28 dezembro 2006

Ford II - isto "vai de carrinho, vai"...

Curti sobretudo (isto da ignorância dá em descobertas destas assim tardias...) aquela de ele ter perdoado completamente o Nixon, dispensando-o de qualquer julgamento ou responsabilização. É bonito ver uma amizade assim. Amizades destas já não se fazem, que o diga o Saddam.

Ford I - o jornalismo

Nas notícias de ontem há uma coisa que me ficou a incomodar: então o Ford foi o único presidente dos EUA que não foi eleito? Que injustiça, esquecerem-se assim de um tipo, só por ser deficiente mental: o Bush também não foi eleito para o primeiro mandato!

27 dezembro 2006

A accountability de Paulo Gorjão

Para o Bloguítica a principal causa de insucesso escolar ao nível do ensino superior é o valor das propinas ser baixo. Se representassem o valor que o Estado investe em cada aluno resolvia-se o problema do insucesso. Será que podemos aplicar o mesmo mecanismo para resolver o mesmo problema dentro da escolaridade obrigatória? É que os números de insucesso e abandono escolar são muito idênticos... O caldo de mentalidades que subjaz esta ideia não é novo mas tem sido fortemente incutido nem sempre assumindo a sua ideologia essencial. Talvez o autor nem seja um pensador das essências mas tão somente um pensador dos produtos influenciado e iluminado pelo sabor dos tempos. Antes do cidadão o contribuinte e antes dos direitos os serviços. Muito bem. Mesmo que esta seja a sua premissa considerar as taxas de insucesso escolar no ensino superior sem considerar estudos já elaborados sobre o assunto não é bonito para um jornalista. E estudos e números apontam, essencialmente, para um crescimento enorme do número de estudantes-trabalhadores (diferente do conceito de trabalhador estudante-aquele que já trabalha e tem as suas obrigações familiares quando ingressa num curso superior) aqueles que a meio dos estudos têm de trabalhar para sustentar os mesmos atrasando ou impedindo mesmo a conclusão do curso. Ao mesmo tempo, e relacionado com este primeiro motivo, a falta de perspectivas profissionais à saída da licenciatura. Se eu não vou melhorar a minha vida profissional a conclusão do curso pode ficar para segundo plano. E neste momento até existem pessoas que podendo fazer uma ou duas cadeiras por ano só optam por não o fazer porque o valor da propina é o mesmo independentemente do número de cadeiras e não há dinheiro, como diz exactamente a Bloguítica, para fazer o curso em 7 ou 8 anos. Portanto não se faz.
Há lugar para chamar a atenção ainda sobre valores comparativos entre a percentagem que o Estado gasta em cada aluno e a taxa de esforço das famílias e aquilo que gastam os nossos parceiros europeus para dizer que o nosso Estado aparece nos mais fracos contribuidores para o Ensino. Mas se Paulo Gorjão quer dar lições sobre Ensino Superior ao resto da Europa espero que tenha um diploma bem caro e bem tirado.

24 dezembro 2006

Natividade

No dia 20 este blogue fez três anos. Reparei. O Rui começou-o experimentalmente. Eu juntei-me. Sem projecto aparente. Bitaites. Mais tarde veio o Deco-Renegade. Depois juntámo-nos a outro projecto colectivo. Mais coerente abrangente e unitário. Depois eu voltei para as cores amarelentas desta página. Depois veio a Helena. Sem planos. Só bitaites. E estarmos em contacto. Como ter a linha telefónica activa. Bom, leitores e leitoras que se sentem menos assediad@s do que mereceriam, agora vamos ao bacalhau que o menino não tarda.

23 dezembro 2006

Cantiga de amigo

Ainda não sei dizer o teu nome no passado.

Queen
No-one but you

ABSOLVIDOS!

Nem podia ser de outra forma! A manifestação é um dos direitos básicos que as democracias têm, para poderem sê-lo.

A escolha de dois manifestantes entre dezenas foi completamente arbitrária, e esteve na base do julgamento.

De qualquer modo, não deixa de ser absurda uma legislação que permite levar manifestantes a tribunal, apenas por serem manifestantes.

21 dezembro 2006

Brinquedos de qualidade: afinal foi só uma moda...

Depois do comentário que fiz ao post da J. já aqui em baixo, lembrei-me de uma coisa que me anda a chatear à brava desde que nasceu a B., há 4 anos. Quero comprar-lhe brinquedos, de vez em quando, e que sejam educativos. Nada de merdas que lhe metam na cabeça que tem que ser anorexica (Barbies), ou saber passar a ferro, lavar e esfregar (panelas e tachos de brincar e similares). Quero aquelas coisas divertidas e que não lhe toldam logo a cabecinha.
Na minha ingenuidade de trintona, lá ía , obviamente (achava eu) à procura de Legos. Faz-se o que se quiser, constrói-se segundo os modelos ou não, e as personagens ou as histórias das brincadeiras são totalmente a inventar. No meu tempo os Legos ilustravam a vida das pessoas (todas) do campo, da cidade, em épocas diferentes... E as peças eram suficientemente incaracterísticas para permitir a imaginação tomar conta. Quantas discussões não tive cá em casa porque o meu castelo medieval era para o meu irmão uma garagem de carros!

Agora há duas possibilidades: monstrengos horrorosos e já com as peças todas destinadas a um só sítio para rapazes; casas de banho para limpar, tábuas de passar a ferro e cozinhas para as meninas.
Não só as peças não são indiferenciadas, o que não permite usá-las de muitas formas, mas ainda por cima, os meninos têm que ser feios, porcos e maus, e as meninas lindas de morrer e boas donas de casa.

E isto, só para falar dos brinquedos que eram reconhecidamente de qualidade, divertidos, e puxavam pela imaginação!

20 dezembro 2006

Menos perto do que é importante

Se há publicidade que me tem irritado solenemente e de forma continuada é a da TMN desde que mudaram de rosto e de imagem. A mudança do seu target para o universo juvenil (sendo nestas camadas que se gasta muita pipa de massa e que se pode promover a a habituação a novos serviços) faz de cada reclamo novo um atentado aos consumidores mais ou menos voluntários da publicidade. Se há aquela que diverte e desanuvia a da TMN dá vontade de ir ver o S.Gregório. A vida-como-ela-é é tudo menos a vida como ela é. O até já roubado às nossas frases diárias para marca de uma empresa é insidioso e repugnante. Agora imaginem os trabalhadores da TMN quando alguém amigo lhe diz até já. E depois da publicidade com caras idílicas abaixo dos 25 anos vieram as lojas tipo bar dos morangos com açúcar mas em tons de azul submarino. Os trabalhadores abaixo dos 25 anos e vestidos com roupas de skater azul submarino. Decidiram especializar-se num tipo de clientes (TMN concurso de bandas de garagem) e numa estação do ano ou estão a adaptar-se ao país irreal que temos?

19 dezembro 2006

Anos 80: Uma tipologia

A maior tentativa de empreender uma visão sobre a década, segundo os curadores, a exposição em Serralves é arrojada e complicada de receber. Será por não estarmos tão longe dessa década ou porque (ainda) reinam as categorias que por muito tempo estiveram associadas a uma obra de arte (como o belo). A comunicabilidade continua a parecer um princípio sólido e seguro. E comunicam. Não da forma violenta e imediata que a maior parte da arte plástica e visual dos anos 60/70. Merece a visita. Até 25 de Março.





"Apresentando obras pertencentes ao último momento histórico antes da globalização, "Anos 80: Uma Topologia" organiza-se em torno de grupos geográficos (o mapeamento geográfico da arte mundial, porém, é abandonado sempre que um argumento estético se revela mais forte do que o argumento topológico). A exposição mostra – com raras excepções – obras originárias da Europa e das Américas. Apesar de adoptar uma perspectiva europeia, inclui contributos de todo o universo da arte e ao mesmo tempo abre algumas janelas para locais de menor visibilidade, como Istambul (Gülsün Karamustafa), Atenas (George Hadjimichalis, Apostolos Georgiou), Santiago do Chile (Eugenio Dittborn), Moscovo (Ilya Kabakov) ou Abidjan (Frédéric Bruly Bouabré).
A exposição centra-se em obras que dão forma, em particular, à incerteza contemporânea acerca do lugar da arte na sociedade contemporânea e, de uma maneira geral, às incertezas culturais e políticas da época. Assim, nem inclui obras que pretendem oferecer novas (velhas) certezas (por exemplo, o regresso a tradições e mitologias locais, formas de arte estabelecidas e representadas na Transavanguardia italiana, na Wilde Malerei alemã, ou a obra de americanos como Julian Schnabel, David Salle e Eric Fischl), nem inclui obras que reagem com um distanciamento cínico à situação contemporânea (Jeff Koons). Aquilo a que aqui se assiste (após o período da arte conceptual, baseada na linguagem dos anos 70) é o regresso do objecto – mas um objecto que gera um lugar suspenso, um lugar sem lugar, o não-lugar da atopia.
Assiste--se ainda ao regresso do corpo – mas um corpo fragmentado, traumatizado, hibidrizado. Nessa medida "Anos 80: Uma Topologia" apresenta – em contradição com algumas das leituras comuns na década – uma perspectiva particular e partidária sobre um período rico em obras enformadas por referências críticas à arte mais avançada dos anos 60 e 70 (e não o seu desprezo ou a sua rejeição), criando novas constelações com base em precedentes da história recente."

Foi você que pediu um sorriso



desta mulher?

18 dezembro 2006

Pronto, lá ficou o bichinho acordado!

Poucas coisas na vida são tão boas como um palco. Ou tão assustadoras...
E agora, miúda?