24 julho 2011

Uns e Outros

"A luta contra a carência desgasta e exaure a parte maior dos homen a ponto de não lhes restar força para a nova e mais árdua luta contra o engano. Satisfeito de escapar, ele mesmo, à canseira azeda da reflexão, o indivíduo concede, prazenteiro aos outros, a tutela sobre os seus conceitos, e caso aconteça manifestarem-se necessidades mais altas, agarra-se com fé sedenta às fórmulas que Estado e sacerdotes têm reservadas para tais casos. Se estes homens infelizes merecem nossa compaixão, nosso justo desprezo atinge aqueles outros que, libertos do jugo da necessidade por um destino melhor, a ele se curvaram por sua própria escolha.



Estes preferem, aos raios da verdade que escorraçam a ilusão agradável de seus sonhos, o crepúsculo dos conceitos obscuros, em que o sentimento é mais vivo e a fantasia arbitrária cria formas confortáveis. Como fundassem todo o edifício de sua felicidade sobre estas mesmas ilusões que a luz hostil do conhecimento deverá destruir, não poderiam desejar uma verdade tão custosa, que começa por tomar-lhes tudo o que para eles possui valor. Seria preciso que já fossem sábios para que amassem a sabedoria:uma verdade que já sentiu aquele que deu à flosofia o seu nome."



Shiller, Cartas sobre a Educação Estética da Humanidade, Editora Pedagógica e Universitária Lda, São Paulo, 1991, p.62

08 julho 2011

Daqui a diante será sempre às arrecuas

"Se abandonarmos os caminhos-de-ferro, ou os entregarmos ao sector privado, evitando a responsabilidade colectiva pelo seu destino, teremos perdido um bem prático valioso cuja substituição ou recuperação seria intoleravelmente cara. Se deitarmos fora as estações ferroviárias -como começámos a fazer nas décadas de 50 e 60 com a destruição vândala da Euston Station, da Gare de Montparnasse e, sobretudo, da grande Pennsylvania Railroad Station of Manhattan- estaremos a deitar fora a nossa memória de como viver uma vida cívica confiante. Não é por acaso que Margaret Thatcher fazia questão de nunca viajar de comboio.
Se não conseguirmos perceber a vantagem de despender os nossos recursos colectivos em comboios, não será só por termos todos aderido a comunidades muradas e já só precisarmos de carros para circular entre elas. Será por nos termos tornado indivíduos murados que não sabem partilhar o espaço público para vantaem comum. As implicações de uma perda dessas transcenderiam de longe o declínio ou a extinção de um sistema de transportes entre outros. Significaria que tinhamos acabado com a vida moderna".

Tony Judt, Um Tratado Sobre os Nossos Actuais Descontentamentos, Edições 70, 2011, p.202

24 junho 2011

15 de Maio, aqui cabemos todos

"(...) Pero también, la ciudadania que se moviliza puede caer en el error de ponerse a la defensiva, de creer que cualquier “político” que se acerque a las movilizaciones les va a robar su espacio, que cualquier “político” que asista a una movilización viene a hacerse la foto, viene a intentar representarlos sin que nadie se lo pida y pueden reaccionar de mala manera ante el temor de contaminarse por el simple contacto.

Ambos errores son casi lógicos, casi naturales, casi entendibles, pero debemos hacer el esfuerzo de superar “el casi” para derribar tabiques, debemos estar dispuestos a contaminarnos, a escucharnos, a innovar formas de movilización y de organización de la protesta, etc. y a aceptar el reto de dar valor a la coherencia de los hechos, por encima de los discursos huecos

No podemos pretender representar a nadie que no nos lo ha pedido, porque de lo que se trata no es de representar, sino de ser parte de una movilización con la que compartimos objetivos y, eso, no solo nadie nos lo puede impedir, sino que tenemos que defenderlo sin complejos, defendiendo con lealtad al resto de participantes en las asambleas, nuestras ideas y nuestras propuestas,

De lo que se trata, es de avanzar juntos con mucha más gente, un camino desde el desarrollo de instrumentos de participación colectiva que construyan una nueva forma de hacer política, en el más amplio sentido de esta palabra, el que le devuelve la dignidad, desde la construcción de una democracia participativa en la que los pueblos sean los protagonistas de la historia y no meros actores secundarios del gran teatro de la vida social y política (...)"




José Luis Centella Gómez, Secretario General del PCE, o texto completo pode ser lido aqui.

18 junho 2011

Tirar coelhos da cartola






Não é curioso ver os comentadores oficiais do regime (rtp noticiário Hoje) assumirem pastas num governo ultra-liberal, depois de debitarem semanalmente as suas opiniões sobre um futuro não menos desastroso que o presente económico do país? É quase tão engraçado ver os super-administradores -aqueles que acumulam cargos e ordenados em empresas subsidiárias do estado (Aguiar Branco?) recomendarem dimuição salarial para a imensa classe média pagadora de impostos. Ou ainda quase tão engraçado ver pessoas, um pouco por todo o lado, muito indignadas contra quem vive à conta dos rendimentos mínimos, ou quem está desempregado por não ter iniciativa pessoal, esquecendo, nestes momentos ou para sempre, como o seu próprio emprego lhes foi garantido, lhes foi posto no colo, por um padrinho, uma tia, pela empresa do pai. Será que nesta operação de esquecimento está um ego disposto a acreditar que o seu mérito foi adivinhado à priori (no caso da empresa do pai,mesmo antes de nascer)?






Uma pessoa evita andar a comentar o novo e o velho governo e ir procuar o governos das coisas que (nos) interessam na realidade mas....há cartolas e coelhos que não deixam de nos espantar.

09 junho 2011

First Manifesto of the Rossio Square



The protesters, assembled in the Rossio Square, conscious that what is set in march is an act of resistance, hereby agree to state the following:


We, citizens, women and men, workers, migrants, students, unemployed and retired people, united by our indignation in front of a stifling social and political situation that we refuse to accept as inevitable, have taken our streets. We thus join those that around the world today fight for their rights against the constant oppression of the ruling economical-financial system.


From Reykjavik to Cairo, from Wisconsin to Madrid, a popular wave sweeps the world. This wave is silenced and twisted with disinformation by the media, the same media that doesn't question the permanent injustices in every country, only proclaiming the inevitability of austerity, the end of rights, the funeral of democracy.

Real democracy will never exist as long as the world is managed by a financial dictatorship. The ransom signed behind our backs with the IMF and the EU has abducted democracy and our lives. The countries in which the IMF intervenes see a brutal drop in the average live expectancy. The IMF kills! We can only reject it. We refuse to have our wages, our pensions and social supports cut, while simultaneously the culprits for this crisis are spared and recapitalized. Why do we have to choose between unemployment and precarious labour? Why do they want to take away our public services, stealing us, through privatizations, of what we payed for all our lives? Our answer is no. We defend the withdrawal of the troika plan. Following the example of many other countries around the world, such as Iceland, we will not accept to bury our present and our past for a debt that isn't ours.


We refuse to accept the theft of our future. We intend to assume control of our lives and intervene effectively in each and every process of political, social and economical life. We are doing it, today, in the popular assemblies gathered all around. We appeal to all the people to join, in the streets, in the squares, in each corner, under the shade of every statue so that, united, we may change once and for all the rules of this crooked game.


This is just the beginning. The streets are ours.
Lisbon, 22nd of May 2011

03 junho 2011





Está um grande mural. Bem feito. E é uma força política a dizer o que pensa sobe o ensino superior. Provavelmente a AAC está mais necessitada de uma limpeza que as escadas ou os muros da Universidade.

19 maio 2011

Manifesto das Portas do Sol - 18.V.11



Los reunidos en la Puerta del Sol en la noche del miércoles redactaron un acuerdo "plural" en el que sientan las bases de sus reclamaciones.

Autodefinidos como "un grupo de ciudadanos de diferentes edades y extractos sociales" afirman sentirse "cabreados" ante su falta de representación y "las traiciones que se llevan a cabo con el nombre de la democracia". Abogan por una reforma de la Ley electoral "que devuelva a la Democracia su verdadero sentido: un gobierno de los ciudadanos. Una democracia participativa".

"No estamos aquí para reclamar sencillamente el acceso a hipotecas o para protestar por las insuficiencias del mercado laboral", aclaran para advertir de que el movimiento nace "de la rabia", sentimiento que genera "imaginación, fuerza, poder ciudadano".

"La Democracia Real se opone al descrédito paulatino de las instituciones que dicen representarlos, convertidas en meros agentes de administración y gestión, al servicio de las fuerzas del poder financiero internacional", subrayan, al tiempo que sostienen que la democracia actual emana de "corruptos aparatos burocráticos" que impiden la participación ciudadana.

"Es preciso construir un discurso político capaz de reconstruir el tejido social, sistemáticamente vulnerado por años de mentiras y corrupción. Los ciudadanos hemos perdido el respeto a los partidos políticos mayoritarios, pero ello no equivale a perder nuestro sentido crítico. Antes bien, no tememos a la política. Tomar la palabra es política. Buscar alternativas de participación ciudadana es Política", añaden.

El manifiesto señala los culpables de la situación actual, aquellos que con su labor contribuyen al descrédito de la política y al rechazo y hastío de la sociedad: el FMI, la OTAN, la UE, las agencias de calificación y, ya en España, partidos como PP y PSOE.

"No llamamos a la abstención, pedimos la necesidad de que nuestro voto tenga una influencia real en nuestra vida", zanjan.

03 maio 2011

O fracasso Obama

KILLER



"(...)Mas ouvindo as declarações de Bush e de Obama, tal como a generalidade dos líderes mundiais, este assassinato é entendido como o coroar da estratégia que considera ter fracassado.
Naturalmente, eles continuam a não querer admitir. Acabei de ouvir agora o Benjamin Netanyahu afirmar que esta operação “é uma vitória retumbante da justiça” e eu gostaria de lhe perguntar o que seria um fracasso. Já deveriam ter aprendido com o passado e abandonado o triunfalismo. A propaganda de Obama vai fazer deste fracasso uma vitória, como fez com os levantamentos em curso em vários países do Médio Oriente, mas isso não muda a realidade. Os serviços secretos norte-americanos não foram capazes de prevenir os acontecimentos do 11 de Setembro e agora não foram capazes de capturar e julgar aquele que foi o seu responsável. Só seria um sucesso se fossem capazes de o levar à justiça. (...)"

Entrevista a Robert Fisk no 5dias