Ora, uma escritora é uma mulher que exerce essa profissão, e já agora devíamos começar a dizer soldada mais vezes. Nós temos várias escritoras e não nos tem feito mal nenhum. Eles também têm, mas insistem em chamar-lhes "escritor" ou "senhora escritor".
Cá para mim, esta comparação é que é absurda, por dois motivos. Porque "feminizar" seria passar os plurais mistos para o feminino, obrigar os escritores a intitular-se "senhor escritora", etc.
É absurdo achar que o facto de admitir uma médica ou uma directora de qualquer departamento seja uma feminização. Feminiza o quê? A mulher que é médica? Ela já é feminina! A língua? Porquê, não deixa de haver "médico"!?
O facto de não existirem "escritora", "directora", "ministra", "professora" (ensino superior), "pintora", "doutora", "médica", etc., etc., etc., é não só absurdo, mas uma gigantesca demostração de machismo latente, cultural, impregnado na sociedade. Repare-se como todas se referem a profissões de algum prestígio social e hierarquia elevada. E como o acham natural, é um absurdo com tendência à perpetuidade.
Os franceses são muito zelosos (às vezes um bocadinho paranóicos) com a gramática da língua francesa e os anglicismos, mas tão permissivos nesta coisa do acordo de género, quando o género é feminino... A sacrossanta madre Academia Francesa encarrega-se destas coisas todas. É-lhes perfeitamente natural despedir-se à sexta feira com um sorridente "Bon weekend", mas chamar "professora" ou "doutora" às mulheres que a integram, nunca!
Não entendo. Pronto, que é querem, sou só uma mulher, estas coisas não são para mim, coitadinha, que tenho esta cabecinha de mulher.