30 outubro 2006

Dois pequenos passos

Ainda não temos o sistema perfeito. A Democracia continua a ser "apenas" o pior de todos os sistemas com excepção de todos os outros. Nem sequer é certo que tenhamos chegado nos nossos países a uma verdadeira Democracia. Claro que idealmente estes tipos seriam acusados das próprias atrocidades que cometeram, cada um no seu estilo, e não por "acessórios"; claro que no ideal estas acusações e estes julgamentos já teriam sido há muito mais tempo e à primeira desconfiança os mandatos teriam sido retirados.

São pequenos, mas são estes os passos que se querem:

Berlusconi vai ser julgado por corrupção
Pinochet em prisão domiciliária - neste caso vai responder por 36 raptos, 23 casos de tortura e um assassinato cometidos pela sua polícia secreta. Ainda assim, muito pouco está em causa, tendo em conta a quantidade real de crimes cometidos: o verdadeiro número de torturados, mortos e desaparecidos é muitíssimo superior.

29 outubro 2006

Tarrafal, o campo da morte lenta: 70 anos

Foi só há 70 anos que abriu o campo de concentração do Tarrafal, o da morte lenta. Foi só há 70 anos que Portugal passou a ter um campo de concentração e morte. Nas colónias, claro, porque na metrópole, no "verdadeiro" Portugal, não se faziam trabalhos sujos. Isso era deixado às colónias, neste caso a Cabo Verde.

Só setenta anos depois, já Salazar se candidata a grande português. Só setenta anos depois, ainda os presos torturados estão vivos, já o carrasco é elogiado, estrela de televisão, posto lado a lado e comparado em pé de igualdade com quem construiu o país e definiu a nossa portugalidade. Como se a frigideira por onde passaram alguns dos presos no Tarrafal fosse uma pequena questão de opinião, divergências sem significado. Como se fosse igualmente válido ser preso num campo de concentração ou ser carrasco desse mesmo campo, é só uma questão de lados.

O branqueamento é rápido, e visivelmente eficaz. Para a opinião pública, campo de concentração é algo que tem a ver com os alemães, lá longe na Polónia. As notícias da imprensa sobre este assunto são escassas na internet. Excepção do DN, com uma entrevista a Edmundo Pedro sobre a sua tentativa de fuga.

Para não esquecer, não deixar branquear, nem deixar repetir, a ver uma exposição a ver na Torre do Tombo sobre a Guerra Civil Espanhola e o Tarrafal.

27 outubro 2006

éfe-éme-ii

"Assim, durante a década em que as epidemias de SIDa atingemtodo o continente, em que grandes fomes e as guerras continuam a fazer razias, os países pobres financiaram os países ricos:entre 1983 e 1989 pagaram-lhes 242 muilhões de dólares(Relatório do PNUD de 1992, p.23 a 51) e sóa África subsaariana transferiu nada menos de 700 milhões de dolares por ano (p.43). Nos úlitmosanos, o próprio FMI recebeu de África cerca de três vezes e meia o que pagou.Os mercados africanos são os mais vulneráveis- não lhes são permitidas as medidas de proteccionismonão-tarifário que predominam ainda nos países desenvolvidos- e as condições impostas ao pagamento das dívidas sao asmais draconianas: o juro real corrigido pelos preços em dólardas principais exportações é de 4% nos países ricos e de 17% nos países "em vias de desenvolvimento", isto é, pagam quatro vezes mais. O impactorecessionista de todas as medidas combinadas contribui para enfraquecer a economia e para desregular a sociedade, desertificando os campos e agravando a concentração urbana, onde não há emprego"
Francisco Louça, A maldição de Midas a cultura do capitalismo tardio, Edições Cotovia 1994.

26 outubro 2006

Crónica das voltas que a vida dá

O João Afonso que prometi ontem já está a dar, pelo menos aqui em casa... Hoje acrescento-lhe outra canção que me tem feito pensar e dar umas grandes voltas. Parecendo que não, estes pontapés às vezes são eficazes!

Humanos
Muda de Vida

de António Variações

24 outubro 2006

E se...

... o caminho para o emprego fosse uma das estradas mais bonitas do mundo?

Rumo a sul...


Esta imagem acompanha a música do cantinho:

João Afonso e Luís Pastor
"Náufrago de las Estrellas"

Album: Outra Vida

Tem tudo a ver comigo: o nome do album, a letra da canção... e a canção é lindíssima, não é?

Adiós Madrid, adiós Paris
Náufrago de las estrellas
Me llama el mar, me lleva el mar
Náufrago de las estrellas
...
Me quedo aquí, soy libre al fin


O File Lodge hoje não está pr'aqui virado, mas fica o post como anúncio da próxima música, assim que eu puder e o File Lodge quiser.

20 outubro 2006

Ai, se eu pudesse, digo-vos onde estaria amanhã!

HOMENAGEM AO GENERAL VASCO GONÇALVES

Sábado, dia 21 de Outubro, pelas 15h30,
na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa

MOMENTO CULTURAL:

Fausto Neves (pianista)
Manuel Freire
M do Céu Guerra
Coral dos Mineiros de Aljustrel
Coral Catarinas de Baleizão
Coro da Academia dos Amadores de Música

INTERVENÇÕES POLÍTICAS:

Prof. Doutor Barata Moura
Coronel Vicente da Silva
Dr Vasco Gonçalves Laranjeira (neto do General)

Apresentação de: Cândido Mota

Entrada livre

Estratégia da sacanice

  • Primeiro foi o anúncio dos 15% de aumento da electricidade.
  • Depois a ofensa estúpida do secretário de Estado. (Continuo sem entender como é que gente que é capaz de dizer tamanhas palermices chega a secretário de Estado. É que nem é uma questão de opinião, foi mesmo uma afirmação sem pés nem cabeça, qualquer que seja o ponto de vista).
  • Seguiu-se a tentativa de emenda tardia do ministro.


No fim disto tudo, um aumento de 6% até parece bom! Isto, claro, se nos determos no facto da ameaça de aumento ter diminuído 9%. Mas não é o preço real que diminui, é só a ameaça. O preço a pagar sobe 6%, que é mais ou menos o dobro da inflacção e muito mais do dobro da subida dos ordenados...

Administração Pública a Vaca Sagrada

Hoje no Dn uma notícia que ajuda a tornar claro os objectivos por trás do ataque aos funcionários públicos. Este ataque tem tido o aplauso basbaque da maioria dos trabalhadores que, por norma, têm piores condições de trabalho e vida. Também deviam saber que condições e os direitos de trabalho na função pública servem de referência para o sector privado. O Estado Português está a saque desde há 500 anos (talvez) com poucas tentativas corajosas de o defender. Como a pimenta e o ouro já não se podem desviar dos navios agora privatiza-se. Que se privatize e mercantilize tudo mas podia haver a coragem de assumir o novo modelo de estado que estão a construir. E aí poderia haver um debate justo sobre sacrifícios a fazer.

19 outubro 2006

Coisas que nunca percebi em Paris

A Place de la Concorde, é certamente uma das mais bonitas da Europa.

Não se vê nesta fotografia, mas no cantinho esquerdo é a Embaixada dos EUA. O que eu não entendo é porque é que as autoridades municipais de Paris deixam os EUA barricar metade desta praça magnífica com barreiras que impedem a circulação de peões, tapam uma parte do jardim do Eliseu, obrigam a desvios de centenas de metros. Tudo para ninguém se poder sequer aproximar da embaixada. O aspecto do lado esquerdo da praça é como se houvesse uma grande manifestação permanentemente iminente, com grades policiais a fazer barreiras e corredores. Nunca lá vi uma manifestação. Nunca em três anos! E nunca vi aquele lado da praça sem as barricadas.

Dentro do terreno da Embaixada é território dos EUA, eles que façam como quiserem. Mas fora, em solo francês, não percebo porque é que a Mairie deixa desfigurar e barricar a Place de la Concorde.

Miragem para os portugueses, pesadelo para os patrões, realidade por aqui

Em 2004, e face à entrada em vigor das 35 horas semanais, foi assinado um acordo para o ramo da restauração, bares e discotecas, que previa a manutenção nesse ramo de um horário de 39 horas. O acordo também estiplulava mais uma semana de férias (passando assim a 6 semanas anuais), cláusula esta que apenas excepcionalmente foi praticada pelas empresas.

Ontem o Conselho de Estado declarou a nulidade do acordo. O horário de trabalho é de 35 horas para todos os ramos de actividade. Ou seja, as quatro horas suplementares passarão a ter que ser pagas como horas extraordinárias. Mas melhor, o Conselho de Estado pede que esta decisão tenha efeitos retroactivos e que as empresas tenham que pagar o suplemento de horas extraordinárias a todos os empregados que tenham cumprido as 39 horas desde Janeiro de 2005.