aos americanos todos.

Ant.º das Neves Castanho disse...

Mas Helena, atenção às mensagens sub-conscientes: tu só querias falar disso, mas começaste logo por nomear o "sistema judicial americano", o que cria imediatamente uma generalização grosseira (admito que perfeitamente involuntária). Tás a ver a importância do "como se diz", que às vezes ultrapassa até o que se diz?...