10 setembro 2007

Universidades In`nd Out

"(...) Entretanto, a lei, a incúria dos ministérios e a passagem do tempo foram consolidando as situações. Hoje, as Universidades privadas, mesmo a funcionar mal, têm direitos reconhecidos. Questões de titularidade dos estabelecimentos, de legalidade dos títulos concedidos, da correcção das equivalências conferidas, etc., são ossos duros que os tribunais roerão durante anos. Um despacho lépido de um Ministro, por muito enfático que seja nas palavras, parece-me curto para suster a força imobilizante dos direitos adquiridos. como nas urbanizações autorizadas sobre as dunas, nos parques naturais ou, até, no domínio público marítimo."
António Manuel Hespanha, "A (in)conveniente história das universidades privadas... in Revista História nº97 (Maio 2007)

O blogue do Gualter

O blogue do Gualter, do Gaia e Movimento Verde Eufémia. Para quem quer saber mais sobre os Trangénicos.

07 setembro 2007

América América



Não há séries norte-amercianas, daquelas que consumimos diariamente, que não traduzam o mal-estar da maioria do país em relação ao Iraque. E ao Afeganistão. Desde Erva, Ossos, Irmãos e Irmãs, Sete Palmos de Terra ou a Letra L, em todas há referências, de forma crítica mais ou menos aberta. No entanto, e já levado em conta que nos estúdios e produtoras onde se fazem estas séries e filmes, se encontra proporcionalmente mais gente da massa crítica, não deixa de ser estranha a forma ou o enfoque de que se reveste a maioria desta crítica. George Bush em Nova Orleães por ocasião da efeméride do desastre dizia qualquer coisa que começava assim: Eu vim a esta parte do mundo....Forma corrente de falar ou não, a forma como se refere a um estado dentro da federação dos estados que o compõem como uma parte do mundo não deixa de ser sintomático desta mundividência que creio, nos estranha enquanto europeus ou provavelmente estranha a qualquer habitante que se situe fora das fronteiras físicas da cabeça hegemónica do império. A mesma visão patente nos apontamentos à guerra feita naquelas séries. Eles incidem sobretudo sobre os custos que a guerra acarreta no próprio país, custos humanos e custos materiais. E se esses custos se justificam.
Caem para o chão soldados no Afeganistão para que nós possamos cair aqui a consumir. Apesar desta sentença lapidar sobre que way of life supostamente justifica uma guerra, a dimensão da guerra parece conter só a injustiça das mortes de soldados norte-americanos e os custos materiais que o país tem de enfrentar deixando para trás questões importantes (como se viu com o Katrina). Apesar de serem preocupações legítimas dos norte-americanos também seria legítimo ouvi-los questionar sobre os milhares de iraquianos que caem para o lado desde 2003, também seria legítimo ouvi-los questionar se as opções bélicas do seu país tornam o mundo um local mais perigoso e inseguro para viver. A hegemonia geo-política dos E.U.A parece ter ajudado a construir nos seus cidadãos a ideia de que o mundo é os E.U.A., que o que se move lá fora são recursos económicos imprescindíveis, impecilhos e obstáculos e alguns aliados (económicos fundamentalmente).

Visto que a noção de carácter nacional se tornou duma validade duvidosa, a noção de estilo nacional promete muito mais. É um postulado e uma explicação. Tenta estabelecer a ordem numa massa caótica de características ao determinar que uma nação se apercebe do mundo, e do seu lugar nele, dum modo que nunca é exactamente o de qualquer outra nação, tal como um dado indivíduo encara o mundo duma forma diferente da de todos os outros. Esta maneira constitui um processo de selecção e, por conseguinte, um processo de distorção, isto porque não só se deixam de fora coisas de possível importância como ainda as coisas seleccionadas se apresentam refractadas pelo prisma do carácter individual ou nacinal. (...)
Stanley Hoffmann, "O Estilo Americano: O Nosso Passado e os Nossos Princípios", 1968


28 agosto 2007

Quem vê quer ver

Paula Moura Pinheiro yeh.
Será das férias ou a rtp2 está uma delícia?
Só não percebi ainda porque é que aparece o texto a advertir cenas que possam ferir susceptibilidades antes da série The L Word. Também aparece esse texto nas corridas de touros? Ou no programa do José Hermano Saraiva?

23 agosto 2007

Viva Ecotopia

Portugal é tudo gente pacata. Este tipo de iniciativas não têm a ver com os nossos costumes.
Um encontro de ecologistas internacional conseguiu colocar nas agendas de verão dos portugueses as sementes transgénicas. Governo e oposição aceleram para ver quem é mais rápido a reclamar o "estado de direito". Ataque à propriedade privada, o crime de lesa majestade na tal de sociedade de "estado de direito". Não é crime que se legislem normas para a utilização deste tipo de sementes quando as reservas do ponto de vista da saúde, do equilíbio ambiental, do ponto de vista económico (com o uso de transgénicos passamos em algumas dezenas de anos para uma agricultura que, se hoje tem milhões de produtores em todo o mundo- qualquer um que cultive a tenha as suas sementes- para aquela que ficará resumida a quatro ou cinco marcas ou brands, com os respectivos direitos de comercialização e utilização) são inúmeras e há muitas questões por responder.
Graças aos activistas que destruiram um hectar de milho transgénico no Algarve agricultores e consumidores ficaram mais perto de saber o que são os alimentos trangénicos. Se o agricultor perdeu 4 mil euros em milho nós perdemos todos muito mais com o seu cultivo.

16 agosto 2007

Eleições Intercalares de Lisboa 2

Há um dogmatismo latente neste texto da Política Operária. Primeiro, mesmo para quem não acredita no sistema de representação política que o actual sistema de partidos representa, não deixa de estranhar que eles sejam demonizados de forma categórica mesmo num texto um pouco amenizado/mascarado como este. Segundo, confundir governo do país com o governo da cidade implica uma visão com a qual acho que não podemos identificar-nos, com o prejuízo da defesa das "terras queimadas" onde no fim não sobra nada. Eu estou contente com a coligação entre Sá Fernandes e António Costa. Prefiro-a à de António Costa com Carmona ou mesmo Roseta. Sá Fernandes dá-me garantias de representar mais proximamente aquilo que defendo para a cidade. Entre aquilo que se propõe e o que irá acontecer é um caminho que nos cabe acompanhar. Náo deixa de ser um sintoma de enorme cinismo (e derrota) achar que há programas políticos/proposições e pessoas à venda em saldos. E revela também que pouco interessa afinal o final do betão, o corredor verde, etc. Quando isso se torna mais fácil de atingir o que se vê é outra coisa- fututo governo ps, futuro be, coligações blá blá blá- enfim, o pior da política. Com outras palavras, se há quem veja no acordo uma futura possível coligação BE/PS, é também quem vê no trabalho de um vereador não o que ele está a dizer ou a fazer mas o que ele está a fazer em nome da imagem de um partido que concorre noutras esferas de poder.

27 julho 2007

Autonomia total para a Madeira já!

(à excepção de Porto Santo)


Há quem argumente que, uma vez que o cumprimento da lei do aborto acarreta despesas para os serviços regionais de saúde, a Madeira não tem obrigação de os suportar. Errado!Antes de mais, mesmo calculadas por cima, as previsíveis despesas seriam despiciendas para o orçamento dos serviços regionais de saúde, provavelmente menos de 0,1% (e não os inimagináveis 7/8% de que fala o Diário de Notícias, por manifesto erro de cálculo). Por isso, os Açores não levantaram nenhum problema de ordem financeira para executarem a lei.Depois, as Regiões autónomas têm obrigação de cumprir as leis da República através dos seus serviços, mesmo que haja eventuais custos adicionais. Acontece com a IVG como pode ocorrer com qualquer outra obrigação que venha a ser legalmente estabelecida (por exemplo, uma eventual vacina obrigatória contra o cancro do colo do útero). Trata-se de um ónus da autonomia regional. É para isso que as Regiões autónomas gozam de total autonomia financeira, dispondo de todos os impostos nelas cobrados (além das transferências do orçamento do Estado) e nem sequer contribuindo para as despesas gerais da República, que só o Continente paga.De resto, o mesmo sucede com as demais áreas onde os serviços públicos foram regionalizados (quase todos), como por exemplo a educação. Assim, quando o ensino secundário se tornar obrigatório, é evidente que as Regiões terão de arcar com os respectivos custos, sem poderem invocar esse facto como argumento para não cumprirem tal obrigação, ou para os custos serem financiados pela República.

17 julho 2007

A Comunista Guernica

No exame nacional do ensino secundário à disciplina de História da Cultura e das Artes do presente ano surpreende-nos a pergunta 3.
"Guernica, obra de Pablo Picasso, testemunha a destruição provocada pela Guerra Civil de espanha (1936-1939), convertendo-se, simultaneamente, numa obra comprometida ideologicamente, numa alegoria histórica e numa síntese formal dos principais movimentos artísticos da primeira metade do século XX.
Analise esta obra, relacionando-a com os seguintes tópicos:
-posicionamento de Pablo Picasso no contexto político e militar da Guerra Civil de Espanha;
-siginificado da obra enquanto símbolo de um acontecimento concreto;
-influências do Cubismo e do Surrealismo nela patentes.




Ficamos a saber de antemão que a representação de uma cena de destruição e morte causada por um bombardeamento é uma obra comprometida ideologicamente. Depois deste dado a priori tudo pode acontecer, mesmo esperar que quem tenha feito este exame tenha tido o entendimento menos enviesado e pequeno de quem o elaborou. E que dizer do Surrealismo tão categoricamente patente em Guernica? E que dizer do ensino oficial das artes ?