07 junho 2007

Contra as Alterações do Clima e o G8

Sexta-feira, 8 de Junho de 2007
Dia Internacional de Acção Directa pela Justiça Climática
Contra as Alterações do Clima e o G8
A Humanidade enfrenta hoje o maior problema ecológico de todos os tempos. O Planeta está em risco e é urgente agir para combater as alterações do clima. Os impactos que já se manifestam são alarmantes e os cenários de futuro são assustadores: 19 dos 20 anos mais quentes registaram-se desde 1980, 1 milhão de espécies poderá extinguir-se até 2050, desertificação, escassez de água, cheias e inundações, …Se nada for feito, milhões de pessoas em todo o Mundo serão afectadas, sobretudo nos países e comunidades mais pobres: migrações forçadas, doenças, pobreza, fome…
Os países mais ricos, representados no G8, são os responsáveis históricos pela crise ambiental. E a cópia do seu modelo de desenvolvimento pelas economias ditas emergentes significa a catástrofe.
Energia e Alterações Climáticas serão os temas fortes na próxima reunião do G8, entre 6 a 8 de Junho, na Alemanha. Mas sabemos o que isto significa: os interesses dos mais ricos e seus aliados estratégicos não são os interesses das populações do Globo. O futuro de tod@s continuará a ser decidido à porta fechada por uns poucos: manter-se-á a busca do lucro fácil e imediato, o poder hegemónico das multinacionais que mercadorizam o mundo e a vida, a exploração desenfreada dos recursos colectivos e a poluição destrutiva, ….
O mercado continuará a ser a resposta de fundo à crise e ele significa duas coisas muito simples: o peso da redução das emissões poluentes será transferido para os países do Sul, sob uma nova forma de neo-colonialismo, e a redução não será rápida o suficiente para evitar consequências dramáticas sobre @s mais pobres.
Combater as alterações climáticas com justiça social significa reduzir já e radicalmente as emissões poluentes, sobretudo nos países mais ricos. Este é o apelo à justiça climática! Este é o apelo à mobilização social e acção directa contra o G8!
Dia 8 de Junho será o Dia Internacional de Acção Directa pela Justiça Climática , convocado pela Rede Internacional Rising Tide. Este é o apelo a acções autónomas, descentralizadas e criativas em várias cidades e locais do Mundo. Já estão marcadas iniciativas no Reino Unido, América do Norte, Alemanha, Canadá, Austrália e muitos outros.

06 junho 2007

8ª subida das taxas de juro desde Dez.2005

Para quem comprou casa a contar os tostões rés vés contando com emprego (minimamente seguro, mais ou menos precário) nos últimos anos pode sentir-se se não no pior dos mundos bem lá perto. 4% de aumentos em menos de 2 anos significa para muitos empréstimos aumentos em mais de 100 euros mensais. E o aumento das taxas de juro não vai ficar por aqui. Claro que, se tudo o resto não compreendesse aumentos desta natureza (combustíveis, energia, alimentação)e se os aumentos salariais acompanhassem de perto a taxa de inflação a situação só estaria habitualmente má. Mas a situação está extraordinariamente má. Peres Metelo dizia hoje na TSF que o crédito mal parado até desceu o que significa que as famílias portuguesas estão a aguentar razoavelmente os aumentos da taxa euribor. Os bancos estão a ajudar com novas condições contratuais para manter a mensalidade baixa (basicamente as novas condições implicam que estamos a amortizar muito menos às nossas dívidas e pagar mais e mais juros sobre ela...) E como as pessoas tem de viver em algum lado não há grandes hipóteses a não ser cortar no que não impeça a sobrevivência mais ou menos imediata.

29 maio 2007

A Casa Ocupada

Há uns tempos atrás, um par de anos, uns rapazes e umas raparigas ocuparam um pequeno palacete abandonado ali na Rua do Passadiço. Miúdos de instituições por ali a apontar às janelas, tudo partido, matagais nos jardins, lixo. Estes rapazes e raparigas limparam tudo, transformaram mais um espaço devoluto da cidade num espaço de encontro entre pessoas, num espaço de vivências, de gente. Aprenderam a organizar-se em conjunto, realizaram debates, (consegui assistir/participar num deles, sobre o projecto da Constituição Europeia) organizaram actividades abertas à comunidade, fizeram festas onde se juntaram pessoas das mais diversas origens.Tudo voluntário. O agente imobiliário representante dos proprietários visitou o palacete e disse a estes rapazes e raparigas que a sua presença até siginificava alguma protecção do imóvel e do seu património.
Um dia, acho que pela noite, um corpo especial da polícia invadiu o espaço e com armas e lanternas apontadas a quem por ali pernoitava despejou e deteve aquela gente. Ainda em tribunal correm processos contra alguns deles.
Mais de um ano depois a casa palácio da Rua do Passadiço está entaipada. Abandonada. Tijolos tapam todas as entradas. Esta é a nossa cidade. E era muito bom que os candidatos que se assomam agora tivessem algo a dizer sobre esta Casa. Sobre esta polícia. Sobre os processos em tribunal. Lisboa já nada tem de menina e moça.

22 maio 2007

Velhos Hábitos

O Victor Dias eliminou os comentários deste post depois de eu ter deixado lá um comentário. Dizia assim: 1. A história da inviabilização de um eventual acordo/coligação BE/PCP para a cidade de Lisboa está mal contada; 2. O julgamento sumário das intenções de Sá Fernandes ao propôr um acordo à esquerda é um expediente ou velho truque para não avaliar ou pensar na proposta em si. Ou seja, é mais fácil ao Vítor Dias (como será para p o PCP) disparar na direcção de quem propõe do que propôr. Isto já diz muito da situação frágil em que se encontra o PCP e a candidatura de Ruben Carvalho em Lisboa (que estimo terá ainda piores resultados que a anterior).


Correcção: o post e os comentários estão lá.

14 maio 2007

"O Corpo Humano como nunca o Viu"


A exposição de um fóssil humano, de um esqueleto num contexto arqueológico, de uma múmia é sempre uma exposição sobre aquele ser-humano. O centro da investigação, o interesse vai ao encontro da vida que pertenceu àquele corpo (ou vice-versa). O seu corpo não é separável de si ao contrário da exposição que está em Lisboa onde corpos que pertenceram a pessoas (ou vice versa) são utilizados separados de si.
O corpo não é separável do espírito, como quer a Igreja. Há o espírito que opta por doar o seu corpo a ciência e ela recebe-o. E os profissionais terão de operar a cisão para bem do seu ofício. Como nós, nos afazeres vários temos de separar tantas vezes as partes do todo e deixá-las assim. Mas existe realmente algum interesse em ver corpos verdadeiros embalsamados? Corpos a que(m) foi retirada a dignidade ao serem separados de forma gratuita da vida que lhes deu razão. Sinal, muito provável, que a dignidade há-de ter sido roubada ainda em vida.

04 maio 2007

25 Abril 2007 Rua do Carmo

Quando a ordem é injusta, a desordem já é um começo de justiça
(Romain Rolland)
imagem de cravadonocarmo.wordpress.com

03 maio 2007

Eu não penso que exista um "caminho" para uma sociedade mais justa, porque não penso que "uma sociedade mais justa" seja um local onde se chega, um dia inicial inteiro e limpo onde livre habitaremos a substância do tempo. Eu desejo uma política que se encarregue de identificar as várias formas de dominação e lhe oponha outras tantas de luta e resistência. Uma política que faz do aqui e agora o seu espaço e tempo de intervenção. E aqui, como se quer, pergunto mais do que afirmo