23 março 2010

Uma espécie de ficha de leitura#7

"Sua Senhoria conhecia perfeitamente a doutrina teleológica da contemplatio in caligine divina, da contemplação na obscuridade do divino, em si infinitamente clara, mas que para o entendimento humano é apenas cegueira e trevas; para além disso estava plenamente convicto de que um homem que realiza grandes feitos ignora geralmente por que os faz. Não dizia já Cromwell que "um homem nunca vai mais longe do que quando ignora para onde vai?" O Conde de Leinsdorf entregou-se assim,serenamente ao prazer que lhe proporcionava o seu símbolo, sentindo que a sua indefinição o estimulava mais do que todas as certezas."
pp. 132-133

18 março 2010

Uma espécie de ficha de leitura#6

"O que podia dizer era apenas que se sentia, mais do que na juventude, distante daquilo que um dia quis ser, se é que algumas vezes teve ideias claras sobre isso. Com uma nitidez maravilhosa, via em si todas as capacidades e qualidades que a sua época apreciava - à excepção da capacidade de ganhar dinheiro, de que não precisava -, mas tinha perdido a possibilidade de as aplicar; e se afinal são os futebolistas e os cavalos que têm génio, então só nos resta o uso que se lhe der para podermos salvar a nossa singularidade, razão pela qual decidiu tirar férias da vida por um ano para descobrir qual o uso mais adequado que poderia fazer das suas capacidades".
p.82

13 março 2010

Uma espécie de ficha de leitura#5

"Parecia-lhe que, ao entrar na idade adulta, tinha caído numa apatia generalizada que, apesar de alguns turbilhões ocasionais e efémeros, trouxe à sua vida um ritmo cada vez mais desencantado e confuso. (...)
Não há um único pensamento significativo de que a estupidez não saiba servir-se; tem uma grande ductibilidade e pode vestir todas as roupas da verdade. Já a verdade tem apenas um vestido e um caminho, e está sempre em desvantagem."

09 março 2010

Hannah e Martin no Teatro Aberto











Fiquei triste e contente quand0 me disseram que a peça que queria ver no Teatro Aberto estava esgotada há dois meses. Disseram-me em jeito de consolo que não desanimasse que a peça retornaria daqui a ano e meio. Há qualquer coisa entre o absurdo e o apaziguador nestes ritmos (idiossincráticos?).




04 março 2010

Leandro

"Ontem Christian não foi à escola. Mas na escola dele - E.B. 2,3 Luciano Cordeiro, onde partilhava o 6º ano com Leandro -, o dia foi normal. Nem portas fechadas nem luto nem explicação. O porteiro do turno da tarde entrou às 15 horas, bem disposto. "Sou jornalista, queria uma entrevista", ironizou. Tiro no pé. O JN estava lá. Perdeu o humor, convidou-nos a sair "já". A docente que saía do recinto também foi avisada, inverteu a marcha, já não saiu. Havia motivos para baterem tantas vezes no Leandro? Responde Christian: "Todos batem em todos". " JN, 04.03.2010