...já o meu post se desactualizou. Mais um incêndio num prédio, desta vez nos arredores de Paris. Aparentemente as condições deste eram melhores, ou seja, não estava quase a cair.
Ainda assim foi fogo posto, parece que desta vez sem qualquer dúvida.
04 setembro 2005
E quem se lixa é sempre o mexilhão!
Cá ou lá, deste lado ou do outro do Atlântico, o racismo é sempre o mesmo.
Do lado de cá:
Não é uma coincidência que em poucos meses se tenham deixado arder três prédios onde viviam famílias maioritariamente negras. As causas estão, nalguns dos casos, por esclarecer inteiramente, mas uma é certa: não houve prevenção, os prédios não estavam em condições mínimas de habitabilidade (há muitos anos). E neles vivia gente muito pobre, sobretudo mulheres e crianças, a maior parte delas eram negras.
Os incêndios não eram previsíveis, mas o risco era sobejamente conhecido. Nada foi feito antes dos incêndios. Nada foi feito depois do primeiro incêndio em Abril. Nada foi feito após o segundo incêndio mais de três meses depois. Foram precisos três incêndios, todos com mortos, para o sr. Sarkozy perceber que tinha que fazer alguma coisa.
E é agora, com a aproximação do frio e da chuva, no dia do início das aulas, que o sr. Sarkozy resolve desalojar toda a gente e metê-los em bairros afastados dos empregos e das ecolas das crianças. Todos em situação provisória.
Nada está dito sobre o que se segue. Menos ainda para quem não esteja legalizado, mesmo que sejam pais de crianças francesas.
Do lado de lá:
Também não é coincidência que, perante as previsões do furacão, com alguns dias de antecedência, quem não teve meios para sair de New Orleans foram os mais pobres, quase todos negros. Aqui a questão da nacionalidade não se põe: são quase todos cidadãos dos EUA.
Sabia-se há muito que os diques estavam em mau estado, e que podiam romper em caso de tempestade. Sabia-se também que, na generalidade, quem não tem carro são os negros e são também eles que moram na parte baixa da cidade. Sabia-se que é uma área de tempestades tropicais e furacões. Soube-se deste furacão com vários dias de antecedência, da sua rota e da sua força.
Os brancos saíram quase todos. Os negros ficaram à espera do transporte que lhes foi prometido para fugirem ao furacão (antes do furacão).
Continuam à espera, os que ainda sobrevivem, mas agora de quem os salve das águas contaminadas, da falta de comida e de água potável, das doenças, do agravamento dos ferimentos, dos gangs criminosos. A primeira coisa que tiveram foi uma ordem dada à polícia para atirar a matar.
Mas não se apresse, sr. Bush. Cada um que morrer, sempre é menos um subsídio de desemprego a pagar.
Não se apresse. Cada um que morrer, é menos um doente a gastar dinheiro do seu Wellfare.
Não se apresse. Claro que os seus soldados são muito mais precisos no Iraque, a matar, do que em casa, a salvar. Não é óbvio, sr. Bush?
Não, sr. Bush, não se apresse. São só pretos. Nem sequer são bem pessoas, não é sr. Bush?
Fique antes em casa, durma descansado. Olhe-se bem ao espelho, sr. Bush. Se conseguir, sr. Bush.
E na ONU:
Se cumprisse o papel para que foi fundada, se não estivesse ao serviço dos interesses económicos de meia dúzia, impunha-se criar uma força de capacetes azuis para salvar as pessoas que estão retidas em New Orleans sem assistência. É uma emergência humanitária. Contra os poderes instalados, se preciso fosse. Não seria a primeira vez no Mundo, só seria a primeira vez nos EUA.
E no TPI:
É ainda assim irónico, para não dizer ilógico, que um tribunal esteja à espera da assinatura do criminoso para julgar o próprio criminoso. Quantas mais mortes, quantos mais crimes, quantas mais guerras, e em quantos mais países é que é preciso morrerem não brancos até este tipo ser parado?
Porra!
Do lado de cá:
Não é uma coincidência que em poucos meses se tenham deixado arder três prédios onde viviam famílias maioritariamente negras. As causas estão, nalguns dos casos, por esclarecer inteiramente, mas uma é certa: não houve prevenção, os prédios não estavam em condições mínimas de habitabilidade (há muitos anos). E neles vivia gente muito pobre, sobretudo mulheres e crianças, a maior parte delas eram negras.
Os incêndios não eram previsíveis, mas o risco era sobejamente conhecido. Nada foi feito antes dos incêndios. Nada foi feito depois do primeiro incêndio em Abril. Nada foi feito após o segundo incêndio mais de três meses depois. Foram precisos três incêndios, todos com mortos, para o sr. Sarkozy perceber que tinha que fazer alguma coisa.
E é agora, com a aproximação do frio e da chuva, no dia do início das aulas, que o sr. Sarkozy resolve desalojar toda a gente e metê-los em bairros afastados dos empregos e das ecolas das crianças. Todos em situação provisória.
Nada está dito sobre o que se segue. Menos ainda para quem não esteja legalizado, mesmo que sejam pais de crianças francesas.
Do lado de lá:
Também não é coincidência que, perante as previsões do furacão, com alguns dias de antecedência, quem não teve meios para sair de New Orleans foram os mais pobres, quase todos negros. Aqui a questão da nacionalidade não se põe: são quase todos cidadãos dos EUA.
Sabia-se há muito que os diques estavam em mau estado, e que podiam romper em caso de tempestade. Sabia-se também que, na generalidade, quem não tem carro são os negros e são também eles que moram na parte baixa da cidade. Sabia-se que é uma área de tempestades tropicais e furacões. Soube-se deste furacão com vários dias de antecedência, da sua rota e da sua força.
Os brancos saíram quase todos. Os negros ficaram à espera do transporte que lhes foi prometido para fugirem ao furacão (antes do furacão).
Continuam à espera, os que ainda sobrevivem, mas agora de quem os salve das águas contaminadas, da falta de comida e de água potável, das doenças, do agravamento dos ferimentos, dos gangs criminosos. A primeira coisa que tiveram foi uma ordem dada à polícia para atirar a matar.
Mas não se apresse, sr. Bush. Cada um que morrer, sempre é menos um subsídio de desemprego a pagar.
Não se apresse. Cada um que morrer, é menos um doente a gastar dinheiro do seu Wellfare.
Não se apresse. Claro que os seus soldados são muito mais precisos no Iraque, a matar, do que em casa, a salvar. Não é óbvio, sr. Bush?
Não, sr. Bush, não se apresse. São só pretos. Nem sequer são bem pessoas, não é sr. Bush?
Fique antes em casa, durma descansado. Olhe-se bem ao espelho, sr. Bush. Se conseguir, sr. Bush.
E na ONU:
Se cumprisse o papel para que foi fundada, se não estivesse ao serviço dos interesses económicos de meia dúzia, impunha-se criar uma força de capacetes azuis para salvar as pessoas que estão retidas em New Orleans sem assistência. É uma emergência humanitária. Contra os poderes instalados, se preciso fosse. Não seria a primeira vez no Mundo, só seria a primeira vez nos EUA.
E no TPI:
É ainda assim irónico, para não dizer ilógico, que um tribunal esteja à espera da assinatura do criminoso para julgar o próprio criminoso. Quantas mais mortes, quantos mais crimes, quantas mais guerras, e em quantos mais países é que é preciso morrerem não brancos até este tipo ser parado?
Porra!
Censura!
Há alguns anos que não haviam directos na televisão dos EUA por motivos de censura prévia. Ontem houve um quase directo, e foi o que se viu!
Felizmente os EUA não são "a maior Democracia" do Mundo, como se apregoa por aí... Ai de nós se fossem. Aliás, tenho cada vez mais dúvidas se serão, ainda que de longe, uma Democracia.
Felizmente os EUA não são "a maior Democracia" do Mundo, como se apregoa por aí... Ai de nós se fossem. Aliás, tenho cada vez mais dúvidas se serão, ainda que de longe, uma Democracia.
02 setembro 2005
Mais notícias da estrada... e do país
E neste país, já se sabe que notícias da estrada raramente são boas.
Cada vez que a Ponte 25 de Abril fica cheia, não consigo chegar a Alcântara! Parece um contra-senso, mas não é: a Avenida de Ceuta tem a meio um cruzamento onde fazem inversão de marcha os condutores que vêm de Alcântara e querem ir para a Ponte. E o dito até está bem feito, e funcionaria, se as pessoas respeitassem os outros (primeiro que tudo), as regras de trânsito e as caixas amarelas.
Mas não, nada disso! Quem faz inversão de marcha passa o sinal verde enquanto está aberto, apesar de ver claramente que não tem espaço nas faixas dedicadas à Ponte. A fila cresce atravessada no cruzamento e impede a passagem a quem está na faixa dedicada a Alcântara e se dirige (imagine-se!) para Alcântara.
Claro que o habitual é, sempre que o trânsito na Ponte está parado, a Avenida de Ceuta encher, às vezes quase até ao fim, o que faz cerca de 1,5 km de fila parada só e apenas por causa da porcaria de falta de civismo do pessoal!
E a Brigada de Trânsito? Raramente lá está. Mesmo muito raramente. De vez em quando lá aparece, mas é só para ver as vistas...
Pode parecer um pormenor quase irrelevante, mas eu estou cada vez mais convencida que o que falta realmente ao país é respeito das pessoas umas pelas outras. Enquanto cada um tentar ser o chico esperto (nas pequenas e nas grandes coisas) e safar-se sem pensar em mais ninguém, a coisa não sai da cepa-torta. Este exemplo é só uma pequena demonstração de como por causa de alguns chico/as esperto/as, há centenas de pessoas bloquedas sem conseguir passar durante horas.
Cada vez que a Ponte 25 de Abril fica cheia, não consigo chegar a Alcântara! Parece um contra-senso, mas não é: a Avenida de Ceuta tem a meio um cruzamento onde fazem inversão de marcha os condutores que vêm de Alcântara e querem ir para a Ponte. E o dito até está bem feito, e funcionaria, se as pessoas respeitassem os outros (primeiro que tudo), as regras de trânsito e as caixas amarelas.
Mas não, nada disso! Quem faz inversão de marcha passa o sinal verde enquanto está aberto, apesar de ver claramente que não tem espaço nas faixas dedicadas à Ponte. A fila cresce atravessada no cruzamento e impede a passagem a quem está na faixa dedicada a Alcântara e se dirige (imagine-se!) para Alcântara.
Claro que o habitual é, sempre que o trânsito na Ponte está parado, a Avenida de Ceuta encher, às vezes quase até ao fim, o que faz cerca de 1,5 km de fila parada só e apenas por causa da porcaria de falta de civismo do pessoal!
E a Brigada de Trânsito? Raramente lá está. Mesmo muito raramente. De vez em quando lá aparece, mas é só para ver as vistas...
Pode parecer um pormenor quase irrelevante, mas eu estou cada vez mais convencida que o que falta realmente ao país é respeito das pessoas umas pelas outras. Enquanto cada um tentar ser o chico esperto (nas pequenas e nas grandes coisas) e safar-se sem pensar em mais ninguém, a coisa não sai da cepa-torta. Este exemplo é só uma pequena demonstração de como por causa de alguns chico/as esperto/as, há centenas de pessoas bloquedas sem conseguir passar durante horas.
01 setembro 2005
Os assassinos da autoestrada
Eu tenho um carro pequeno, utilitário e óptimo para quem gosta de ir ao Chiado (sim, podia aqui discutir os transportes públicos, mas talvez fique para outra ocasião). O meu pai tem um carro grande, para viajar com a família.
Quando ando no meu carro (um "carro de «senhora»" como lhe chamaria qualquer machista atrasado) na autoestrada, assim que tento fazer uma ultrapassagem, aparece sempre um carro atrás a buzinar desenfreadamente, a mudar de faixa sem fazer sinal, e muitas vezes a fazer manobras impensáveis como colar-se à minha traseira (esta é diária), passar pela esquerda entre as duas faixas, mandar-se para cima de mim para me obrigar a sair-lhes do caminho e outros mimos fantásticos! Tudo porque não podem andar 30 segundos a 120km/h (bom, ok, às vezes um bocadinho mais...) antes de voltar à sua velocidade cruzeiro de 200km/h!
Não é a velocidade que me incomoda verdadeiramente. São as manobras e o tipo de coisas mortíferas que esta gente faz com os carros. Será assim tão complicado de perceber que a 120km/h, se eu tivesse que travar a fundo, aquelas alminhas não conseguiam travar as suas bombas nos 2 ou 3 m de distância que têm do meu carro? Bom, a meu ver, e se as coisas fossem chamadas pelos nomes, excepto nos dois primeiros casos (o de buzinar e o de não fazer sinal antes de mudar de faixa), esta gente devia ser julgada por assassínio na forma tentada. São estes pretensos "espertos" que matam centenas ou milhares de pessoas por ano nas estradas!
Bom, mas adiante. Quando conduzo o carro do meu pai (um "carro de homem" diria o palerma da autoestrada), mantenho a mesma condução e a mesma velocidade. O facto é que ninguém buzina, ninguém tenta fazer coisas esquisitas e muito pouca gente se cola à traseira do carro.
Falta só adicionar mais um dado. A maior parte das vezes, reparo que estes tais "palermas da autoestrada" são homens e os carros pertencem invariavelmente a duas ou três marcas, são carros grandes e caros.
Não quer dizer que só os homens conduzem mal, mas é uma constatação que tenho feito: este tipo de asneiras são mais masculinas. As asneiras que tenho visto de mulheres, são mais na cidade e a velocidades mais baixas. São geralmente menos perigosas e menos catastróficas quando dão para o torto.
É absurda a minha conclusão, mas é a única que me surge. Quando um palerma vê um "carro de senhora", atira-o para a berma e não lhe reconhece o direito de lhe estar a "roubar" a faixa e a passagem, só vê erros de condução em tudo o que o condutor fizer e a velocidade nunca lhe chega. O mesmíssimo condutor, a mesmíssima manobra num dos tais "carros de homem", e o mesmíssimo palerma que vem atrás já não vê asneiras por todo o lado, já não vê falta de velocidade, já não acha que o outro não tem o direito de conduzir ali.
E chamo-lhe absurda porque estamos no século XXI, porque andámos muito em matéria de machismo e de civismo, porque morre gente todos ou quase todos os dias nas estradas, e porque não compreendo como é possível haver gente ainda hoje com este tipo de pensamento.
Será falta de civismo, machismo primário, inconsciência ou tudo junto?
Quando ando no meu carro (um "carro de «senhora»" como lhe chamaria qualquer machista atrasado) na autoestrada, assim que tento fazer uma ultrapassagem, aparece sempre um carro atrás a buzinar desenfreadamente, a mudar de faixa sem fazer sinal, e muitas vezes a fazer manobras impensáveis como colar-se à minha traseira (esta é diária), passar pela esquerda entre as duas faixas, mandar-se para cima de mim para me obrigar a sair-lhes do caminho e outros mimos fantásticos! Tudo porque não podem andar 30 segundos a 120km/h (bom, ok, às vezes um bocadinho mais...) antes de voltar à sua velocidade cruzeiro de 200km/h!
Não é a velocidade que me incomoda verdadeiramente. São as manobras e o tipo de coisas mortíferas que esta gente faz com os carros. Será assim tão complicado de perceber que a 120km/h, se eu tivesse que travar a fundo, aquelas alminhas não conseguiam travar as suas bombas nos 2 ou 3 m de distância que têm do meu carro? Bom, a meu ver, e se as coisas fossem chamadas pelos nomes, excepto nos dois primeiros casos (o de buzinar e o de não fazer sinal antes de mudar de faixa), esta gente devia ser julgada por assassínio na forma tentada. São estes pretensos "espertos" que matam centenas ou milhares de pessoas por ano nas estradas!
Bom, mas adiante. Quando conduzo o carro do meu pai (um "carro de homem" diria o palerma da autoestrada), mantenho a mesma condução e a mesma velocidade. O facto é que ninguém buzina, ninguém tenta fazer coisas esquisitas e muito pouca gente se cola à traseira do carro.
Falta só adicionar mais um dado. A maior parte das vezes, reparo que estes tais "palermas da autoestrada" são homens e os carros pertencem invariavelmente a duas ou três marcas, são carros grandes e caros.
Não quer dizer que só os homens conduzem mal, mas é uma constatação que tenho feito: este tipo de asneiras são mais masculinas. As asneiras que tenho visto de mulheres, são mais na cidade e a velocidades mais baixas. São geralmente menos perigosas e menos catastróficas quando dão para o torto.
É absurda a minha conclusão, mas é a única que me surge. Quando um palerma vê um "carro de senhora", atira-o para a berma e não lhe reconhece o direito de lhe estar a "roubar" a faixa e a passagem, só vê erros de condução em tudo o que o condutor fizer e a velocidade nunca lhe chega. O mesmíssimo condutor, a mesmíssima manobra num dos tais "carros de homem", e o mesmíssimo palerma que vem atrás já não vê asneiras por todo o lado, já não vê falta de velocidade, já não acha que o outro não tem o direito de conduzir ali.
E chamo-lhe absurda porque estamos no século XXI, porque andámos muito em matéria de machismo e de civismo, porque morre gente todos ou quase todos os dias nas estradas, e porque não compreendo como é possível haver gente ainda hoje com este tipo de pensamento.
Será falta de civismo, machismo primário, inconsciência ou tudo junto?
19 agosto 2005
Pequenas maravilhas do mundo
- Prima, olha o barco! Vamos ao barco!
- B., não podemos, aquele barco é das pessoas que lá estão.
- Mas eu quero! (pausa) Coitadinho... O barco está sozinho! Vamos ao barco!
- B., não podemos, aquele barco é das pessoas que lá estão.
- Mas eu quero! (pausa) Coitadinho... O barco está sozinho! Vamos ao barco!
E se um "bobby" lhe aparecer à frente?
Bom, o mais seguro é fugir!
É um costume da polícia e do exército. Infelizmente, já nos habituámos a imagens de marines a atirar "às cegas". Nas cidades mais violentas é um hábito diário da polícia: "Primeiro dispara e pergunta depois".
Choca-me que estes acontecimentos sejam para nós tão corriqueiros que achamos natural não haver consequências. Espero estar errada, espero que elas, as consequências, apareçam. Mas até agora o chefe da polícia não se demitiu, o ministro também não, ninguém parece ter que enfrentar um tribunal por assassinato.
E o terror que terão sentido os vizinhos de banco de Jean Charles? Sim, imaginem que estão sentadinhos descansadinhos num banco do Metro. Se forem como eu, vão a ler um jornal ou um livro e nem sequer olharam ainda à volta. De repente aparecem uma série de polícias que agarram no rapaz ao vosso lado e o prendem. Quando ele já está seguro e preso e vocês pensam que acabou tudo e que lá vai mais um carteirista, saem uma série de balas a toda a velocidade, que passam a 15 ou 20 cm da vossa cabeça (e nem sequer têm tempo de pensar se o polícia tem boa pontaria ou não...), o sangue jorra por todo o lado. É ou não é suficiente para provocar um ataque de coração aos mais fortes e para deixar, no mínimo, um trauma para o resto da vida?
Não foi o primeiro morto por engano. Não será o último. Eu bem sei que errar é humano, mas precisamente por isso, e porque a polícia também sabe disso, não se dispara sem haver uma situação inequívoca de legítima defesa, e nunca a matar! E sobretudo, não é possível disparar sobre uma pessoa que está presa, não ofereceu resistência e está perfeitamente dominada!
Enquanto a nossa polícia e o nosso exército agirem como terroristas, não sei como podemos viver descansados.
É um costume da polícia e do exército. Infelizmente, já nos habituámos a imagens de marines a atirar "às cegas". Nas cidades mais violentas é um hábito diário da polícia: "Primeiro dispara e pergunta depois".
Choca-me que estes acontecimentos sejam para nós tão corriqueiros que achamos natural não haver consequências. Espero estar errada, espero que elas, as consequências, apareçam. Mas até agora o chefe da polícia não se demitiu, o ministro também não, ninguém parece ter que enfrentar um tribunal por assassinato.
E o terror que terão sentido os vizinhos de banco de Jean Charles? Sim, imaginem que estão sentadinhos descansadinhos num banco do Metro. Se forem como eu, vão a ler um jornal ou um livro e nem sequer olharam ainda à volta. De repente aparecem uma série de polícias que agarram no rapaz ao vosso lado e o prendem. Quando ele já está seguro e preso e vocês pensam que acabou tudo e que lá vai mais um carteirista, saem uma série de balas a toda a velocidade, que passam a 15 ou 20 cm da vossa cabeça (e nem sequer têm tempo de pensar se o polícia tem boa pontaria ou não...), o sangue jorra por todo o lado. É ou não é suficiente para provocar um ataque de coração aos mais fortes e para deixar, no mínimo, um trauma para o resto da vida?
Não foi o primeiro morto por engano. Não será o último. Eu bem sei que errar é humano, mas precisamente por isso, e porque a polícia também sabe disso, não se dispara sem haver uma situação inequívoca de legítima defesa, e nunca a matar! E sobretudo, não é possível disparar sobre uma pessoa que está presa, não ofereceu resistência e está perfeitamente dominada!
Enquanto a nossa polícia e o nosso exército agirem como terroristas, não sei como podemos viver descansados.
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