02 outubro 2009

Mariano Gago adere ao M.A.T.A.

"(...) Ainda no ano passado me dirigi às instituições do ensino superior solicitando a melhor colaboração dos seus responsáveis no sentido do combate a praxes que, embora afirmando uma intenção de integração dos novos alunos, mais não são que práticas de humilhação e de agressão física e psicológica de índole manifestamente fascista e boçal, indignas de uma sociedade civilizada e inconcebíveis em instituições de educação. A tolerância de muitos tem-se tornado cúmplice de situações sempre inaceitáveis e que, nalguns casos, conduziram mesmo a acidentes extremamente graves que produziram danos físicos irreversíveis e danos psicológicos porventura menos visíveis mas igualmente graves. (...)"
Se o Mariano Gago estudasse na minha faculdade, há uma década atrás, não seria eleito ou reeleito caso se candidatasse a algum órgão ou cargo, como aconteceu com muitos estudantes que não toleraram nunca este espírito académico reaccionário feito de rituais (que inclui tanto a praxe como a benção das fitas).

25 setembro 2009

Ainda nos programas eleitorais



"12. CANCELAMENTO DA CONSTRUÇÃO DAS BARRAGENS
DO RIO SABOR, TUA E FRIDÃO


A barragem prevista para o Rio Sabor, o último rio selvagem em Portugal, é irrelevante para a produção de energia eléctrica, não serve para o abastecimento humano ou para a irrigação de campos agrícolas, não terá um contributo visível no cumprimento das metas nacionais estabelecidas no Protocolo de Quioto nem sequer serve para a regularização dos caudais do Douro. Deve ser por isso cancelada. O mesmo se aplica à barragem do Tua, que destruirá uma linha férrea histórica e uma paisagem única, e à barragem do Fridão, que afecta gravemente a população de Amarante. in programa eleitoral do BE, p.75


Talvez seja pouco este enunciado, conviria aprofundar as questões da energia e da necessidade ou não da construção de barragens. Conviria enunciar que a organização e planeamento do território tem de ser feito por todos (a comunidade) e não vir dirigido de um gabinete. Como ficámos a saber desde Côa não há empreendimentos insubstituíveis. E o Vale do Tua não devia estar integrado na paisagem património mundial que é o Douro Vinhateiro?

23 setembro 2009

II Colóquio«Os Comunistas em Portugal - 1921-200»

25 e 26 de Setembro de 2009
Biblioteca-Museu República e Resistência
Espaço Cidade Universitária - Rua Alberto de Sousa, n.º 10 A, Zona B do Rego
1600-002 Lisboa
Sexta-feira, 25 de Setembro

17h30 APRESENTAÇÃO E ABERTURA DOS TRABALHOS

17h45
António Monteiro Cardoso / Investigador do Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE e professor da ESCS do IPL
Desertar ou ficar. Os comunistas e a incorporação no exército colonial

18h15 Paula Godinho / Departamento de Antropologia e Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Alpiarça, 1950 - Entre configurações de classe, a «propaganda subversiva» eo instante duma bala

18h45 DEBATE


19h15 Sónia Ferreira / Investigadora, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas / CRIA da Universidade Nova de Lisboa
As invisibilidades da resistência no feminino: um estudo de caso

19h45 Miguel Cardina / CES - Centro de Estudos Sociais, Faculdade de Letras
da Universidade de Coimbra
A extrema-esquerda no Estado Novo: tortura, silêncio e memória

20h15 António Paço / Jornalista e historiador
Cunhal e o PCP durante o período da II Guerra Mundial

20h45
DEBATE // ENCERRAMENTO DO PRIMEIRO DIA DOS TRABALHOS
Sábado, 26 de Setembro

10h00 REINÍCIO DOS TRABALHOS

10h15 João Paulo Monteiro / Editor de O Comuneiro
Há um marxismo português? A influência das ideias socialistas em Portugal

10h45 João Madeira / Investigador do Instituto de História Contemporânea
O PCP, as Jornadas de Maio de 1962 e as «condições indispensáveis para o levantamento nacional»

11h15 José Manuel Lopes Cordeiro / Universidade do Minho
O combate do PCP ao «esquerdismo»: «O radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista» revisitado

11h45 Ricardo Noronha / Investigador do Instituto de História Contemporânea
O 28 de Setembro

12h15 DEBATE
13h00 PAUSA PARA ALMOÇO

15h00 José Neves / Historiador, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Comunismo e nacionalismo económico em Portugal

15h30 Raquel Varela / Investigadora do Departamento de História do ISCTE
Nacionalizações: controle operário ou salvação do capitalismo?
Estudo do caso das nacionalizações na Revolução portuguesa de 1974-75

16h00 DEBATE

16h30 António Barata / Membro do colectivo «Política Operária»
As políticas de frente popular

17h00 Ana Barradas / Membro do colectivo «Política Operária»
Caderno inédito de Francisco Martins Rodrigues sobre os primórdios do Partido Comunista

17h30 DEBATE

18h30 Encerramento dos trabalhos.

Organização: Política Operária, com a colaboração da Biblioteca-Museu República e Resistência.
Contactos: abarradas@netcabo.pt; penagomes@sapo.pt; baratantonio@hotmail.com; Telef. 214713129, Telem. 936094996, 960135270.
Estará disponível numa banca de publicações o último livro das Edições Dinossauro, Lutas Velhas, Futuro Novo, com algumas intervenções do I Colóquio.

22 setembro 2009

Terminou o reinado de José Manuel Fernandes

José Manuel Fernandes exagerou. Não tem feito outra coisa nos últimos anos mas a duas semanas das eleições e com golpes tão baixos revela um à vontade que só encontra explicação na posição de enorme poder que lhe tem sido dada. Demitir-se é o mínimo.
"(...) Noutras crónicas, o provedor suscitou já diversas observações sobre procedimentos de que resulta sempre o benefício de determinada área política em detrimento de outra – não importando quais são elas, pois o contrário seria igualmente preocupante. Julga o provedor que não é essa a matriz do PÚBLICO, não corresponde ao seu estatuto editorial e não faz parte do contrato existente com os leitores. É pois sobre isso que a direcção deveria dar sinais claros e inequívocos. Não por palavras (pois a coisa mais fácil é pronunciar eloquentes declarações de isenção), mas sim por actos." Provedor dos Leitores do Público, 20 de Setembro de 2009.

17 setembro 2009

Usos da memória:a «marca Portugal» no jogo das identidades



debate 17 de Setembro 5.ª feira 21h30

O passado histórico português tem sido alvo de inúmeras e distintas apropriações. As lutas pelas memórias da nação, tanto no âmbito da discussão académica como no desenvolvimento de debates políticos e ideológicos, suscitam interpretações do passado muitas vezes realizadas em nome de projectos contemporâneos de sociedade. No número de Setembro de 2009, o Le Monde diplomatique – edição portuguesa publicou um dossiê que pretende realizar um exercício crítico sobre estes «usos da história» que, longe de se confinarem a debates restritos, se projectam sobre formas generalizadas de entender e interpretar o mundo. Com o objectivo de aprofundar a reflexão sobre esta temática convidámos os autores dos quatro artigos que integram esse dossiê.DebateUsos da memória: a «marca Portugal» no jogo das identidades.
Com a participação de Diogo Ramada Curto, João Luís Lisboa, Miguel Jerónimo e Nuno Domingos. O debate terá lugar na zona do bar do Instituto Franco-Português (Av. Luís Bivar, 91 - Lisboa), no dia 17 de Setembro, quinta-feira, às 21h30.
A partir dos artigos sobre o tema publicados na edição de Setembro do Le Monde diplomatique - edição portuguesa: «A memória dos descobrimentos, da expansão e do império colonial, de Diogo Ramada Curto; «10 notas sobre os conflitos no tempo», de João Luís Lisboa; «As marcas de Portugal: ensaios sobre o esquecimento», de Miguel Jerónimo, e «Memória nacional e cultura mediática», de Nuno Domingos.

16 setembro 2009

Domigos Lopes deixa pcp

Vem hoje no Público. As críticas são conhecidas, não trazem nada de novo a não ser a curiosidade em saber se para Domingos Lopes todas as questões que enumera e com as quais disside da direcção actual do PCP eram suportáveis desde que se mantivesse candidato ao Alandroal. Ou o não ser candidato ao município foi a gota de água num processo de perseguição interna que faz parte do projecto político de depuração estalinista de que Jerónimo tem dado a cara, tão simpática para os opositores e comunicação social quanto inofensiva? Luísa Mesquita e Isabel do Carmo foram há quanto tempo?
Se fossem militantes novos ou sem grande experiência de militância voluntária ou profissional eu compreendia que acordassem um dia destes para o falso centralismo democrático ou para a estalinização do partido, assim é difícil. Tem estado Domingos Lopes a lutar furiosamente dentro do Partido para fazer vencer a sua visão sobre a Primavera de Praga? Tem estado à espera que os mortos ressuscitem?
Para alguma remissão Domingos Lopes escreveu sobre a viragem para trás que constituiu o XVI Congresso, também no Público.

14 setembro 2009

Um pequeno passo para os animais, um grande para a humanidade

14. PROMOÇÃO DO RESPEITO PELOS ANIMAIS
(...)
A responsabilização dos seres humanos pelas suas relações com outras espécies animais não pode ser nem antropocêntrica (considerando apenas interesses de forma parcial e especista), nem fetichista pelo sofrimento dos animais (chegando a ignorar a exploração dos próprios humanos). A exploração pecuária mostra uma outra face da realidade do modelo capitalista. Na União Europeia, cada cabeça de gado é subsidiada em mais de 2 euros por dia. Este valor excede o rendimento diário de dois terços da população mundial. Nada justifica tal custo: o consumo de carne em Portugal é excessivo, a produção de gado é a principal causa da desertificação e da poluição dos rios e contribui mais para as alterações climáticas que o sector dos transportes. Se a roda dos alimentos aconselha a que 5% das calorias que se ingerem venham da carne, peixe e ovos e se em Portugal a dieta real atinge os 15% nesta categoria, não há razão para atribuir
40% dos subsídios a este sector.
Da parte do governo só existe indiferença pelo tema. Tem protelado a prometida lei de protecção dos animais que puna actos de violência injustificada. A ASAE tem encerrado explorações pecuárias ilegais, mas nunca considerando os modos de tratamento dos animais. De resto tem havido total inoperância e cumplicidade na manutenção das terríveis condições em que animais são usados e abusados todos os dias.
ANIMAIS DE COMPANHIA
• Todos os cães e gatos devem receber microchip (apenas é obrigatório em cães que tenham nascido depois76 de 2008);
• Base de dados única para os dados destes microchips, que permita fácil e rápida consulta e introdução de dados pelos médicos veterinários municipais através da internet. Actualmente existem 3 bases de dados com graves lacunas, o que impede a devolução de um animal perdido ou roubado ou a punição de quem tenha abandonado o seu animal;
• Esterilização de todos os animais adoptados em canis e gatis municipais. Estas esterilizações devem ser feitas no próprio espaço do canil e gatil ou, na ausência de condições apropriadas, em clínicas veterinárias locais através de protocolos;
• Disponibilização da extensão dos protocolos de esterilização a outros animais de companhia;
• Definição legal das regras de tratamento de animais de companhia.
ANIMAIS NO ENTRETENIMENTO
• Fim do uso de animais nos circos, promovendo a qualificação de profissionais do novo circo;
• Apoiar a requalificação de praças de touros fixas com pouca ou nenhuma utilização em espaços culturais(como aconteceu com a criação de um Centro de Ciência Viva em Viana do Castelo);
• Fim de rodeos, de touradas de morte ou à vara.
EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL
• Criação de um banco de cérebros em Portugal para promover uma investigação científica séria, eficaz e segura na área das Neurociências (como Alzheimer e Parkinson), acabando com o sacrifício de centenas de animais por ano para efeitos deste estudo;
• Eliminar parte da criação de animais usados no ensino, promovendo protocolos com autarquias, clínicas veterinárias, etc., para uso de cadáveres de animais.
ALIMENTAÇÃO
• Fim da produção de ovos por galinhas de bateria (criação intensiva) promovendo a transição para produção de ovos “free-range” (criação extensiva);
• Subsidiar alimentos que promovam a saúde e as necessidades da população portuguesa e não os interesses dos produtores.

PROMOÇÃO DE RESPONSABILIDADE
• Criação de um abrigo preparado para receber animais domésticos e selvagens, de forma a impedir que, por falta de espaços, seja dada a guarda dos animais a quem os maltratou ou negligenciou.
• Incluir as associações de protecção de animais na lei do mecenato, tal como já acontece com organizações de defesa do ambiente e outras.
in programa eleitoral do Bloco de Esquerda, pp.74-75
• Proibição da criação de chinchilas, coelhos, raposas ou martas para pêlo.