27 dezembro 2011

Os melhores filmes que vi em 2011

Contos da Lua Vaga, 1953



















































O espírito da colmeia, 1972











Páre, Escute e Olhe, Jorge Pelicano





22 dezembro 2011

Manifesto dos Historiadores Portugueses

"Porque amo o que é vivo sou um historiador, se amasse as coisas velhas e mortas seria um antiquiário" Marc Bloch (citação livre)









Os anos 60 e 70 viram muitos historiadores no espaço público, tanto no combate político como no combate de opinião. As equipas recém-chegadas aos ministérios dos negócios estrangeiros ou da defesa primavam em ter consigo historiadores. As últimas décadas assistiram a um apagamento deste grupo, convidado a opinar em debates ultra-especializados, substituídos por jornalistas, engenheiros, militares, no espaço da comunicação social, onde não só se informa como se comenta e pensa a informação. O fenómeno blogosférico veio abrir e preencher um espaço de necessidade premente, espaço político de confronto, debate e procura de posicionamento ou reforço de posicionamento(s) nas mais variadas áreas de pensamento. Com especial enfoque no espaço político e comunicação social. Nem Vasco Pulido resistiu à tentação. No seguimento deste sucesso cibernético Rui Tavares salta para as páginas do Público, por exemplo, trazendo um pensamento ancorado, tantas e felizes vezes, na sua formação enquanto Historiador. Diferente de V.P.Valente que comenta a realidade sem que a sua formação seja um instrumento inequívoco. Como contraponto a Rui Tavares, Rui Ramos. A história continua da blogosfera para os canais de tv em sinal fechado.



E parece que desde aqui ser Historiador voltou a ser algo que, como diz Marc Bloch, tem muito mais a ver com a vida e com o presente, do que com os arquivos, a porta pesada do instituto e os compromissos académicos. Isto tudo para dizer que o corajoso e belo manifesto assinado por cerca de 40 historiadores a semena passada é um documento a todos os títulos espantoso. Consegue fugir à retórica nacionalista sem descartar as responsabilidades no tratamento e passagem do património, consegue encontrar um nexo entre memória e escolha política e desta forma filiar-se naquilo que é o grande trabalho da História, e consegue implicar-se na vida dos seus contemporâneos (de que nos serve a cultura, o saber, se não temos um feriado para visitar um museu?).

Deixo aqui o link para o texto completo (que só encontrei na Esquerda.net)

20 dezembro 2011

Candidato a ministro



"Há quem defenda que a Europa está dominada por interesses neo-liberais e que o cimento da UE sempre foi a Europa social

A essas ladainhas respondo que não gosto de discutir assuntos religiosos."


Vitor Bento em entrevista ao público de dia 19.12.11

08 dezembro 2011

10 exigências do movimento ocupar wall street

The power of the people far surpasses all the repressive violence of the Babylons attacking you/us or the wealth of the 1 percent, who will stop at nothing to silence us all.



This is a protracted struggle; there will be no 90-day revolution here. Victory will require sacrifice, tenacity and competent strategic insight. The question you must ask is, Are you prepared to do what is necessary to win this struggle? If you answer in the affirmative, commit to victory and accept no other alternative. The people, as we are, are with you. Until we win or don’t lose, our love and solidarity to all those who love freedom and fear only failures.

02 dezembro 2011

Novas Resoluções da ONU sobre a Palestina

30.11.2011



"(...) Hoje cedo, a Assembleia concluiu o seu debate anual sobre a questão da Palestina, com delegações a expressar amplo apoio à aplicação da liderança palestina de setembro para a plena participação das Nações Unidas. Enquanto oradores apoiaram a troca de prisioneiros recente entre Israel e os palestinos, assim como o recente acordo intermediado pelo Egito, que tinha preparado o caminho para eleições palestinas no início do próximo ano, eles apontaram que tais ações positivas haviam sido minado pela construção de colonatos de Israel bem como a sua recente decisão de reter cerca de US $ 100 milhões em receitas fiscais da Autoridade Palestina.
O Quarteto diplomático sobre o processo de paz no Oriente Médio deve obrigar Israel a acabar com a sua intransigência, particularmente em relação à construção de assentamentos, acrescentou, enfatizando a igual importância na unidade política entre os palestinos para o progresso no processo de paz e de reconstrução na Faixa de Gaza (...)"






23 novembro 2011

24 Nov. parte2

Amanhã as ruas são nossas de novo, amanhã, um ano depois, trabalhadores, desempregados, reformados, a multidão inconformada volta a reunir-se. Na Greve Geral ocupamos o nosso lugar na barricada. Amanhã não há lugares intermédios, apesar de todos aqueles que não podem fazer greve. Apesar de tantos que, como dizia uma vizinha octogenária, preferem ser pobres a que haja guerra. Amanhã não pode haver mais nada a não ser a guerra.
Um comentador habitual dizia-nos esta semana que na Grécia e na Itália os governos perderam a legitimidade democrática do voto, apesar das assembleias legislativas dos respectivos países estarem mandatadas pelas respectivas constituições para elegerem um novo governo. Esses e outros governos, como o nosso, perderam a legitimidade a partir do momento em que o programa eleitoral com que enfrentaram as eleições foi radicalmente alterado. A partir do momento em que mentem. Há dúvidas sobre a estreita relação entre o aumento da abstenção e as mentiras dos governos sucessivos que temos tido?
Amanhã, munidos das nossas palavras de ordem vária, mais pessoal mais universal, enquadrados ou não pelas palavras de ordem de uma central sindical, de um partido, de uma associação recreativa ou comissão de trabalhadores, não pode estar na rua outra coisa que não o fim de todos os governos que servem o interesse daqueles que nos EUA foram rebaptizados como 1%.
Com a falta de poder político da multidão (esta sensação de que todas as decisões são tomadas à revelia, as guerras, a redistribuição da riqueza, a escandalosa compra e venda do BPN, o poder do banco na concessão de um empréstimo, a justiça ao serviço de uma minoria) ela só pode procurar a forma de recuperar o que lhe foi espoliado. Amanhã é no local do trabalho e na rua. Já começou. É uma luta desigual, sempre foi. Mas a certeza de que a nossa vida nos pertence não nos deve fazer vacilar.

18 novembro 2011

Governo em sintonia com os piores patrões

Hoje o governo anuncia que a antiguidade não devia conferir direitos especiais a um trabalhador na altura do despedimento. Já o tinham vindo afirmar, juntamente com o governo de Sócrates, quando mudaram as regras e os valores de indeminização em caso de despedimento. Agora, avançam mais um pouco nesta ideia (peregrina?) do trabalho enquanto actividade sem qualquer valor social ou cultural, sem benefício para o próprio e para a comunidade, em que a vida de um ser-humano, medida em tempo, não conta na mesma medida quando entrega parte dela numa empresa ou serviço, como se esse posto de trabalho fosse um lugar anónimo de um carrossel de feira. Como se esse local de trabalho e o trabalhador não estabelecessem um vínculo, onde se trocam valores, onde a pessoa, para além de ganhar o seu pão, participa no processo produtivo, é um elemento na engrenagem que em última análise faz tudo isto funcionar.







Depois lê-se no Público de terça-feira




"Ecco impede funcionários de reassumir posto"
(...) A sentença do Tribunal da Relação do Porto sustenta que os operários devem ser reintegrados, sem prejuízo da categoria profissional e antiguidade, e que a Ecco tem de pagar as retribuições desde o dia do despedimento. Os nove funcionários, um entretanto emigrou, apresentaram-se ontem ao serviço. A empresa não os readmitiu , alegando que iria recorrer da decisão judicial. (...) O processo deu entrada no tribunal em Janeiro de 2006, altura em que a Ecco despediu 369 trabalhadores e deslocalizou parte substancial da produção para a Eslováquia, Indonésia e Tailândia. "Não aceitámos os acordos de rescisão por múto acordo porque considerámos que a empresa não estava a cumprir as normas, mandou embora trabalhadores com mais de 20 anos de casa, ficaram ao serviço pessoas com menos tempo e continuava a contratar pessoal". (...) Maria Manuela é outra das funcionárias em causa. Tem 45 anos, trabalhou 21 anos na Ecco, foi despedida, juntou-se aos colegas, recorreu ao tribunal. Tem dois filhos, foi paciente de um psiquiatra, e todos os meses tenta esticar o ordenado do marido. "Este processo afectou-nos financeira e psicologicamente. A empresa não está a ser correcta connosco porque continua a meter pessoas à frente dos nossos olhos", desabafa.

A Ecco não quis, ontem, prestar quaisquer declarações". 15.11.2011, p.23.