14 agosto 2005
09 agosto 2005
e se fosses uma arma que arma serias?
Your personality is best represented by the traditional Japanese Katana. You are brave beyond words and rarely (if ever) act for your own personal gain. Your honor is very important to you, and you strive to better yourself and help others. You try not to let emotions get in the way of making a sound decision, and are usually quite successful.
What sort of Weapon best Represents your Personality? (anime pics!)
brought to you by Quizilla
Eu preferia era ser uma fisga
Danielle Miterrand escreveu
Texto de Danielle Miterrand, esposa do ex-presidente François Miterrand,ao povo francês, após ter recebido críticas impiedosas por ter permitido a presença da amante do marido e de sua filha Mazarine, na cerimônia fúnebre.
"Antes de mais nada devo deixar claro que não é um pedido de desculpas. Muito menos um enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros.
Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma existência que é um sulco bem traçado e profundo, já não mais preciso, e nem devo, correr atrás de possíveis enganos. Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e que as ausências são lindas expressões de perenidade e criação. Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens.
Vivi com François 51 anos e estive com ele em muito desse tempo e me coloquei sempre. Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se situam embora componham o cenário da situação presumível. Uma vida de altos e baixos.
Na época da Resistência nunca sabíamos onde iríamos passar a noite se na cama, na prisão, nos bosques ou estendidos por toda a eternidade. Quando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a consciência de que é preciso viver depressa. Concentrar talvez seja a palavra. Por isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua complexidade, com as variações de sua pessoa e não de seu carácter...quem entende ou, pelo menos luta para compreender as variações do outro, o ama realmente. E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou. Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro, familiar ou irmão. Ou jamais os conhecemos, o eu também, não é um engano. Quem não conhece, não tem enganos. Nas variações do outro, não cabe o apaziguador que destrói tudo antes do tempo em forma de tranquilidade. Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não, enfastiada. Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante quanto da política. Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar, se encantar com outras pessoas, sem deixar de me amar.Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo.
É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d'água que se incorpora ao nosso lago.
Simone de Beauvoir dizia bem que temos amores necessários e amores contingentes ao longo da vida. Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem"Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderia ir ao enterro porque a mulher dele não aceitava".
É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo. Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo".
04 agosto 2005
02 agosto 2005
28 julho 2005
09 julho 2005
Crónica de Inês Pedrosa
A melhor estratégia é não ter estratégia. Quando a estratégia é postiça em relação à mensagem que se pretende transmitir, acaba por estalar, como verniz velho – e, o que é pior, acaba por corromper aprópria mensagem, porque o público-alvo acaba por se sentir enganado.Isto é válido para públicos compostos por um ser humano como para multidões: para dar um exemplo corriqueiro, se o Joãozinho se apaixonapor nós porque soubemos fazer de conta que éramos umas vampes indiferentes como a Mariazinha por quem ele se embeiçou antes, vaifartar-se de nós no dia em que descobrir que somos umas fogosas apaixonadas. Se formos um bocadinho inteligentes, acabaremos por descortinar que o Joãozinho é apenas uma fruste perda de tempo: afinal,quem quer amar alguém que não sabe amar perdidamente? Estratégias leva-as o vento, e o que fica, de uma maneira ou de outra, é o resíduoda nossa verdade. Ninguém aguenta sentir-se enganado; qualquer verdade ingrata é pior do que uma mentira grata, e a mentira, neste país emforma de mesa de repasto, tem a pernita curta. Quando me convidaram para apadrinhar a Marcha Gay e Lésbica deste ano, logo uma sequência de vozes familiares e amigas se erguerampara me dizer uma destas três coisas, ou todas elas: a) que uma marcha éuma má estratégia de defesa de direitos porque expõe muito as pessoas;b) que aparecer ao lado «deles» (suponho que queriam dizer «essa gente diferente e de maus costumes») prejudicaria a minha «imagem»; c) que aoRui Zink não faria mal, porque é homem, mas que, sendo eu mulher, tinha que pensar na minha «reputação».No fundo, não é de espantar: a Marcha ocorreu no fim da mesma semana emque múltiplas e supostamente democráticas vozes vieram dizer que odireito à greve fenece quando a dita greve prejudica «os mais fracos» –no caso, os estudantes. Estabeleceu-se mesmo uma nova noção de «serviços mínimos» que abrange os exames. Pergunto: se os estudantes fizerem exames uma semana mais tarde, já esqueceram a matéria toda? Alguma greve alguma vez prejudicou apenas «os mais fortes»? Para que serve uma greve que não prejudica ninguém? Claro: se o governo que assim se move contrao direito à greve fosse assumidamente de direita, já estaria o povo todo,comentadores incluídos,a bradar que o fascismo estava de regresso. Como se trata de um governo do Partido Socialista, arranjam-se milhares de justificações.O meu irmão costuma dizer que «só justifica quem perde». Considera-se que uma Marcha é uma alegria popular se forpara dançar o vira ou para clamar por abstracções, como a «Paz». Mas se for para lutar por direitos – como esse, tão concreto, tão constitucional, do casamento civil entre pessoas que se amam, independentemente do sexo – já é uma pouca-vergonha. Incomoda, porque aparecem sempre uns travestis emplumados. As heterossexuais nuas que surgem nos desfiles de carnaval são consideradas espectáculo de família.Porque é que um transexual incomoda tanta gente? A mim, o que me incomoda é que Portugal seja ainda tão pouco exibido, tão cheio de entrementes, bichanices covardes, esquemas ocultos... enfim,estratégias. E lá fui marchar. Pude assim verificar in loco que as plumas e pailletes que tanto perturbam o sossego familiar das famílias ditas tradicionais se resumiam, numa marcha de quinhentos seres humanos, a meia dúzia de pessoas. Aproveitam o pretexto para ter os seus cinco minutos de glória e promover os seus shows. Tomar os travestis como paradigma homossexual é tão disparatado como considerar o Avelino Ferreira Torres da Quintadas Celebridades como modelo dos autarcas portugueses. Parecem sempre muitas, estas figuras folclóricas, nas televisões, porque é sobre elas que as câmaras caem – e evidentemente que entrevistar travestis sobre o casamento ou a adopção por homossexuais só serve para assustar apopulação e criar mais homofobia. Pude também verificar que, se há ainda pouca gente para marchar por estes temas de direitos humanos, há muita gente disposta a engrossar a marcha dos voyeurs, seguindo o cortejo, no recato do passeio, de câmara em punho, avenida abaixo. Com tristeza verifiquei ainda a total ausência das figuras gradas da política. Não estranhei a ausência do Presidente da Câmara até porque, como Rui Zink explicou à SIC, ninguém sabe quem é actualmente o Presidente da Câmarade Lisboa. Mas onde se meteram, nesta tarde de luta pela não discriminação, todos os estrénuos democratas do país? Outras vozes, um pouco mais elásticas, aconselharam-me a que discursasse sempre e só a favor do casamento e nunca a favor da adopção– porque esse é terreno estrategicamente minado: «Que se casem, estábem, mas que adoptem crianças já não me parece bem porque as criançasficam marcadas...». Este discurso é igual, no tom e no conteúdo, àqueleoutro que reza assim: «Eu não sou racista, mas não gostava que a minha filha se casasse com um negro, porque os filhos deles iriam ser discriminados...». Quantas crianças vivem só com a mãe? E aquelas – as da Casa Pia, por exemplo – que nunca conheceram pai nem mãe?E as Vanessas e Joanas que são brutalizadas e mortas pelos pais? Normalmente,os homossexuais e lésbicas têm irmãos heterossexuais – o que prova que a orientação sexual não depende da educação. Se a adopção por casais do mesmo sexo estivesse instituída, as crianças não se sentiriam discriminadas por terem uma família «diferente».Claro que não se pode entregar uma criança de ânimo leve – mas são os valores e o estilo devida dos adoptantes o que interessa, não a sua orientação sexual.Pensem. Se todos fizéssemos um esforço por pensar clara e livremente, libertando-nos do peso fatídico das ideias feitas, Portugal seria umoutro país – muito mais justo, e tão belo como a Avenida da Liberdade, cheia de gente unida pelo direito ao Amor, numa tarde de sol e vento.
Uma crónica muito boa tirando a comparação entre os travestis e o Avelino Ferreira Torres, não quer dizer que não esteja certa em dizer que nem travestis nem dragqueens são paradigmas da suposta cultura gay mas fazem parte dela de corpo inteiro, assumido, alegre, corajoso e a comunidade lgbt devia orgulhar-se das suas plumas. O que já não podemos dizer dos autarcas em relação ao Avelino e a outros como ele.
04 julho 2005
30 junho 2005
Fiquei com pena quando este blogue fechou portas.
17 junho 2005
Feira do Livro
Porque é que a feira do livro de Lisboa não é um momento único no ano dedicado ao Livro, com eventos e acontecimentos em torno do livro que transformem a cidade nessas duas semanas?
É impressão minha ou a feira do livro tornou-se um espaço essencialmente para quem habitualmente já compra livros e espera até fins de Maio para o fazer com menos 20%?
Não deveria ser um espaço de criação de novos leitores, novos públicos, de divulgação de novos autores, de novas editoras? Não deveria ser um espaço de encontro entre autores, leitores, editoras, livreiros? Parece mais um sitio onde as editoras vão contrariadas, perder algum dinheiro em tempo de crise, montar uma venda com descontos.
Lançamentos, presença de autores nacionais e estrangeiros, festa, imaginação contaminando a cidade e não só o Parque Eduardo Sétimo.
É impressão minha ou a feira do livro tornou-se um espaço essencialmente para quem habitualmente já compra livros e espera até fins de Maio para o fazer com menos 20%?
Não deveria ser um espaço de criação de novos leitores, novos públicos, de divulgação de novos autores, de novas editoras? Não deveria ser um espaço de encontro entre autores, leitores, editoras, livreiros? Parece mais um sitio onde as editoras vão contrariadas, perder algum dinheiro em tempo de crise, montar uma venda com descontos.
Lançamentos, presença de autores nacionais e estrangeiros, festa, imaginação contaminando a cidade e não só o Parque Eduardo Sétimo.
15 junho 2005
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