16 julho 2009

Miguel Vale o que Vale Almeida

Diz o antropólogo que o Sócrates tem um estilo próprio sem obedecer a um guião estético ou a um foclore de referências específico. Talvez fosse acertado que consultasse os seus colegas especializados em matérias de folclore.
De resto nada do que é dito contraria os textos ou o pensamento a que Miguel Vale de Almeida habituou os leitores do seu blogue.

Cultura para e não de todos

Para seguir eventos gratuitos em Lisboa neste blogue.

05 julho 2009

Museu de Arte Popular

Há algo de muito interessante a acontecer, um grupo de cidadãos envolvendo-se para salvar, resgatar, requalificar o Museu de Arte Popular. A imensa dificuldade em lidar com este legado (a visão infantilizada de Povo que era aqui apresentada pelo Estado Novo, visão que servia na perfeição a ideia do povo pobre mas honrado, feliz nas suas tarefas do campo), a mudança da etnologia para o respetivo Museu Nacional no Restelo (edifício igualmente fantástico) com o seu enorme espólio fizeram deste museu (o edifício e o espólio) um fantasma que se tem mantido e reservado à incúria e ao abandono nas últimas décadas, para pobreza e infelicidade de todos nós.
Está em curso uma petição e foi criado este blogue para que não só a memória do artesanato e das práticas quase sempre sem registo escrito possa sobrevir mas para que, os lisboetas, as pessoas, possam decidir da vida da sua cidade (aqui dos equipamentos culturais mais permanentes).

02 julho 2009

Para continuarmos a comer bacalhau


Há escolhas de consumo que a maioria de nós não pode fazer. Mas é fácil deixar de comprar peixe no Pingo Doce e no Feira Nova enquanto não cumprirem requisitos de pesca sustentável. Não compre peixe no sítio do costume, obrigada Greenpeace.

28 junho 2009

Rodrigo Leão


Há autores que, apesar de não fazerem nada de realmente original há quase 20 anos, têm toda a imprensa com eles, ou porque convidam estrelas da música internacional para abrilhantar o cd ou/e porque aprenderam a dominar a máquina mediata e vazia da comunicação espectáculo.

21 junho 2009

Che Guevara dois filmes piores que um

Estive a ver os filmes sobre o Che Guevara filmados ao estilo da série 24 por Steven Soderbergh. Um gangue de narcotráfico perdido na selva seria igualmente empolgante... Estes dois filmes conseguem fazer da Revolução Cubana e da guerrilha treinada por Che Guevara nas montanhas bolivianas durante um ano algo de terrivelmente chato e desafeiçoado. Apesar da vida-como-ela-é ser, com frequência, no quotidiano enquanto acontece, bastante diferente das fantasias à volta de acções plenas de significado histórico e mitológico, o merchandising não é suficiente para vulgarizar ou banalizar alguém com a envergadura do argentino Guevara. Alguém que justamente, tendo filhos e uma vida relativamente tranquila por que esperar, passa um ano no meio de uma selva com fome e sacrifícios, arriscando a vida e acabando por perdê-la num processo que dificilmente chegaremos a perceber terá perdido por dificuldade de noção ou visão política ou se foi traído -pelo abandono dos apoios-e deixado à sua sorte. Benitio del Toro, belíssimo, com a ingrata tarefa de representar uma das pessoas com a imagem mais mediatizada do planeta, é firme, talvez lhe falte o sorriso e o sonho, como faltam nos dois filmes, que ficam tão desapaixonadamente aquém. O desfecho da guerrilha de Ghe faz-me acordar para a frase sobre o comunismo e a juventude do mundo. Não no sentido ontológico do mundo, como se fosse começar de novo, uma nova cronologia a.C. e d.C., mas que o comunismo é, em tempos históricos, muito jovem. Apesar de ser tão antiga como a história dos homens, o homem predador do homem e o homem lutando contra as suas circunstâncias e contra os seus predadores. De forma consequente, coordenada, ideológica e eficaz, esta história tem pouco mais de 150 anos. Estamos no princípio.

05 junho 2009

Eleições Europeias: derrotar o real

Acho que se deve votar. O voto branco, nulo e a abstenção são ignorados pelo sistema político. O voto será sempre uma escolha relativa, táctica, prática. Se excluirmos 25% de cidadãos bafejados pela graça, a imensa maioria não se identifica com nenhum programa, líder ou sub-líder, para andar por aí em comícios ou arruadas. Deixo de lado a fauna abjecta dos directores gerais e esposas, assessores, pequenos e médios autarcas e famílias, directores de hospitais e de agrupamentos de centros de saúde, administradores delegados filhos e filhas, brochistas e esposas. Essa gente é o esteio do regime. Vive da tença. O seu entusiasmo é proporcional às ajudas de custo. Organizam-se em sociedades discretas onde tratam dos valores e da sua reprodução. Deviam ser ignorados pelas pessoas de bem.
Deixo de lado os excursionistas, os pobres de espírito, o exército de reserva, os que fazem fila para um lugar na plateia e batem palmas, sorriem, dizem ohhhh de espanto a mando dos cartazes.
Deixo de lado os rapazes de família que vêem na chatice das tarefas partidárias a tarimba para um futuro radioso.
Deixo de lado os convictos. Os militantes dos partidos minoritários. Eu tive a fé deles e a doença deles.
Mas se excluirmos os pulhas, os excursionistas e os convictos que alimentam o espectáculo do regime, o que resta é a multidão que os suporta com indulgência e agora, ao que parece, se prepara para abster.
Como tomar banho na praia, beber um copo ou dormir são actos insignificantes, é preferível a insignificância do nosso voto. Um voto contra Sócrates, que representa o pior dos últimos trinta e cinco anos: inscreveu-se no PS porque se enganou na porta, assinou projectos que simbolizam a degradação imobiliária do país interior, transformou o PS no partido dos Coelhos e dos Varas, dos Campos e dos Vitais, esteve na trapalhada do Freeport, na entrega do CCB, criou a dona Lurdes e a dona Ana, privatizou o ar e nacionalizou o BPN, foi elogiado ad nausea pelo dr. Dias Loureiro. Aos socialistas que votam nessa sêxtupla de pesadelo que assombra as rotundas da pátria- Campos e Estrela, Gomes e Estrela, Capoulas e Estrela, Vital e Estrela, Elisa e Estrela – devíamos dizer: jamais esqueceremos
Assino por baixo do Luís em a Natureza do Mal