16 julho 2007

Eleições Intercalares

Os resultados dos candidatos independentes Carmona e Roseta não significam nenhuma ruptura com o sistema/modelo político-partidária na medida em que não prefiguram nenhuma candidatura realmente autónoma das estruturas e organizações ligadas aos partidos (neste caso aos dois partidos que partilham alternadamente a governação há 31 anos).
Helena Roseta, à semelhança de Manuel Alegre, não gerou nem representa um movimento de cidadania, representa o rearrumar de forças internas dentro de um Partido. Se o Partido Socialista deixou de ter espaço de afirmação para algumas tendências (e isso é significativo e expressivo do alcance ideológico que deixaram de querer ao menos subscrever-leia-se a assim a demissão de Ferro Rodrigues e a eleição de José Sócrates) essas tendências, por não estarem convocadas, realinham-se (com este insuportável concurso de egos - Alegre e Roseta são quanto a isso tão iguais aos partidos que até dói). E o eleitorado entende estas candidaturas, os 63% de abstenção não são disso alheios. Claro que isto não é um mal em si, haver Partidos com mais do que um candidato por estarem em causa disputas internas, desafios à liderança. Só não é legítimo que Roseta ou Carmona reinvindiquem ser a voz daqueles que estão fartos dos partidos porque não há quem melhor faça o papel triste dos partidos do que as suas próprias candidaturas. Aliás, eles representam bem a falência dos partidos. Falência da direcção de um partido quando quer afastar um presidente de câmara arguido num caso de corrupção (não é novo, Autárquicas de 2005-Felgueiras, Isaltino e Valentim Loureiro). A votação elevada nestes dois candidatos não representa nada de positivo (pese embora as boas intenções de esquerda de Roseta) porquanto não representam nenhuma ruptura com o sistema vigente nem são votos em nenhum programa essencial. São votos do eleitorado PS descontente (e Roseta e amigos canalizam isso ainda não se sabe para quê como no caso de Alegre) e são votos do eleitorado PSD descontente. São menos de metade da população votante lisboeta.

10 julho 2007

O que para aí vem

Sobre a notícia vinda hoje a público, relativa à entrega, por parte do Governo, da frente ribeirinha não portuária, ao mandatário da candidatura de António Costa, José Miguel Júdice.Ao longo desta campanha eleitoral, José Sá Fernandes tem vindo a confrontar os diversos candidatos com os sucessivos escândalos urbanísticos na frente ribeirinha da cidade.Um após outro, os candidatos têm vindo a rejeitar novas construções, dando a entender que não querem quaisquer outras urbanizações junto do rio. Agora, de repente, aquilo que se suspeitava veio a lume. O Governo prepara-se para entregar a área da frente ribeirinha não portuária aos interesses imobiliários, presididos pelo mandatário da candidatura de António Costa, o conhecido advogado dos construtores/especuladores da cidade, José Miguel Júdice. José Sá Fernandes tem procurado obter resposta do candidato António Costa sobre uma eventual urbanização na zona da Docapesca, o qual tem vindo a assegurar, sabe-se agora que seraficamente, que rejeita novas construções no local. Já se sabia que o PS não faz o que diz nas campanhas eleitorais, mas felizmente agora foi apanhado em flagrante. A sua ideia para a frente ribeirinha é vendê-la aos interesses imobiliários, ao contrário do que tem vindo a assegurar. A lista de António Costa configura o que parece ser uma "task-force" do Governo para encher de betão a frente ribeirinha, com Júdice, Salgado e companhia. E tudo indica que a política de Carmona é para ser continuada com o candidato Costa, o apoio activo do Governo Sócrates e o suporte legislativo da maioria absoluta do PS.
in lisboaegente.net

06 julho 2007

grau-1

Se Helena Roseta ocupa espaço nos seus cartazes com a frase "sabe quanto custou este cartaz?" não deve ter coisas mais importantes para dizer.

02 julho 2007

O Zé diz

Queremos saber o que pensa Ruben de Carvalho, Helena Roseta e António Costa, que dirigem as três candidaturas com as quais poderemos vir a convergir para uma solução, sobre seis pontos que para nós são pontos de partida para qualquer entendimento (...)
É disto que se trata: implementar o Plano Verde de Gonçalo Ribeiro Telles; ter uma posição clara em relação à permuta do Parque Mayer; travar a construção na frente ribeirinha; garantir nas novas construções ou em reabilitações, pelo menos 20% de área para arrendamento ou venda a custos controlados; apostar no transporte público de qualidade, construir linhas de eléctricos rápidos e parqueamento para residentes; extinguir empresas municipais desnecessárias e reestruturar a EPUL. São estas as seis condições fundamentais para acreditarmos que a próxima câmara será diferente. E só para termos uma câmara diferente podem contar com o nosso apoio

29 junho 2007

Eduardo Pitta #2

Este crítico será um exemplo em que nem sempre a lente de classe/ideológica consegue destituir todas as áreas de pensamento. Talvez aconteça eu gostar do que ele escreve sobre livros porque a sua área de pensamento política é muito inconsistente. Se ele fosse um direitoso a sério, com uma posição bem sustentada ideologicamente, provavelmente isso inundaria todas as categorias de análise do mundo ao seu dispôr.
Dou como exemplo este texto onde diz: Basta comparar o que se passa cá, em matéria laboral, com o que se passa nas sociedades avançadas, para avaliar o anacronismo de algumas conquistas. Inclino-me muito a acreditar que é uma tentativa de repetir o que reteve vagamente de pessoas que admira. Se assim não fosse teria de dizer o que entende por sociedades avançadas (se quiser falar nos nórdicos suecos ou finlandeses não estaremos em desacordo) e afinal dizer-nos que códigos de trabalho têm eles.
A nossa anacronia é a desta falta de pudor em repetir chavões por virem da zona da mesa de refeição com que nos identificamos sem verificarmos, por um momento, da imbecilidade que reproduzimos. É bem fácil de ver, com exemplos destes amiúde, que será mais fácil encontrar a justificação para o atraso económico a que chegou o país no atavismo e anacronismo da nossa massa empresarial-da nossa burguesia (tão bem ilustrada aqui neste crítico de mesa de restaurante)- do que nas condições em vigor e em desmantelamento no código laboral. Basta, como diz Pitta, olhar para as sociedades avançadas.

21 junho 2007

Ontem, o Outro era o judeu, o sindicalista, o anarquista, o comunista, o intelectual de esquerda, o homossexual, a prostituta, o agitador profissional. Hoje, é o pensionista, o desempregado, o funcionário público, o imigrante, o beneficiário do RSI, o trabalhador (por inerência excedentário).

O exacerbar das dificuldades da nação serve para exigir disciplina, sacrifícios, a aceitação de um “downsizing” continuado de rendimentos reais, direitos, garantias e qualidade de vida.

20 junho 2007

APE 2006


Maria Gabriela Llansol vence com livro "Amigo e Amiga"
A escritora Maria Gabriela Llansol, de 76 anos, venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) 2006, pela obra "Amigo e Amiga". É a segunda vez que a escritora é galardoada com este prémio.

19 junho 2007

14 junho 2007

Declaração de Voto


A política organizada em torno dos partidos encontra-nos, depois de 30 anos de democracia, tristemente incrédulos e desiludidos. Não adianta sequer chamar à equação a má qualidade dos políticos profissionais no activo. A habilitação académica do primeiro-ministro é eloquente não só da qualidade desta geração de políticos como do simulacro a que se prestam. Não adianta, porque haver gente mais competente a executar programas da mesma natureza não nos faria melhor e não adianta porque a responsabilidade do descrédito e abandono cabe a todos e a cada um de nós.
Neste contexto, da necessidade de repensar a participação política fora do contexto das máquinas partidárias oleadas e adaptadas ao sistema de representatividade e do respectivo estabelecimento de relações que faça funcionar a representação, a candidatura de José Sá Fernandes é um movimento e uma experiência interessante a seguir. Apoiada pelo Bloco de Esquerda esta candidatura é mais do que isso. Reune um conjunto de apoios que fogem aos campos eleitorais mais estanques. Como nas propostas de poder local se deveria ver. Há soluções e propostas que são transversais aos campos esquerda/direita. Apoiado pelo Bloco de Esquerda o candidato é independente. Não é porque não tenha um cartão de militante, mas porque tem uma agenda própria, uma cabeça própria. Provou nestes dois anos enquanto vereador sem pelouro que: trabalha muito e quase sempre bem e, mais importante que isso, que trabalha sem relações de representatividade a extorvar. Não há embaraços, não há rabos presos. Isso talvez explique porque o processo BragaParques, apesar de denunciado pelo PCP só tenha sido devidamente exposto pelo José Sá Fernandes (entre outras ilegalidades e zonas cinzentas).
Isto já seriam razões suficientes para ser o melhor candidato. Outras haverá a acrescentar, tem uma candidatura aberta e disponível para convergir com outras forças de esquerda (o pcp já fugiu a essa responsabilidade apesar de ter convivido bem durante muitos anos com o João Soares). Não há pessoas providenciais, nem Sá Fernandes é o Delfim da esquerda urbana na encruzilhada, nem sequer é um grande político no sentido da análise e da retórica e mesmo do mediatismo. Tem um percurso público visível (antes de ser o vereador sem pelouro na câmara de Carmona já era um homem implicado com a cidade de Lisboa e empenhado em amá-la).