17 junho 2005

Feira do Livro

Porque é que a feira do livro de Lisboa não é um momento único no ano dedicado ao Livro, com eventos e acontecimentos em torno do livro que transformem a cidade nessas duas semanas?
É impressão minha ou a feira do livro tornou-se um espaço essencialmente para quem habitualmente já compra livros e espera até fins de Maio para o fazer com menos 20%?
Não deveria ser um espaço de criação de novos leitores, novos públicos, de divulgação de novos autores, de novas editoras? Não deveria ser um espaço de encontro entre autores, leitores, editoras, livreiros? Parece mais um sitio onde as editoras vão contrariadas, perder algum dinheiro em tempo de crise, montar uma venda com descontos.
Lançamentos, presença de autores nacionais e estrangeiros, festa, imaginação contaminando a cidade e não só o Parque Eduardo Sétimo.

17 maio 2005

e eles aumentam as propinas

"Dois em cada cinco dos estudantes do ensino superior não acaba o curso por não ter dinheiro"

estudo divulgado ontem

08 maio 2005

DERSU UZALA - A ÁGUIA DAS ESTEPES

SEXTA 13 18H30 NO CINEMA QUARTETO
Legendado em Português

Desde há vários anos ausente do circuito comercial, esta obra-prima poderá agora ser (re)vista graças aos esforços do ABC Cine-clube.

A acção decorre nas estepes da Sibéria no limiar do séc. XX, sobre a relação entre um jovem oficial czarista (Yuri Solomin) que chefia uma expedição cartográfica e um velho lenhador (Maksim Munzuk) de uma tribo local, contratado como guia da missão.

Originários de universos totalmente diferentes, os dois homens acabam por partilhar fraternalmente os mesmos perigos e emoções, cimentando uma profunda amizade nascida da sua vivência, vulnerabilidade e resistência ante uma natureza adversa e imensa.

Filmado na sequência de uma depressão por que passou o cineasta e o levou a uma tentativa de suicídio em 1971, perante a indiferença dos estúdios nipónicos, Dersu Uzala – produção da Mosfilm, URSS – obteve enorme e inesperado êxito internacional, vencendo o Óscar Para o Melhor Filme de Língua Estrangeira (1975), bem como o Grande Prémio do Festival de Moscovo.
Para encerramento do ciclo Cinema e Ambiente, iniciado no princípio de Abril, com sessões no Cinema Quarteto e na SPA – Sociedade Portuguesa de Autores, o ABC Cine-Clube de Lisboa exibe o célebre filme de Akira Kurosawa, Dersu Uzala – A Águia das Estepes.

FICHA TÉCNICA
Realização: Akira Kurosawa.
Direcção de Produção: Yoichi Matsue, Nicolai Sizov.
Guião: Akira Kurosawa, Yuri Nagibiu, segundo o relato de viagem do explorador Vladimir Arseniev.
Fotografia: Fyodor Dobronravov, Yuri Gantman, Asakasu Nakai.
Música: Isaac Schwartz.
Intérpretes: Yuri Solomin, Maksim Munzuk, Suimenkul Chokmorov, Svetlana Danilchenko.
Produção: Japão / URSS (Atelier 41 / Daiei Studios / Mosfilm / Satra), 1974, 137 min.

05 abril 2005

Beatriz Batarda 3




Por causa dela fui ver um bom filme português. Realizado em 2004 por Margarida Cardoso, a sua primeira longa-metragem, A Costa dos Murmúrios é, sem máculas, um filme bem feito. Não li a Lídia Jorge, mas pressinto que exista uma proximidade grande ao romance. Fernando Lopes fez a maior proximidade que conheço nesta área no Delfim. Retirando umas inspirações de sabor dejávu-o casamento no terraço, a invasão felliniana de gafanhotos-todo o resto tem a capacidade, não só de estabelecer um ritmo próprio narrativo como criar uma ambiência coerente, e fazer viver-nos ela. Não há actores maus ou deslocados, a fotografia cola-se à pele como o calor que quase sentimos vir do Moçambique recordado pela(s) autora(s). Difícil é filmar melhor o vento como aqui.

28 março 2005

Mais um norte-americano

Emprestado de um amigo veio parar-me às mãos a Trilogia de Nova Iorque, que andava para ler. Vim ao blogue procurar o que Deco em Agosto passado escreveu sobre ele. Na mouche diria, ou perto. Algum desapontamento. A habilidade narrativa cria expectativas que ficam sós e abandonadas. Como a história da montanha quando decide parir. A montanha é, para além da estrutura dos contos, o fio em que nos prende sem nos deixar sair dele, mas o rato chega quando o fio não chega connosco ao final ou à falta dele deixando-nos a sensação de que foi perfeitamente indiferente chegarmos até ali e se voltássemos atrás o fio teria sido já comido pelas traças

26 fevereiro 2005

Arthur Miller

Gosto dos americanos, do Truman Capote, do Charles Bukowski, e deste homem de quem deixo um pedacinho do conto "Plain Girl"

- Não são só os radicais Janice. As pessoas têm de acreditar na bondade
As pálpebras dele piscavam mais depressa quando estava excitado, o que era o caso, e pareciam asas de pássaros. - A maioria das vezes ficam desiludidas mas, algures no enleio das crenças, todas são ingénuas. Até os mais cínicos. E as memórias da nossa própria ingenuidade são sempre dolorosas. E daí? Preferias não acreditar em nadaEla enterrou a cara na dele. A aceitação dela por ele, pensou ela, era como uma maré
Um dos piores dias que ela recordava tinha sido quando a telefonia tinha dado a notícia espantosa de que Estaline tinha assinado o pacto de não agressão com Hitler. Estaline tinha sido sempre o baluarte contra os mal-intencionados nazis, bem como contra as snobs e corruptas classes altas inglesas e francesas que secretamente desejavam o fascismo para os seus próprios países. O pacto trazia consigo a ameaça de uma nova irracionalidade em muitos espíritos da cidade e do próprio mundo.

25 janeiro 2005

Maria Albertina deixa que te diga

A emi "descobriu" originais do António Variações e convidou alguns músicos a darem corpo a esse projecto. Ficamos com pena que a editora tenha esperado mais de 20 anos para dar a conhecer estas músicas, e vêm fresquinhas directamente de há duas décadas atrás (mesmo com as instrumentalizaçõs estilo Clã) com aquele gostinho incomparável.
O Camané encaixa melhor aqui que no Fado. A Manuela Azevedo está excelente, uma voz amadurecendo à nossa vista.

18 janeiro 2005

A Escola do Paraíso



José Rodrigues Miguéis recorda a sua primeira infância num dos melhores romances portugueses que li. Indispensável a qualquer lisboeta que se preze ou outros que prezem a cidade. A cidade do princípio do século, os primeiros automóveis, a cidade iluminada a gás, dos teatros do Princípe Real, do animatógrafo, a cidade que acabava na Rotunda, para lá os campos de corridas ao Campo Grande.
Os hábitos, a carbonária, a aristocracia decadente, o regicídio e a proclamação da turbulenta I República. As profissões, os portugueses e galegos que chegavam à capital. Tudo contado magistralmente (tirando talvez as primeiras super adjectivadas páginas) pelos olhos de um menino que cresceu a ver o brillho do sol das sacadas pombalinas viradas ao Tejo. Menino que reteve minuciosamente a memória das cores, dos cheiros, das gentes e de tudo quanto foi sendo, intensamente, o seu mundo. Que saudades de uma cidade assim. Que pudesse construir-nos a infância e levar-nos de regresso a ela vezes sem conta.

20 dezembro 2004

Quaresma



Neste filme, o último do desparecido José Álvaro Morais, uma oportunidade de deslumbre, de confirmação da força, da surpreendida e surpreendente Beatriz Batarda. O filme está demasiado obcecado com a forma, a procura excessiva do belo asfixia-nos nele. Há filmes, como The Big Fish, em que cada imagem, cada plano merece ser emoldurado, mas aqui há centenas de pessoas a trabalhar para esse objectivo plástico claramente assumido.
Próxima paragem: costa dos murmúrios.

Aprender a cozinhar

Já que o assédio ficou à minha guarda exclusiva resolvi para me facilitar a vida colocar na lista de blogs os dos amigos mais os que também vou lendo.