16 dezembro 2013

O fracasso socialista de Mandela, por Slavoj Žižek

"(...)Dois factos são sistematicamente apagados nesta visão de celebração. Na África do Sul, a maioria pobre continua a viver praticamente como vivia nos tempos do apartheid, e a ‘conquista’ de direitos civis e políticos é contrabalançada por violência, insegurança e crime crescentes. A única mudança é que onde havia só a velha classe governante branca há agora também a nova elite negra. Em segundo lugar, as pessoas já quase nem se lembram que o velho Congresso Nacional Africano não prometera só o fim do apartheid; também prometeu mais justiça social e, até, um tipo de socialismo. Esse ANC muito mais radical do passado está a ser gradualmente varrido da lembrança. Não surpreende que a fúria esteja outra vez a crescer entre os sul-africanos pretos e pobres A África do Sul, quanto a isso, é só a mesma versão repetida da esquerda contemporânea. Um líder ou partido é eleito com entusiasmo universal prometendo “um novo mundo” – mas então, mais cedo ou mais tarde, tropeçam no dilema chave: quem se atreve a tocar nos mecanismos capitalistas? Ou prevalecerá a decisão de “jogar o jogo”? Se alguém perturba esse mecanismo, é rapidamente “punido” com perturbações de mercado, caos económico e o resto todo. Por isso parece tão simples criticar Mandela por ter abandonado a perspetiva socialista depois do fim do apartheid. Mas ele chegou realmente a ter alguma escolha? Andar na direção do socialismo seria possibilidade real? (...) Se quisermos permanecer fiéis ao legado de Mandela, temos de deixar de lado as lágrimas de crocodilo das celebrações e focar-nos em todas as promessas não cumpridas infladas sob a sua liderança e por causa dela. Assim se verá facilmente que, apesar da sua indiscutível grandeza política e moral, Mandela, no fim da vida, era também um velho triste, bem consciente de que o seu triunfo político e a sua consagração como herói universal não passavam de máscara para esconder uma derrota muito amarga. A glória universal de Mandela é também prova de que ele não perturbou a ordem global do poder".

16 novembro 2013

Jeremy’ Hammond Sentencing Statement | 11/15/2013


Good morning. Thank you for this opportunity. My name is Jeremy Hammond and I’m here to be sentenced for hacking activities carried out during my involvement with Anonymous. I have been locked up at MCC for the past 20 months and have had a lot of time to think about how I would explain my actions.
Before I begin, I want to take a moment to recognize the work of the people who have supported me. I want to thank all the lawyers and others who worked on my case: Elizabeth Fink, Susan Kellman, Sarah Kunstler, Emily Kunstler, Margaret Kunstler, and Grainne O’Neill. I also want to thank the National Lawyers Guild, the Jeremy Hammond Defense Committee and Support Network, Free Anons, the Anonymous Solidarity Network, Anarchist Black Cross, and all others who have helped me by writing a letter of support, sending me letters, attending my court dates, and spreading the word about my case. I also want to shout out my brothers and sisters behind bars and those who are still out there fighting the power.
The acts of civil disobedience and direct action that I am being sentenced for today are in line with the principles of community and equality that have guided my life. I hacked into dozens of high profile corporations and government institutions, understanding very clearly that what I was doing was against the law, and that my actions could land me back in federal prison. But I felt that I had an obligation to use my skills to expose and confront injustice—and to bring the truth to light.
Could I have achieved the same goals through legal means? I have tried everything from voting petitions to peaceful protest and have found that those in power do not want the truth to be exposed. When we speak truth to power we are ignored at best and brutally suppressed at worst. We are confronting a power structure that does not respect its own system of checks and balances, never mind the rights of it’s own citizens or the international community.
My introduction to politics was when George W. Bush stole the Presidential election in 2000, then took advantage of the waves of racism and patriotism after 9/11 to launch unprovoked imperialist wars against Iraq and Afghanistan. I took to the streets in protest naively believing our voices would be heard in Washington and we could stop the war. Instead, we were labeled as traitors, beaten, and arrested.
I have been arrested for numerous acts of civil disobedience on the streets of Chicago, but it wasn’t until 2005 that I used my computer skills to break the law in political protest. I was arrested by the FBI for hacking into the computer systems of a right-wing, pro-war group called Protest Warrior, an organization that sold racist t-shirts on their website and harassed anti-war groups. I was charged under the Computer Fraud and Abuse Act, and the “intended loss” in my case was arbitrarily calculated by multiplying the 5000 credit cards in Protest Warrior’s database by $500, resulting in a total of $2.5 million.My sentencing guidelines were calculated on the basis of this “loss,” even though not a single credit card was used or distributed – by me or anyone else.


28 outubro 2013

A Voz do Dono

A não eixar de ver um blogue onde se apresenta esmiúça denuncia partilha a voz do dono nos media no nosso país neste momento.

23 outubro 2013

Dia 26 Sábado



A sensação é de anestesia, qualquer coisa como o stress pós-traumático. Evitamos pensar demasiado, em tudo o que envolva a nossa vida comum. É demasiado. Inimaginável. Quem poderia supôr nestes três anos tudo que o se passou. Não só dos orçamentos e políticias deste governo (e do anterior) mas das formas e dos meios. Das gigantescas operações de corrupção, assistida e amparada por quem detém os instrumentos públicos de poder, que são públicos numa teoria a que é arrancada, aos minutos, a sua efectividade. A amnésia, ou o deixar de lembrar cada ponto e cada explicação são os remédios, para a maioria, para que seja possível continuar a viver e a passear com os filhos pelo jardim. Os 48 anos de ditadura mais os 30 de democracia à Cavaco cavaram fundo esta ideia de que o governo das coisas não cabe a cada um de nós. 
E que podemos ou devemos aspirar à sobrevivência recorrendo às cartas que nos sairam no jogo. Aspirar portanto ao melhor possível dentro deste mundo e não noutro, humano mas ideal. Como se este ou outro mundo qualquer não resultasse de todas as cartas em jogo ao mesmo tempo, como quando se fala na Europa como uma entidade fora de nós. 
Para que o torpor não vença e para que nos lembremos sempre desse humano por vir, para que o cansaço não nos faça esquecer que é possível, em cada momento, vislumbrá-lo e resgatá-lo. Não há saída sem ser a que possamos construir colectivamente. A primeira saída tem de ser a deste governo e de todos os que se perfilham para seguir as pisadas da austeridade. 

18 outubro 2013

Amanhã em Alcântara

FAZER PONTES, OCUPAR A RUA, PARAR O PORTO DE LISBOA

por bloqueioportolx

No dia 19 de Outubro vamos bloquear o terminal de Alcântara do Porto de Lisboa, após a concentração da CGTP às 15h, em Alcântara. Vamos interromper a circulação de mercadorias no principal terminal de transporte marítimo de Portugal. Vamos apoiar a greve em curso dos estivadores.
Queremos parar um processo de precarização, reforçando a luta concreta no porto de Lisboa. Queremos fazer crescer outras lutas, noutros sectores da economia, noutras áreas da vida. Queremos dizer bem alto que o problema é a exploração e a acumulação obscena de recursos por uns poucos. Queremos dizê-lo numa linguagem que não possa mais ser ignorada. Queremos parar a economia e colocá-la nas nossas mãos.
O porto de Lisboa é uma plataforma comercial de dimensão internacional, europeia e atlântica, e um dos pontos mais evidentes da campanha de desvalorização do trabalho e também da resistência que a ela se opõe. Esta luta, a nossa luta, é internacional.
Os protestos do dia 19 de Outubro são uma escalada na luta, que deverá continuar até 26 de Outubro na manifestação do Que Se Lixe a Troika e por aí fora. Vem para a rua. Traz as tuas capacidades, as tuas dúvidas, a tua revolta. Vamos transformar a rua numa força em comunicação com todas as lutas, do trabalho ao desemprego, das pensões à miséria.
Esta é uma convocatória aberta e múltipla. Esta é uma convocatória sem porta-vozes nem dirigentes. Esta convocatória é de quem a apanhar

14 outubro 2013

Vai estudar Catarina?

António Costa porta-se como um reizinho no seu pequeno grande reino, depois do último resultado eleitoral em Lisboa, a tendência não será para melhorar. Favoreceu, nos dois últimos mandatos, a cidade do capital, da especulação, favoreceu modelos urbanos para turista ver que deram tristes resultados em muitas cidades por esse mundo fora. Deu à mesma empresa negócios de gentrificação imobiliária com encaixes financeiros de muito curto prazo na câmara e de difícil previsão na longa vida da cidade. Alcântara, lx factory, cais do sodré, martim moniz. Distribui prebendas. Catarina Portas, com os seus quiosques "muito típicos" e "portugueses" abriu mais uma loja, neste caso junto ao gabinete do presidente da câmara, no recém investimento do Largo do Intendente, a nova praça trendy da cidade, em busca do cosmopolitismo que se destrói na baixa e no martim-moniz. Diz-nos que "consumir é um acto político", e tem razao. Apoiou, como muita gente da cultura, a candidatura da Margarida da Abraço, da lista de António Costa, a uma das novas mega-juntas da zona.

"Foi por isso que decidiu abrir aqui uma loja?
Soube, de uma forma curiosa [fofinha], que os antigos armazéns da Viúva Lamego estavam para arrendar: na inauguração da exposição da Joana Vasconcelos, em Versailles, António Costa perguntou-me se queria arrendar uma loja no Intendente. Andei a pensar na vida [fôoooofa], um pouco aflita porque a altura não é a melhor e abrir uma loja de 500 metros quadrados num sítio como o Intendente...Pensei muito no investimento, não queria endividar-me demasiado.
Vir para aqui é um risco? É um risco calculado[se nao é mesmo fôfa], mas também há alguma loucura. Até hoje, tive cuidado. Comecei o negócio com mil euros, fui reinvestindo o que ganhei, e é assim que temos crescido". in Visão, 03.10.13

É a vida portuguesa no seu esplendor.

27 setembro 2013

Egipto - partido comunista

The Muslim Brotherhood implemented the same policies on the continuation of the privatization program and the liberalization of prices, and did not raise the minimum wage even though it was one of the first demands of the revolution. They even reduced the taxes on businessmen, continued the privatization of services and refused to implement the health insurance program. They insisted on selling and mortgaging the assets of Egypt and its institutions through the project of "Islamic bonds" which they rushed to pass in the Shura Council [the upper house of parliament] controlled by Muslim Brotherhood. The most dangerous position was their refusal to pass the law to ensure freedom to form unions, which they had agreed upon with all political forces and trade union currents before the revolution, and replaced Mubarak’s men in the government-controlled General Union of Egyptian Workers with their own men (...) Those who have ousted Morsi are more than 22 million citizens of the Egyptian people who signed a document containing the signatory’s name, ID number (national ID) and the name of the province, written by hand rather than on the Internet, in an unprecedented referendum that was culminated in the “big coming out" in main squares by more than 27 million demonstrators on 30th June 30, continuing for four consecutive days. It was Morsi who overthrew legitimacy when he issued his dictatorial constitutional declaration in November 2011. It was Morsi who devastated human rights when his terrorist supporters besieged the Constitutional Court, when his militia tortured protesters in front of al-Ittihadyah Palace [the presidential palace]as shown by investigations carried out by the public prosecutor office, and when his men killed demonstrators in front of the headquarters of the Freedom and Justice Party (the political arm of the Muslim Brotherhood) in accordance with explicit orders from the leader of the group and his deputy, as the killers confessed before the public prosecutor. It was Morsi who reneged on the promises he had announced on the day he succeeded to amend the Constitution and form a coalition government. He and his group insisted on submitting to the conditions of the International Monetary Fund, and also declared Jihad on Syria at a conference of terrorist jihadist forces without referring to the army and the National Defense Council. Therefore, all the political parties and forces, and even the Salafi al-Nour Party, which jumped from the ship before it sank, have supported early presidential elections. This call is not a coup against democracy, rather it emanates from the heart of popular democracy when any president betrays his promises to the people and his program on the basis of which the people had elected him. To limit the cause of democracy to just the "ballot box" is a complete plunder of the essence of democracy and an explicit rejection of the right of peoples to revolt against their autocratic rulers and the fascist regimes that use religion to hide their reactionary nature and right-wing capitalist orientation. The defending of Morsi by the United States and Western capitalist states and portraying the issue as just a "military coup" against "constitutional legitimacy" is a formal position that hides the fact that world imperialism is terrified by peoples’ revolutions and their ability to transcend the narrow confines of the democratic bourgeoisie which represents, in essence, the optimal form to fulfill the interests of big businessmen and monopolies and their local agents in controlling the destiny of peoples in Third World countries. (...) Nevertheless, we are keen for the need to be alert and pay attention during the next phase to ensure that the military's role in this stage is limited to the protection of the people and the Egyptian national security and to abide by its promises not to interfere directly in political affairs, and the need for the people to remain in the squares to ensure the implementation of their demands in the transitional phase. (...) The arrival at this critical point led to the overthrow of Morsi and the intervention of the army in a manner that serves the objectives of the revolution at this stage. It is noteworthy that this is the first time that the Egyptian army has disobeyed America’s orders because it has realized the nature of the big dangers that would plague itself and the homeland if it declines to support the revolution. The national and democratic forces realize that the army’s leaders have interests and privileges which they want to preserve, and they also want to have a role in power without a direct political interference. We believe that this has to be taken into account at this stage with emphasis on correcting things gradually during the next phase. Entrevista con el camarada Salah Adli, Secretario General del Partido Comunista Egipcio por "Nameh Mardom", órgano del Tudeh

19 setembro 2013

Inquérito na Europa sobre as relações entre a EDP e o Estado Português

COMUNICADO DE IMPRENSA- COMISSÃO EUROPEIA EM PORTUGAL Lisboa, 18 de setembro de 2013 Auxílios estatais: Comissão abre inquérito aprofundado a concessões sobre recursos hídricos à EDP para a produção de eletricidade e investiga a situação noutros Estados-Membros A Comissão Europeia deu início a um inquérito aprofundado para verificar se o preço pago em 2007 pelo operador português encarregado da distribuição de eletricidade, a EDP, pela extensão do seu direito de usar os recursos hídricos públicos para a produção de eletricidade se encontrava em conformidade com as normas em matéria de auxílios estatais da UE. A Comissão apreciará, em especial, se a medida proporcionou uma vantagem económica indevida à EDP relativamente aos seus concorrentes, limitando a entrada no mercado da ele tricidade em Portugal. O lançamento de um inquérito aprofundado proporciona aos terceiros interessados uma oportunidade de apresentarem as suas observações sobre a medida, sem prejudicar o resultado do próprio inquérito. Em 2007, Portugal alargou as concessões facultadas à EDP para a utilização de recursos hídricos públicos para a produção de eletricidade, contra o pagamento de 759 milhões de euros (dos quais 56 milhões de euros reverteram para impostos). Esta medida, que nunca foi notificada à Comissão para exame de eventuais auxílios estatais, traduz-se na manutenção de 27 centrais elétricas, que representam 27 % das capacidades de produção do país, sob o controlo da EDP por um período de tempo muito longo, só terminando, em certos casos, em 2052. Com base nas informações disponíveis nesta fase, a Comissão tem dúvidas de que a EDP tenha pago um preço adequado pelas concessões. Tal poderá ter dado à EDP uma vantagem seletiva que os seus concorrentes não tiveram, configurando, assim, um auxílio estatal na aceção das normas da UE (artigo 107.º, n.º 1, do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE)). Nesta fase, a Comissão duvida de que esse auxílio fosse compatível com o mercado interno da UE. Além disso, a longa duração da concessão pode ter tido, em si mesma, um efeito anticoncorrencial, impedindo a entrada de concorrentes interessados no mercado da eletricidade português. O inquérito irá permitir à Comissão obter a informação necessária para a apreciação da medida. A Comissão solicitou também informações preliminares da parte de outros Estados-Membros sobre as normas e práticas que regem a conce ssão ou a extensão das concessões para a utilização de recursos hídricos para produção de energia hidroelétrica. Antecedentes Em setembro de 2012, vários cidadãos apresentaram à Comissão uma denúncia contra um alegado auxílio estatal ilegal, concedido por Portugal à EDP através de duas medidas distintas: em primeiro lugar, a extensão das concessões de utilização de recursos hídricos públicos, alegadamente em condições favoráveis e, em segundo l ugar, as compensações alegadamente excessivas por investimentos anteriores que teriam sobrecarregado a EDP no enquadramento de mercado liberalizado («custos ociosos»). O mecanismo de compensação dos custos ociosos havia sido avaliado e inocentado pela Comissão ao abrigo das normas da UE sobre auxílios estatais (ver IP/04/1123). Com base nas informações disponíveis nesta fase, nada prova que os auxílios aprovados para a compensação dos custos ociosos tenham sido mal utilizados ou deixado de ser compatíveis com o mercado interno. A Comissão deu hoje início a um inquérito aprofundado, a fim de verificar as alegações relativas ao preço demasiado baixo pago em 2007 pela EDP para a extensão das concessões para a utilização dos recursos hídricos públicos. A versão não confidencial da decisão será publicada no Jornal Oficial da União Europeia e disponibilizada no âmbito do processo SA.35429 no State Aid Register (registo dos auxílios estatais) no sítio Web (competition) da DG Concorrência da Comissão assim que as questões confidenciais tenham sido resolvidas. As novas publicações de decisões sobre auxílios estatais na Internet e no Jornal Oficial são indicadas no sítio Web State Aid Weekly e-News. Para mais informações sobre assuntos europeus:http://ec.europa.eu/portugal

18 agosto 2013

Jornalismo histórico

Luís Almeida Martins assina um artigo que faz a capa da Revista Visão nº1066, Marquês de Pombal o Homem que resgatou Portugal. Contornando outro paradoxo que é a escolha das capas da Revista Visão chegamos a este que é o facto do autor ser o editor da Visão História, e aparentemente, ser formado na disciplina apesar de ter dedicado desde os anos 70 ano jornalismo (currículo aqui). As sete páginas dedicadas ao Marquês de Pombal, para além de se situarem no campo de conhecimentos mais rudimentar do que aquele a que são sujeitos alunos do ensino básico, para além do mau gosto da pena e da visão telenovelesca e redutora das personagens e contextos históricos, contém incorreções várias (o padre Malagrida não foi queimado vivo) e omissões grosseiras (não refere que o padre Malagrida foi a última vítima do Tribunal do Santo Ofício), o Marquês não se tornou um pioneiro dos estudos em sismos por ter feito um questionário à população de Lisboa, o Marquês ordenou um questionário a todas as paróquias do país. Este tipo de pormenores, facilidades, revela uma falta de cuidado e respeito pelos leitores da revista. Revela também uma falta de "visão" sobre o que é divulgação científica, neste caso, em história do país. A revista que empresta rigor e critérios na sua investigação jornalística, caso do recente trabalho de Paulo Pena, devia igualmente exigir noutras áreas, nomeadamente também quando se encomenda uma notícia sobre Amadeo de Sousa Cardoso a propósito da exposição na Gulbenkian. Quando não se conhece o tema para quê inventar? Mais vale dar espaço às palavras de quem conhece e fazê-lo bem, o que já não é pouco na imprensa das artes.

Adenda: Luis Almeida Martins respondeu `a reclamação dizendo que se pretendia um artigo de verão com uma leitura "amena". E que foi responsável por muita divulgação em História, enquanto editor de História da revista Visão e enquanto director da ex-Revista História. Saudei a sua iniciativa mas disse-lhe que invenção e alteração de factos não são sinónimo de leitura amena e que comprometem a leitura do texto completo. Não houve resposta.